19 fev 2016

A falta da minha mãe na minha vida de mãe

Por Fabiana Bellentani

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Quem acompanha o blog e meu perfil do Instagram (fabi_4mammies) já leu alguns trechos dos meus posts dizendo “minha mãe já estava muito doente” ou “minha mãe não tinha como me ajudar”.

Minha mãe teve Alzheimer, foi diagnosticada em 2005 com 55 anos, meses depois de termos casado.

Quando engravidei em 2013, a doença já estava bem avançada e, apesar de estar fisicamente bem, ela quase já não falava e não associava mais quem era quem na família. Seu amor e reconhecimento eram puros, como os de uma criança, e eram manifestados através do olhar, do sorriso e do toque.

Acredito que minha mãe tenha percebido minha gravidez apenas quando eu estava com uns 5 meses. Estávamos sentadas, ela acariciou minha barriga e me olhou com um sorriso. Ali eu soube que, pelo menos por alguns segundos, ela entendia o que estava acontecendo.

Eu queria muito que a Carolina nascesse de manhã para que ela pudesse estar no hospital, mas não deu certo. Meu parto foi de madrugada e, claro, minha mãe não estava lá. Ela conheceu a Carol no dia seguinte. A segurei em seus braços e ela me beijou seguidamente. Novamente, naquele momento, eu soube que ela entendia o que estava acontecendo.

Quando tive depressão pós-parto, minha mãe não teve condições de perceber meu estado. Durante anos ela foi meu apoio e certamente teria me ajudado bastante. Um abraço não me curaria, mas ajudaria a me confortar.

A Carol foi crescendo e ela não conseguiu acompanhar seu desenvolvimento. Teve a oportunidade de segurá-la no colo em algumas ocasiões, mas seu foco era muito curto, logo se desconcentrava e parecia não perceber que estava com um bebezinho apoiado nas pernas.

E aí, numa sexta-feira de agosto de 2014, no meio a telefonemas desencontrados e correria para hospital, recebi a notícia de que minha mãe havia falecido. Sabíamos que aconteceria, mas não estávamos prontos. A Carol estava a 3 dias de completar 7 meses.

Sinto falta da minha mãe. Ela era minha melhor amiga, a quem eu recorria quando precisava desabafar. Dividíamos os mesmos gostos e fazíamos muitas coisas juntas. Às vezes, de noite, rezo e converso com ela, para que me guie como mãe e proteja a Carolina. Teria sido ótimo tê-la tido ao meu lado, curtindo minha gestação e me ajudando com os primeiros cuidados da Carol.

Eu sempre fui muito racional, mas a maternidade me transformou numa manteiga derretida. Sempre compreendi a doença da minha mãe de forma bastante clara, mas por diversas vezes me peguei admirando a Carol no berço e chorando por sentir que minha mãe não a veria crescer. Ela teria sido uma avó maravilhosa e teria me ajudado tanto quanto minha sogra ajudou.

Queria muito que a Carolina a tivesse conhecido melhor, que pudesse ter tido condições de criar uma memória mais definida dela. Hoje ela é a Vovó Estrelinha, que fica no céu e olha por nós.

Minha mãe era linda, por dentro e por fora. Uma mulher maravilhosa, extremamente forte, o porto-seguro da família. Uma mãe excepcional, atenciosa e carinhosa. Sabia ensinar, educar e cuidava de nós com todo amor do mundo. Mesmo não estando presente, ela é e sempre será meu exemplo. Espero conseguir ser para a Carolina a mesma mãe que ela foi para mim e meu irmão.

1 comentário em A falta da minha mãe na minha vida de mãe

  1. Eric Veiga em 19 fev 2016

    Fantástico! Sem palavras!

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