10 mar 2016

Amamentação e sua importância para o desenvolvimento craniofacial do bebê

Por Dra. Thais Cabral

De todos os benefícios que já conhecemos sobre a amamentação, existe um que costuma ser esquecido: o desenvolvimento facial. A amamentação é o primeiro exercício da musculatura facial (lábios, bochechas e língua) do recém-nascido e esse trabalho muscular estimula o crescimento ósseo.

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O ato de mamar no peito prove um ótimo exercício da musculatura da face e da boca, estimulando as funções de respiração e deglutição (engolir). Quando o bebê suga corretamente o seio materno, ocorre um vedamento da passagem de ar pela boca, o que o obriga a realizar a sucção e a deglutição sempre respirando pelo nariz. Usar a língua para deglutir estimula o crescimento transversal (largura) do maxilar superior e a amadurecimento da musculatura lingual (evitando problemas na fala e deglutição), prevenindo alguns problemas de maloclusão (alteração no encaixe dos dentes).

Qual a relação entre a falta de amamentação e a sucção digital ou de chupeta?

Um fator importante é que bebês que não mamam no peito, ou o fazem por um período muito curto são mais propensos a chupar dedo (sucção digital) e chupeta. O hábito de sucção de chupeta pode provocar desvio na direção do crescimento maxilar, favorecendo o desenvolvimento de alterações no encaixe dos dentes, como, por exemplo, a mordida aberta. Por isso as chupetas não devem ser utilizadas por um longo período e de forma indiscriminada.

Por outro lado, podemos conseguir efeitos positivos quando usada de forma racional. A chupeta deve ser do tamanho adequado e compatível com a boca do bebê e ser ortodôntica para um melhor posicionamento da língua.

Por exemplo: quando o bebê está amamentado e chora por falta de sucção, a chupeta poderá ser usada como estímulo de exercício muscular. Logo a criança se cansa, larga a chupeta e dorme. A mãe deve acompanhar esse movimento de sucção segurando a chupeta como se quisesse retirá-la da boca do bebê. Durante o sono a boca deve estar completamente fechada, com os lábios selados tornando a respiração exclusivamente nasal. Mas esse tema abordaremos com mais profundidade em um outro momento porque é muito extenso e importante.

E quando não for possível amamentar?

Evidentemente existem situações que impedem a mãe de amamentar, e é claro, que nestes casos o uso da mamadeira se torna indispensável. Vale salientar que a sucção do bico da mamadeira não deve ser diferente da sucção feita no peito. Ela não deve ser fácil, deve reproduzir ao máximo as condições da amamentação natural (funções de sucção, respiração e musculares).

Para que isso ocorra adequadamente a posição da mamadeira é muito importante, ela nunca deve ficar solta ou apoiada na boca ou no peito do bebê. Ela deve formar um ângulo de aproximadamente 45 graus com o corpo. O queixo deve estar afastado do peito para que não dificulte a respiração e o movimento de sucção seja realizado sem impedimento. Com relação ao bico, ele deve ser curto e arredondado e com um orifício pequeno de modo que, se a mamadeira estiver cheia e for virada com o bico para baixo, permita a passagem de somente 20 a 30 gotas por minuto.

Para mamães com dificuldade de amamentar ou se ela for feita por um período muito curto, recomenda-se a verificação de um cirurgião dentista para avaliar a necessidade de ortopedia facial com a criança ainda em crescimento.

Até quando posso amamentar?

Essa é uma dúvida constante nos consultórios, pois muitas mães sabem o tempo mínimo, porém não sabem o máximo. Recomenda-se amamentar única e exclusivamente com leite materno até os 6 meses e a continuar com a amamentação até os 2 anos, mesmo após a introdução alimentar. Os benefícios continuam pelo tempo que a mãe e o bebê quiserem permanecer no processo de aleitamento. Só faz bem!