Por Fabiana Bellentani

“Nossa, tão pequenininha e já usando óculos?”, “Por que ela usa?”, “Como perceberam que ela precisaria dos óculos?”: essas são algumas das perguntas que ouço com bastante frequência (até em viagem ao exterior já fui questionada) e que tenho a maior atenção em responder e explicar.

Como muita gente tem curiosidade, às vezes até para tentar identificar uma eventual necessidade em seus próprios filhos, ontem comecei contando nossa história sobre a hipermetropia da Carolina. Hoje concluo o assunto explicando sua adaptação e a necessidade de usar o tampão complementar.

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Por que os óculos são necessários?

Para enxergar melhor, claro, mas, no caso da Carol, para muito mais que isso: para evitar que ela perca a visão! Se não usar os óculos, o cérebro da criança se acostuma com a visão distorcida e a assume como padrão.

O estrabismo que comentei no post anterior acontece por causa do esforço que a Carol faz para focar os objetos que enxerga. É como se um dos olhos fizesse tanta força para focar, que ultrapassa o centro do globo e desvia para o canto interno.

Antes dos óculos, o estrabismo era mais leve que agora. Explico: com os óculos, o desvio acontece muito pouco, apenas para enxergar de perto. Para longe, não acontece mais, porém, quando tira os óculos, o estrabismo é muito maior que antes e imediato, pois o olho já está acostumado com a posição correta.

Nesse período de um ano e três meses, a Carol já mudou as lentes duas vezes e agora mudará a terceira. Isso porque os exames em crianças não conseguem ser precisos como nos adultos, claro! Elas não têm capacidade de fazer os exames convencionais. Em função disso, normalmente iniciasse o uso dos óculos com meio grau a menos do encontrado pelo médico em consultório, para posterior ajuste, se necessário. Foi o que aconteceu com a Carol. Depois de seis meses usando as lentes iniciais, tivemos que ajustar o grau.

Agora ela passará a usar um bifocal, para tirar o desvio que acontece quando ela foca de perto.

O tipo de óculos

Os óculos da Carol são da marca Miraflex. Eles são totalmente flexíveis, de plástico, sem nenhuma parte em metal, sem BPA, sem borracha, sem látex e hipo-alergênico. São próprios para crianças.

Como ela era e ainda é muito pequena, o modelo apropriado para sua idade é um que possui um elástico preso à cada uma das hastes, passando pela nuca. Assim, ela pode pular e rolar, sem medo de caírem do rosto.

Além disso, as lentes são antirrisco, para garantir maior durabilidade.

Quanto ao modelo, a Miraflex possui vários, porém deve-se considerar o tipo e espessura das lentes.

O uso dos óculos e adaptação

A Carol já usava de vez em quando óculos de sol, mas era pontual e totalmente diferente dos óculos de grau.

Quando ficaram prontos, eu e meu marido passamos a usar os nossos o dia inteiro para ver se ela se empolgava. Não tivemos muito sucesso. Foi na escolinha que o negócio engrenou! Quando chegou no primeiro dia usando aquele acessório diferente e curioso, todos os amiguinhos se reuniram ao seu redor e queriam pegá-lo para usarem também. Ela se sentiu toda especial por ser a única a tê-los e não quis tirar mais.

Aliás, antes mesmo dela começar a usar, a escolinha fez todo um preparo com conversas, mostrando outras crianças mais velhas que já usavam óculos, além de historinhas e personagens que também usavam.

Hoje ela usa tranquilamente e quando fica sem, diz: “Cadê meus óculos? Está tudo embaçado!”, pega e coloca sozinha!

O tampão

Além dos óculos, a Carol também usa um tampão, cujo nome correto é oclusor ou protetor ocular. Começou usando 4 horas por dia, três no olho direito e um no esquerdo, e, agora, usa 3 horas por dia, dois no direito e um no esquerdo.

Nossa observação e os exames clínicos mostraram que a Carol usa mais a visão esquerda que a direita. Na verdade, o único olho que tem o desvio é o esquerdo. Em função disso, para que o cérebro não anule essa visão, dando preferência à direita, tivemos que usar o tampão.

Neste caso, a adaptação foi um pouco mais chata. A escola também foi fundamental no processo, mas mesmo assim demorou um pouco mais. Assim que soubemos da necessidade, informamos as professoras da Carol, que logo iniciaram um trabalho com brincadeiras de piratas e historinhas. A própria professora fez um tampão de EVA para ela e todos os alunos da sala para transformar o uso em algo divertido.

Eu também usava o tampão com a Carol para estimular. Saía na rua com o olho tapado, fosse onde fosse. É lógico que todo mundo me encarava, perguntava o motivo, mas, por ela, valeu a pena.

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A Nexcare e a Oftam fabricam os protetores oculares, daqueles que grudam na pele. Optamos pela marca Oftam, por indicação médica, pois são coloridos e aparentemente são os que incomodam menos na hora de tirar. O chato desses protetores é que a cola é muito resistente e realmente machuca quando puxamos, mesmo com o maior cuidado possível! Quando eu tirava do meu rosto, acabava arrancando a sombrancelha junto… Não era legal…

A solução (indicada por uma amiga cujo filho usa desde os seis meses) foi fazer um tampão de EVA. Quem me segue no Instagram (@fabi_4mammies), já viu várias fotos da Carol usando o nosso “improviso”. Compramos uma folha de EVA, cortamos no formato dos óculos, deixando uma aba lateral para bloquear toda visão. O objetivo é que não fique espaço para a criança enxergar por qualquer brecha. E deu tão certo que o tempo de uso diário já foi reduzido, como comentei acima.

A hipermetropia da Carolina é questão de grande importância para nós, como tenho certeza ser de vários pais e mães que também têm seus filhos com necessidade de uso de óculos. Então, fico à inteira disposição para qualquer dúvida, ok? ; )

Por Fabiana Bellentani

Muita gente me pergunta o porquê da Carol usar óculos. Bem, a Carolina tem hipermetropia e começou a usar óculos com 1 ano e 9 meses, depois de passar por dois oftalmologistas.

É normal que bebês em torno de 1 ano e meio, sejam hipermetropes em torno de 2 a 3 graus. Seus olhos ainda vão crescer até 7 anos, portanto, perfeitamente natural que a hipermetropia faça parte da vida da criança nessa fase.

O problema é que a Carol com 1 ano e 8 meses tinha em torno de 7 graus de hipermetropia em cada olho. Daí a necessidade dela começar a usar óculos desde pequenininha.

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Como percebemos que devíamos procurar um oftalmo

Na verdade, a Carol já havia passado por um oftalmo com aproximadamente 6 meses por causa de uma secreção nos olhos. Naquela época, não havia nada aparente que exigisse uma investigação. Aliás, até 6 meses, é comum os olhinhos do bebê tremerem e entortarem um pouco.

Mais tarde, quando começou a pegar os alimentos sozinha, notamos que seus olhinhos ficavam estrábicos ao acompanharem o movimento da mão à boca. Até aí tudo bem, porque se eu e você fizermos isso, nós também ficamos estrábicos, todos ficam. Na Carol, porém, depois de tirar a mão da boca, percebíamos que um dos olhos voltava ao normal, porém o outro, normalmente o esquerdo, permanecia com o desvio até que chamássemos sua atenção para algum objeto posicionado à sua frente.

O pediatra da ocasião dizia que aquilo era normal, que com o tempo sumiria, mas sempre ficamos com uma pulguinha atrás da orelha.

Quando a Carol completou 1 ano e 6 meses passamos a consulta-la com a Dra. Maria Fernanda Giacomin, que, inclusive, é colunista do blog. Foi ela, então, que ratificou nossa intenção de procurar um oftalmo.

Os exames e o diagnóstico da hipermetropia

Buscamos primeiramente um profissional de uma clínica já conhecida nossa. Fomos e voltamos para exames e dilatação de pupila umas três vezes. A Carol era pequena, fazer os exames era um sacrifício e, para ser sincera, não gostamos muito do atendimento. Acho que faltou um pouco de atenção ao fato de estarmos tratando de uma criança com menos de 2 anos e não de um adulto… Mas, enfim, na última consulta, tivemos o diagnóstico da hipermetropia.

Lembro que um pouco antes de entrarmos no consultório, meu marido, precisou sair. Eu estava sozinha com a Carol quando a médica me disse que ela tinha hipermetropia e que precisaria usar óculos provavelmente para o resto da vida. Seu grau era muito alto. Fiquei muito chateada, engoli seco para não começar a chorar. Minha voz saia trêmula cada vez que precisava fazer uma pergunta ou responder a algo…

Saímos da clínica e fomos direto à ótica para ver quais seriam as opções de óculos para uma bebê de 1 ano e 7 meses. Quando colocamos a primeira armação no rostinho da Carol, não aguentei: comecei a chorar descontroladamente. Meu marido também estava chateado, claro, mas foi mais consciente e me disse o óbvio: que uma hipermetropia não era nenhuma doença grave, que era super comum e que usar óculos não era nada demais! Ele tinha razão, mas toda mãe quer que seus filhos estejam e fiquem bem e, até processar a informação da hipermetropia, demorou um pouco.

Em seguida, conversamos com a pediatra e ela considerou razoável pegar uma segunda opinião. Trocamos de oftalmo, mais atencioso e cuidadoso com a Carol, mas que chegou ao mesmo diagnóstico, com diferença mínima de grau. Ele fez alguns outros exames e explicou ser fundamental a identificação de doenças oftalmológicas até os 6 anos, fase em que muitas delas conseguem ser revertidas. Com 7, os olhos da criança estão completamente formados e daí fica praticamente impossível reverter qualquer quadro.

No caso da Carol, existem chances da hipermetropia regredir um pouco, mas não 100%. Ela provavelmente dependerá de óculos ou lentes de contato para o resto da vida. Chegamos a questionar a possibilidade de uma cirurgia, mas atualmente não existe nenhuma que seja eficaz. Mas quem sabe no futuro, né?

Como tem muita coisa para falar sobre este assunto, dividi tudo que tenho para falar em dois posts diferentes. Então, amanhã continuo contando sobre a necessidade dos óculos, qual o melhor tipo de armação, como foi a adaptação da Carolina e o motivo para ela usar o tampão. ; )

Por Fabiana Bellentani

Com tantos brinquedos espalhados pela casa (acúmulo dos presentes de Natal somados aos recebidos ao longo do ano por aniversário e outras comemorações), este é um ótimo momento para sabermos que, sim, o tipo de brinquedo como os quais nossos filhos brincam importa, e muito, e que quanto mais simples eles forem, melhor!

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Um recente artigo publicado pela JAMA Pediatrics (que é um periódico mensal publicado pela Associação Médica Americana) divulgou que crianças que brincam com brinquedos eletrônicos – qualquer coisa que produza luz, músicas e palavras – demonstram menor qualidade e quantidade de fala se comparadas com crianças que se divertem com livros ou brinquedos mais tradicionais, sem bateria, como blocos, quebra-cabeças e outros.

Os pesquisadores explicam que não são os brinquedos em si que são bons ou ruins, mas que o problema é o efeito que eles têm na interação pais e filhos.

Para conduzir os estudos, os pesquisadores usaram equipamentos de áudio para monitorar 26 diferentes interações entre pais e filhos entre 10 e 16 meses de idade. Os brinquedos eletrônicos incluíram laptops para bebês, celulares para bebês e uma fazendinha com emissão de sons. Dentre os brinquedos tradicionais estavam quebra-cabeças de madeira, brinquedos de encaixe de peças e blocos de borracha. E os livros incluíram cinco livros cartonados com animais de fazenda, formas e cores.

O que observaram é que brinquedos eletrônicos dão pouca abertura para os pais se comunicarem com seus filhos, pois o brinquedo toma conta da interação por si só. Como resultado, as crianças ficam menos propensas a vocalizarem respostas. Livros, por outro lado, obviamente estimulam a vocalização e aumentam a quantidade de palavras vocalizadas tanto pelos adultos, como pela criança, na medida em que ela tem o exemplo da fala dos pais na contação da história. Os brinquedos tradicionais estão num meio termo, estimulando mais o diálogo que os brinquedos eletrônicos, mas não tanto como os livros.

Diante disso, gente, vamos aproveitar ao máximo o tempo que temos com nossas crianças, realmente interagindo e brincando! Especialmente para pais que trabalham foram, para quem o tempo para brincar e interagir com os pequenos é limitado, essencial usarmos as ferramentas certas!