Por Fabiana Bellentani

Com tantos brinquedos espalhados pela casa (acúmulo dos presentes de Natal somados aos recebidos ao longo do ano por aniversário e outras comemorações), este é um ótimo momento para sabermos que, sim, o tipo de brinquedo como os quais nossos filhos brincam importa, e muito, e que quanto mais simples eles forem, melhor!

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Um recente artigo publicado pela JAMA Pediatrics (que é um periódico mensal publicado pela Associação Médica Americana) divulgou que crianças que brincam com brinquedos eletrônicos – qualquer coisa que produza luz, músicas e palavras – demonstram menor qualidade e quantidade de fala se comparadas com crianças que se divertem com livros ou brinquedos mais tradicionais, sem bateria, como blocos, quebra-cabeças e outros.

Os pesquisadores explicam que não são os brinquedos em si que são bons ou ruins, mas que o problema é o efeito que eles têm na interação pais e filhos.

Para conduzir os estudos, os pesquisadores usaram equipamentos de áudio para monitorar 26 diferentes interações entre pais e filhos entre 10 e 16 meses de idade. Os brinquedos eletrônicos incluíram laptops para bebês, celulares para bebês e uma fazendinha com emissão de sons. Dentre os brinquedos tradicionais estavam quebra-cabeças de madeira, brinquedos de encaixe de peças e blocos de borracha. E os livros incluíram cinco livros cartonados com animais de fazenda, formas e cores.

O que observaram é que brinquedos eletrônicos dão pouca abertura para os pais se comunicarem com seus filhos, pois o brinquedo toma conta da interação por si só. Como resultado, as crianças ficam menos propensas a vocalizarem respostas. Livros, por outro lado, obviamente estimulam a vocalização e aumentam a quantidade de palavras vocalizadas tanto pelos adultos, como pela criança, na medida em que ela tem o exemplo da fala dos pais na contação da história. Os brinquedos tradicionais estão num meio termo, estimulando mais o diálogo que os brinquedos eletrônicos, mas não tanto como os livros.

Diante disso, gente, vamos aproveitar ao máximo o tempo que temos com nossas crianças, realmente interagindo e brincando! Especialmente para pais que trabalham foram, para quem o tempo para brincar e interagir com os pequenos é limitado, essencial usarmos as ferramentas certas!

Por Fabiana Bellentani

Nunca achei que escolher um livro infantil exigisse uma atenção maior do que a que dispensamos para um livro para nós, adultos, mas na última reunião de escola da Carol, as professoras chamaram atenção para alguns pontos importantes, ignorados por alguns pais.

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Portanto, por mais óbvios que possam ser, acho legal trazer essas dicas aqui no blog também.

  • Veja a sugestão de idade. Existem livros para todas as faixas etárias e alguns sem idade recomendada. Os leitores não são iguais e sua idade cronológica é apenas uma das variáveis. Mistura a sugestão da editora com o conhecimento e interesse da criança que vai receber o livro.
  • O livro deve ser de qualidade, bem impresso, com boa encadernação. Livro para crianças muito pequenas deve ter páginas grossas, para que não rasguem ou desmontem. A impressão deve estar alinhada, sem borrados. A ilustração é uma linguagem tão válida quanto o texto. E cuidado com os estereótipos: sol com rosto feliz ou a típica casinha triangular. Para crianças em fase de alfabetização, a fonte deve estar em caixa alta.
  • Textos com estrutura de repetição, para os menores, costumam ser muito apreciados. Eles são fáceis de memorizar e permitem a identificação das palavras repetidas, o que ajuda na alfabetização.
  • Veja quem assina. Um verdadeiros escritor de livros para crianças garante o que escreve.
  • Veja qual a editora do livro. Verifique cidade, ano de publicação e nome do tradutor, se for o caso.

Última dica de hoje: Envolva a criança na pesquisa do livro. Nós fazemos isso com a Carol e ela adora encontrar nas prateleiras da livraria o livro que mais lhe chamou atenção.

Além disso, busque assessoria, se for preciso. O Leiturinha é um clube do livro infantil que entrega um ou dois exemplares por mês em sua casa. Dá uma olhadinha lá também (Isso não é publipost, ok? É só uma indicação mesmo!) ; )

Por Fabiana Bellentani

O quanto antes, desde bebê!

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Muitos pais acham que pelo fato da criança ser muito pequena, ela não se interessa por livros. Mas o que acontece é exatamente o contrário: desde pequenininhas as crianças se interessam pelas cores, formas e figuras dos livros. Abra um livro bem colorido na frente de um bebê de 1 ano e ele imediatamente baterá palminhas e colocará as mãos sobre as imagens.

Aliás, esse toque da criança no livro é super importante para que ela se acostume e sinta à vontade em folheá-lo. A Carol simplesmente ama os livrinhos que oferecem texturas, formas e sons diferentes. O que ela lê quase todas as noites é um que reproduz o som de alguns instrumentos musicais, incluindo o de uma bateria, que é o instrumento que “o papai toca”.

Na verdade, se pararmos para pensar, mesmo sem saber acabamos introduzindo as historinhas na vida do bebê desde cedo: as canções de ninar são um tipo de história. Narrativas sobre outras crianças, animais ou a natureza também.

Nessa fase, até uns 2 anos, 2 anos e meio, por incrível que pareça, as crianças adoram saber sobre sua vida, como nasceram ou fatos que aconteceram com elas ou com pessoas da sua família. A Carolina, por exemplo, sabe contar que “estava na barriga da mamãe, daí o papai levou um susto, a mamãe correu pro hospital e eu nasci”. Ela gesticula, mexe as mãozinhas e se orgulha quando interagimos e a parabenizamos por saber “descrever” seu nascimento.

Conforme cresce, a criança passa a escolher o que quer ouvir, ou a parte da narrativa que mais lhe agrada. Ela acrescenta detalhes, personagens ou até lembra de fatos que o contador sequer percebeu. Essas histórias reais são fundamentais para que o pequeno estabeleça a sua identidade e compreenda melhor as relações familiares.

Mais tarde, as crianças passam a se interessar por histórias inventadas e pelas dos livros, como os contos de fadas, poemas, etc.

E depois que a criança já sabe ler? Daí a gente não conta mais? 

Não! É importante contar histórias mesmo os pequenos que já sabem ler, pois o prazer em ouví-las continua. Quando crianças maiores ouvem histórias, elas imaginam, pensam e aprimoram sua capacidade de criação.

Estamos, hoje, muito acostumados à televisão, computadores, celulares e tablets. Mal damos atenção a pequenos gestos e hábitos que nos proporcionam momentos de qualidade com nossos filhos. E se você pensa que precisa passar horas com um livro na mão está enganada(o). Bastam 20 minutinhos por dia para mudar o mundo da criança!