Por Fabiana Bellentani

Há um tempinho atrás, falei sobre o tema “babá ou escolinha”, trazendo, inclusive, depoimento de mães que optaram por cada uma das alternativas e dicas de como escolher e entrevistar uma babá.

Como acho que a escolha da escolinha também envolve uma série de questões, até o final desta semana vou dividir com vocês tudo que pesquisei na época em que saímos em busca da escolinha para a Carolina, bem como o que recebi de dica de outras mães e passei a considerar como importante ao longo do processo de pesquisa.

Entendo que existem 4 “etapas” de considerações a serem feitas na escolha: algumas prévias (nossas expectativas em relação à escola), aquilo que deve ser observado durante a visita da escola, o que deve ser perguntado para a direção escolar e algumas considerações finais. Hoje comento um pouco sobre o que devemos pensar antes de sairmos em busca da escolinha ou berçário ideal.

Nursery teacher playing with the kids.

Tente listar suas expectativas

Antes de dar início à pesquisa, tente montar uma lista com suas expectativas em relação à escola.

Vou ser sincera: tem muita coisa que você só vai saber se quer ou não quer na educação do seu filho depois de ter visitado algumas instituições. Isso porque, sendo mãe de primeira viagem, acabamos conhecendo o funcionamento de berçários e do ensino infantil depois de passarmos por umas duas ou três apresentações de escola. Então, não se intimide se tiver que revisitar alguma instituição antes de tomar sua decisão.

Alguns tópicos para te ajudar a pensar:

1. Você precisa ou prefere um berçário ou escola que ofereça meio período e período integral? Apenas um ou outro? Quer ter a possibilidade de período estendido (6 horas)?

Saiba que alguns berçários oferecem apenas período integral, não dando a possibilidade de meio-período para os pais. Outros oferecem períodos que vão desde 4 até 12 horas.

2. Você quer uma escolinha que tenha bastante espaço para seu filho correr? Se tem um bebê, o espaço físico talvez não seja uma preocupação imediata, afinal, seu filho ainda não anda. Mas se pretende que ela continue sua educação infantil na mesma escolinha – o que é ideal para evitar nova mudança para a criança – talvez seja caso de considerar este critério na escolha.

3. A escola tem que ser perto de casa ou do trabalho? A proximidade é muito importante, principalmente para quem mora em cidades como São Paulo, em que determinadas distâncias podem levar horas para serem percorridas.

Nós criamos uma ordem de procura: priorizamos primeiro as escolas próximas à nossa casa, em seguida passaríamos às escolas próximas ao nosso escritório e, em terceiro plano, ficariam as mais distantes.

A escolinha da Carol fica a 5 minutos de carro de casa e, se for necessário, conseguimos, inclusive, ir a pé.

4. Quer escola bilíngue? Algumas famílias fazem questão.

Liste suas prioridades de acordo com a realidade da sua família.

Pesquisar bastante é fundamental

Visite várias instituições antes de escolher aquela em que matriculará seu filho. Não há número mínimo ou máximo de escolas que devem ser visitadas. Para algumas famílias, a empatia acontece logo de cara, para outras, leva algum tempo.

Para a escolha da escola da Carol, visitamos mais de 5 instituições próximas à nossa casa e acabamos decidindo pela última que conhecemos. E olha que descobrimos a escolinha em que a Carolina está hoje por uma pesquisa no Google de última hora!

Simpatizar, ter aquela primeira boa impressão é muito importante e é algo super subjetivo e pessoal. Por isso, a decisão final só deve ser tomada quando os pais estão seguros e tranquilos em relação à escolha. Essa confiança é fundamental, inclusive, para o sucesso de adaptação da criança.

Peça indicação e converse com outros pais

Antes de sair visitando mil escolas desgovernadamente, peça algumas indicações a amigas, pessoas que moram no mesmo prédio, vizinhos e conhecidos.

Aproveite o horário de entrada e saída da instituição para conhecer os pais das crianças e bebês. Converse, pergunte, tire dúvidas. Veja se gostam da escola, se têm alguma reclamação, o que acham de bom. Questione sobre método de ensino, rotina, alimentação, tudo. Nós fizemos isso com pais de outros alunos da escola da Carolina. No dia em que a vistamos, havia outras mães pegando seus bebês no berçário e questionamentos o que achavam da escola. Só tivemos boas referências!

As informações que vocês obterão dos outros pais poderão confirmar suas impressões iniciais sobre a escola.

Amanhã comento um pouquinho o que observar durante a visita às escolinhas! Espaço físico e segurança são alguns exemplos. ; )

Por Fabiana Bellentani

Não sou psicóloga, nem pediatra. Sou mãe (ia dizer “apenas mãe”, mas ser mãe não é pouca coisa), que, como todas, tem seu instinto materno e gosta de compartilhar suas experiências.

20160815_Como_os_pais_podem_influenciar_na_adaptação

A Carol foi para a escolinha no dia 05 de janeiro de 2015, pouco antes de completar 1 ano. Tínhamos a ideia de mantê-la em casa até os 2, mas por volta dos 9 meses, quando começou a andar com nosso apoio, percebemos que não tínhamos toda energia e disponibilidade de tempo que ela passou a demandar. Conversamos, então, sobre o assunto, tivemos a aprovação pediátrica e passamos a visitar algumas escolas até escolhermos a que ela está hoje.

No primeiro dia da adaptação, eu e meu marido fomos juntos, mas sabíamos que apenas um poderia ficar. Eu estava tranquila e segura de nossa decisão, sabia que ela ficaria bem. Meu marido também estava certo do que estávamos fazendo, mas senti que ele fazia questão de estar lá por ela. Saí e deixei os dois, preparada para voltar dentro de uma hora.

Ao retornar, encontrei o Eric sentado num dos bancos da escola, muito sossegado e aparentemente satisfeito.

E aí, como está indo?, perguntei.

– Eu fui umas duas vezes na porta do berçário, ela olhou na minha cara, deu uma risadinha e continuou a brincar., respondeu me mostrando os vídeos e fotos que havia feito.

Fomos até a porta da sala, vimos que estava tudo muito bem e resolvemos que a deixaríamos com as berçaristas por mais um tempinho. Ficamos por perto, fizemos um monitoramento pelas câmeras da escolinha e deu super certo. No segundo dia, a Carol já passou a ficar o período de seis horas completas, sem ninguém junto. Sua adaptação foi rápida e sem traumas para ela e para nós.

E como nosso comportamento pode ter influenciado e/ou facilitado esse processo?

Bom, na verdade, penso que não se trata apenas de uma postura pontual, do momento da adaptação, mas de toda uma cultura familiar de criação. A Carol sempre foi uma criança acostumada com outras pessoas. Ela sempre foi pega no colo, entretida, alimentada e trocada por avós, tios e amigos, nunca houve uma “redoma de vidro” sobre ela neste sentido.

Sempre a incentivamos a ser independente, proporcionando segurança e autoconfiança para isso.

Sua ida para a escola foi, de certa forma, por uma necessidade, mas, quando tomamos a decisão, a fizemos consciente de que seria o melhor.

No seu primeiro dia no berçário estávamos tranquilos, sem ansiedade, sem angústia, sem medo ou incerteza de estarmos fazendo a coisa certa. A entregamos nos braços das cuidadoras com muita segurança de que ela seria bem atendida e se divertiria e se desenvolveria bastante.

Durante a busca pela escola, escutamos muitas histórias de adaptações difíceis. E alguns desses relatos vinham acompanhados de comentários de que a mãe ficava apreensiva em deixar o filho e que o momento da despedida era super doloroso.

É lógico que nem todo mundo tem a possibilidade de ficar com o filho até 1 ano, a maioria das mães precisa voltar ao trabalho antes e acaba não tendo outra opção senão a escolinha. Mas, na medida em que a decisão é angustiante para os pais, entendo que esse sentimento é passado para a criança. E aí o processo passa a ser angustiante para o bebê também.

Ter uma atitude honestamente positiva sobre todo o processo é essencial para o sucesso da adaptação. E quando digo honestamente é porque não basta aparentar uma tranquilidade que não existe em seu coração.

Já disse várias vezes aqui no blog que não existe certo ou errado na maternidade, mas aquilo que faz seu coração de mãe ficar e estar em paz. Portanto, estejam seguros e certos sobre a decisão. Caso contrário, quem não estarão prontos para a adaptação da escolinha são vocês, pais e mães, e não seu filho! ; )

Por Fabiana Bellentani

O tema “babá x escolinha” não estaria completo se não falássemos sobre como escolher, entrevistar e contratar uma babá, caso essa seja sua decisão.

O post de hoje, portanto, é um apanhado, a reunião do que encontrei de mais importante sobre o assunto, através de pesquisas a vários sites (incluindo o BabyCenter, que eu adoro), revistas e livros. Ah, e claro, tem também minhas observações pessoais, comentários e complementações!

Já aviso que o texto é beeem longo, mas não quis fracionar o conteúdo, porque acho que tem muita coisa importante para se prestar atenção na hora de contratar a pessoa que vai cuidar do seu filho.

Mother and daughter playing with finger toys

Como escolher a babá

A primeira coisa é saber exatamente o que você precisa e quer em uma babá. O ideal é anotar alguns critérios predefinidos antes de dar início à busca da profissional. As seguintes perguntas podem te ajudar a montar essa listinha de prioridades:

  • Precisará dormir no emprego ou a babá será apenas para o período diurno?
  • Tem que ter noções médicas básicas?
  • Tem que ter um curso de formação ou o tempo de experiência será suficiente?
  • Tem experiência anterior com bebês da idade do(s) seu(s)?
  • Sabe dirigir em caso de emergência?
  • Tem facilidade para usar celular ou chamar um táxi (se precisar)?
  • Sabe cozinhar e cuidar da roupa?
  • É capaz de contar histórias, o que significa, sabe ler, escrever e falar bem?
  • Quanto você pretende gastar com a profissional?

Com esses pontos definidos, pesquise e, principalmente, peça indicação! Existem algumas agências que trabalham exclusivamente com a seleção dessas profissionais, porém a contratação através desse meio inclui um pagamento pela intermediação.

Como conduzir a entrevista?

1. Prepare-se para a entrevista, tendo um caderninho e caneta à mão para anotar suas considerações. Como você provavelmente entrevistará várias pessoas, reserve o início de uma folha para cada candidata e coloque o nome de cada uma logo no topo da página, junto com alguma anotação que te ajude a identificar a pessoa depois.

2. Uma das primeiras coisas a observar é a pontualidade. A candidata deverá chegar na hora certa e já ter em mãos documentos pessoais e, pelo menos, duas referências para te passar. Esses documentos são o RG, CPF e carteira de trabalho originais.

3. Para quebrar o gelo, dê início perguntando onde a candidata mora e se demorou para chegar à sua casa, se teve fácil acesso à condução, etc. Eu sempre faço isso quando entrevisto alguém para trabalhar na minha casa! Se a resposta for do tipo: “Nossa, aqui é muito longe!” você já terá indícios de que a pessoa não tem noção (pois não se fala esse tipo de coisa em uma entrevista de emprego) ou a distância poderá ser um grande empecilho para a permanência da funcionária.

4. Antes de dar início às perguntas, verifique as referências apresentadas e faça perguntas relacionadas.

5. Tenha em mente que você deverá perguntar de forma bastante clara tudo que quer saber: qual a reação da pessoa à choro constante, à criança agitada, se sabe cuidar de crianças mais velhas, etc. etc. Se algo não for respondido satisfatoriamente, tente obter a informação de outra forma. Insista perguntando a mesma coisa de outra maneira.

6. Durante a entrevista, pergunte, pelo menos o seguinte:

  • nome completo
  • telefone fixo (celular não é totalmente confiável)
  • endereço residencial e com quem mora
  • quantas conduções usaria para ir e voltar diariamente da sua casa (para você avaliar seu custo com vale-transporte)
  • como é a família dela
  • se tem filhos, qual a idade deles e com quem eles ficam enquanto ela trabalha
  • se tem algum problema de saúde ou toma remédios
  • por que decidiu ser babá
  • há quanto tempo trabalha na área
  • o que mais gosta e o que menos gosta no trabalho
  • se está trabalhando atualmente. Se sim, por que pensa em trocar de emprego; se não, por que deixou o último emprego
  • se já fez algum curso de formação de babás, primeiros socorros
  • qual a pretensão salarial

7. Se achar conveniente, depois de já ter abordado os principais pontos com a candidata, apresente seu(s) filho(s) à pessoa, para ver como o(s) bebê(s) ou a(s) criança(s) reage(m). Mas avalie bem, pois não vale a pena fazer apresentações a uma desconhecida que pode não ser a pessoa que será contratada.

8. Ao final, dê chances à candidata de lhe fazer perguntas, pois isso também pode te dar algumas dicas de como a pessoa é e quais são as prioridades dela no emprego.

9. Observe também se, durante a entrevista, a candidata conversa olhando nos olhos ou se foge ao olhar, comportamento de quem pode estar mentindo ou escondendo alguma coisa.

20160616_Como_escolher_entrevistar_contratar_babá_02

Quais os direitos e quanto custa?

  • Contrato de experiência: é possível se ter um período de experiência de até 90dias. Se fizer por 30 , ele pode ser renovado até 90.

Nesse período, avalie a candidata e veja se ela se adequa ao que você espera.

Faça um contrato escrito, deixe bem claro à candidata que ela passará por essa experiência e já explique como será o esquema de folga e férias.

O tempo de experiência tem que ser anotado na carteira de trabalho.

  • Registro em carteira de trabalho (CTPS): é obrigatório, pelo valor salarial real da funcionária.
  • Salário: é o que a babá vai receber. Chama-se salário líquido, o valor bruto com os descontos devidos.
  • Condução: a babá é equiparada à empregada doméstica e, por lei, tem direito ao vale-transporte. A condução deve ser fornecida à parte do salário.

Notem que eu não disse PAGA, mas sim FORNECIDA. Isso porque se o valor for pago em dinheiro, ele passa a incorporar a remuneração. Ou seja, se a pessoa ganha R$ 1.500,00 e você paga mais R$ 300,00 em dinheiro a título de condução, para fins legais, é como se o salário dela fosse de R$ 1.800,00.

O correto a se fazer é comprar vales-transportes suficientes para o mês e dá-los à funcionária, descontando 6% do valor do salário da pessoa. O resto deve ser bancado por quem contrata. Esse desconto de 6% não é obrigatório, então, se preferir, você, como empregadora, pode bancar o valor total.

  • Contribuição ao INSS: quem emprega deve recolher, através do sistema do Simples Doméstico, um valor que varia de 28% a 31% do salario bruto da babá, composto por:
  • 8% para o FGTS;
  • 8% da contribuição patronal para o INSS;
  • 8% a 11% da contribuição da funcionária para o INSS (que pode ser descontada do salário, apesar de muitos empregadores não fazerem o desconto),
  • 0,8% de seguro contra acidentes de trabalho; e
  • 3,2% como fundo para indenização por dispensa sem justa causa.

A contribuição é feita mensalmente pelo sistema eSocial, tendo por base o salário real e bruto da pessoa, e também incide sobre 13º salario e férias.

  • 13º salário: de pagamento obrigatório.
  • Férias: babás têm direito a 30 dias de férias a cada 12 meses trabalhados, recebendo, no mês de gozo, além do salário, a bonificação de 1/3, assim como qualquer outro empregado.

É possível a venda de 10 dos 30 dias das férias, caso em que a babá recebe o correspondente em dinheiro.

  • Hora extra: a jornada máxima de trabalho é de 44 horas semanais. As horas extras precisam ser pagas, ou há a opção de se fazer um banco de horas. O trabalho noturno (entre 22h00 e 5h00) e acompanhamento em viagem também exigem pagamento extra.

Para se calcular a hora extra, divida o salário por 220. O máximo de hora extra permitido por dia é de 2 para quem trabalha 8 horas por dia.

  • Alimentação e moradia: gastos com supermercado, água e luz, principalmente se a babá dormir no emprego, certamente aumentarão.
  • Poupança de contingência: na conta do quanto custa ter uma babá, faça também uma poupança de contingências, para caso você decida mandá-la embora. Lembre-se que no caso de demissão sem justa causa (o mais comum), além do mês de trabalho indenizado, deve-se pagar também a multa do FGTS. Em termos práticos, considere poupar em torno de 60% do salário da pessoa para fins rescisórios, com chances de complementação.

Gastos opcionais

  • Uniforme: se quiser, vai precisar fornecer.
  • Substituta para férias ou folguista: quando a babá sair de férias ou no caso de falta, ou ainda se a babá sair em licença-maternidade (situação em que você não paga o salário, que passa a ser de responsabilidade do INSS), ou você se organiza para passar esses dias com seu filho, ou conta com a ajuda de algum familiar, ou contrata uma substituta ou folguista.

O que mais combinar com a babá?

  • Forma de lidar com a criança: é extremamente importante para o desenvolvimento e segurança da criança que a babá siga o mesmo tipo de conduta que os pais em determinadas situações. Por isso, deixe muito claro como você quer que alguns comportamentos sejam atendidos com seu filho, sem deixar de ouvir o que a babá tem a sugerir, pois muitas vezes a experiência ajuda em cenários inesperados, principalmente para pais de primeira viagem. Mas, de qualquer forma, aja da forma que seu coração mandar.

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  • Privacidade: a babá terá acesso a rotina e informações da família. Portanto, esclareça que sua privacidade é muito importante e que o acontece na sua casa fica na sua casa!
  • Visitas e passeios: esclareça que não será permitido receber visitas sem autorização sua e de seu marido. Além disso, especifique quais passeios a babá poderá fazer com seu(s) filho(s) para não correr o risco da pessoa ir a lugares que você não gostaria que seu(s) bebê(s) frequentasse(m) ou estivesse(m).
  • Relatório: defina com a babá um sistema que funcione para transmitir orientações e receber a rotina do seu(s) filho(s).

Depois da contratação

Fique de olho no comportamento do(s) seu(s) filho(s): se apresenta irritação, choro incomum, sono em excesso ou se fica muito agitado. Esse tipo de comportamento pode revelar que algo não vai bem. Sem querer desencorajar ninguém, mas vale como atenção, mas tive um caso muito próximo de uma babá (treinada e com experiência em cuidar de crianças pequenas) que dava gotinhas de analgésicos para a bebê para que a criança dormisse e desse menos trabalho de cuidar! Absurdo, né? Pois é, mas aconteceu com uma amiga!

Outra coisa: respeite a relação entre a babá e seu(s) filho(s), mas dedique um tempo exclusivo a ele(s), pois mãe é insubstituível! ; )