Por Fabiana Bellentani

Como sabem, essa semana é dedicada ao tema “babá x escolinha”. Na segunda, apresentei as vantagens e desvantagens de cada uma das opções do ponto de vista médica e ontem tivemos as considerações de uma mamãe que optou pela escolinha quando o filho estava com 6 meses.

Hoje, então, é a vez da Renata contar sua experiência, de compartilhar conosco as razões que a fizeram escolher pela babá com seus dois filhos: o Henrique, hoje com 9 anos, e a Rafaella, com 10 meses. Nos dois casos, as crianças só foram para a escola com 2 anos e, até então, ficaram em casa sob os cuidados de uma babá e os olhos atentos da mãe.

Quando perguntei por que havia optado pela babá, vejam o que a Renata respondeu:

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“Sempre fui a favor de amamentação e, para minha alegria, tive muito leite. Não queria abrir mão disso, então tentei moldar minha rotina a partir das mamadas – ter o bebê em casa facilita MUITO o aleitamento materno. Meu trabalho permite uma certa flexibilidade quanto aos horários e local, então aproveitei o máximo disso!

Outro motivo foi doença. Ouvimos várias histórias de bebês que ficam muito doentes quando entram na escolinha. Isso realmente pesou na minha decisão. Nos dois anos que o Henrique ficou em casa não ficou doente nenhuma vez…. depois que entrou para a escolinha, teve alguns resfriados de vez em quando, mas sempre leves.

Também ponderei o fato dele ser indefeso e ter pouca mobilidade… Quis colocá-lo na escola com mais idade para conseguir “se defender” ou mudar de atividade/brinquedo caso quisesse, que não fosse TÃO dependente de um adulto… sabemos que nem sempre a professora estará à disposição deles.

Uma coisa importante é combinar com a babá – antes da contratação – a jornada de trabalho. Como já tínhamos outra funcionária das 8h00 às 17h00, que cuida da casa, achamos mais interessante contratar a babá das 13h00 às 21h00, sendo que uma vez por semana ela dormiria em casa. Uma amiga do trabalho me deu essa dica, que acho que foi a mais valiosa entre todas…. a “noite do casal”. Nesse dia, meu marido e eu saíaamos para um cinema, teatro ou apenas jantar fora na lanchonete da esquina. Isso ajudou muito o nosso relacionamento nesse período tão delicado, tanto que fazemos isso até hoje! Além disso, foi ótimo para eu poder ter um tempinho para conversar com ele sobre outros assuntos além de bebê!

Para ter uma certa interação com outras crianças, ia todos os dias de manhã para o parque com o Henrique. Lá conhecemos outras crianças e criamos um grupo de mães e pais bem legal… até aula de musicalização infantil fizemos!

Uma coisa tenho que admitir: é complicado administrar duas funcionárias dentro de casa! Questões como divisão de tarefas, salário, horários, e até ciúmes, entre outros, sempre aparecem e temos que ter muito jogo de cintura para resolver. Sempre falo que temos que definir e combinar tudo ANTES de contratar a babá, senão o trabalho vai ser muito maior.

Tive agora, depois de 8 anos, um segundo filho, a Rafaella. Decidimos novamente pela opção de babá das 13h00 às 21h00, pois, além das vantagens descritas acima, consigo ter tempo para o Henrique à noite. Pego ele na escola às 19h00, jantamos todos juntos, faço a lição com ele e encaminho o banho. O meu marido ajuda muito, mas por conta do trabalho, chega em casa tarde e algumas vezes dorme fora de São Paulo, então não posso contar com ele sempre.”

Relação de profissionais deste post

Fotografia: Tainan Basile (SP)

Por Fabiana Bellentani

Eu normalmente coloco minha experiência para exemplificar e complementar um assunto, mas, dessa vez, achei que seria interessante ter o depoimento de outra mães sobre o tema “babá x escolinha”.

A Marina é mãe do Fernando, que optou pela escola quando o Nandinho tinha 6 meses. Ela chegou a tentar a babá, mas alguns fatores e sentimentos a fizeram mudar de ideia. Amanhã, outra mamãe que decidiu pela babá compartilhará conosco sua história!

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“Quando o meu filho estava com 4 meses e meio, comecei a pensar se seria melhor deixá-lo em casa, com uma babá, ou em um berçário, quando terminasse a licença maternidade que, no meu caso, foi de 6 meses. Eu sempre achei que o berçário seria a melhor opção, mas depois que ele nasceu e passando o dia inteiro juntos, fiquei angustiada de pensar em deixá-lo, tão pequeno, em um outro lugar, com vários outros bebês, outros adultos e longe de suas coisinhas. Além disso, ouvia muito dizer que ele ia ficar doente toda hora.

Então, ter uma babá passou a ser uma opção. Assim, entrei em contato com amigos e parentes para saber se alguém teria uma indicação, pois isso era super importante para mim. Não me imaginava contratando uma pessoa desconhecida, através de uma agência, pois, embora eu saiba que existem ótimas profissionais em agências muito respeitadas, a indicação para mim era essencial. De qualquer forma, também fui visitar as escolas próximas de casa. Então, em um mês, eu e meu marido visitamos nove escolinhas que dispunham de berçário e entrevistamos oito candidatas.

Dentre as escolinhas, algumas eram péssimas, com pouca iluminação, ventilação, sem estrutura. Teve até uma, de nome bem conhecido, em que o trocador ficava literalmente ao lado da pia da cozinha!

Mas as candidatas também não estavam atendendo às nossas necessidades: algumas não tinham experiência com bebês na idade do meu (5/6 meses), outras não poderiam cumprir o horário que nós precisávamos, outras moravam muito longe, enfim, a licença estava acabando e nós não sabíamos o que fazer.

A última candidata que entrevistamos foi a que mais atendeu às nossas necessidades e então resolvemos fazer um teste. Tinha boas referências, experiência, e eu conversei com as pessoas para quem ela tinha trabalhado.

Ela começou numa segunda-feira, mas não deu certo. Questionava tudo o que a orientávamos e fazia o tempo todo comparações com as outras casas em que trabalhou. No dia seguinte a dispensamos.

Nesse momento, então, percebemos que, para o nosso perfil, a escolinha seria mesmo a melhor opção.

Voltamos a duas escolas que mais tínhamos gostado e acabamos decidindo pela que era mais perto de casa e para qual já tínhamos indicação, pois o filho de uma amiga a frequentava desde os 4 meses.

Hoje ele está com 1 ano e 9 meses e há um ano na escola. Estamos muito satisfeitos com a opção. A escolinha é muito limpa, as professoras são muito carinhosas, todos os dias tem atividades específicas para a idade dele e a alimentação é toda balanceada, muito saudável.

Nos primeiros dias, é claro que ficamos com o coração apertado, mas depois, vendo a felicidade dele ao chegar na escola e o processo de evolução e socialização, não temos dúvida de que, para o nosso caso, foi a escolha certa.

Lembro que me diziam que ele ia ficar toda hora doente, por conta do contato com outras crianças. Nesse um ano, ele ficou doente duas vezes: um mês depois de ter entrado e depois quando estava com 1 ano de idade. Mas nada grave.

Em resumo, a escolinha foi perfeita para as nossas necessidades sendo que, dentre vários benefícios, podemos citar os mais importantes: há várias professoras na mesma sala, então se uma delas faltar as outras suprirão a ausência; as professoras ou já são pedagogas ou estão estudando pedagogia, o que nos dá segurança quanto às atividades desenvolvidas; todos os dias há atividades diversificadas; o processo de socialização é incrível; o cardápio alimentar é elaborado por uma nutricionista e as refeições são feitas por cozinheiras experientes.

Naturalmente, cada família tem a sua realidade, algumas pessoas podem, inclusive, contar com familiares, ou seja, não há certo e errado, mas no nosso caso foi a opção mais apropriada.”

Por Dra. Maria Fernanda Giacomin

Babá ou escolinha, qual a melhor opção? Já adianto que está é uma decisão muito pessoal, sem certos e errados. O que funciona para uma família pode não dar certo para outra e, às vezes, a diferença de conduta pode variar até entre o primeiro e segundo filhos.

Pessoalmente, acredito que muita coisa deve ser considerada, mas principalmente a realidade da família no momento da escolha e aquilo que seu coração de mãe e pai se sentem tranquilos e confortáveis em fazer.

Essa semana será dedicada ao tema “babá x escola” e, por isso, pedi à nossa colunista pediátrica, a Dra. Maria Fernanda Giacomin, que introduzisse o assunto, apresentando, do ponto de vista médico, quais os prós e contras das duas opções.

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Nas palavras da Dra. Maria Fernanda, escolher entre babá ou escola não é uma regra. Às vezes é preciso experimentar, saber se a criança vai se adaptar e qual opção vai ser melhor para o crescimento e desenvolvimento dela.

Escolinha

Uma das vantagens da escolinha é a estimulação da criança através de atividades programadas, principalmente na fase de 2 a 3 anos de idade. As atividades são direcionadas e adequadas à cada faixa etária, o que é ótimo para a criança.

Outra vantagem é a sociabilização, mesmo considerando que, antes de 1 ano e meio, as crianças normalmente fazem atividades sozinhas ou uma ao lado da outra e não entre elas. As escolas trazem a possiblidade de interação, a experiência de um corpo pedagógico preparado para o ensino infantil e o compromisso de uma instituição legalmente responsável pelo seu filho, proporcionando segurança e confiabilidade.

A criança precisa do convívio com outras crianças para crescer, aprender limites, respeitar as diferenças e ver outros comportamentos. É função da escola, tornar o ato de conhecer criativo e prazeroso, desenvolvendo, dessa forma, a autonomia e o senso de responsabilidade dos pequenos. Isso tudo acontece através da interação e o convívio com outros.

Por outro lado, a maior desvantagem das escolas é o aumento da frequência de doenças, principalmente das que ainda não completaram 1 ano de vida. O sistema imunológico infantil está em formação até os 3 anos de idade e a escolinha pode tornar mais frequente os períodos de doença.

Outra desvantagem é o tempo de deslocamento, principalmente em cidades grandes em que o trânsito pode deixar a criança cansada e muitas vezes ter que acordar muito cedo. Para evitar atrasos e perda de tempo em congestionamento, o ideal é escolher uma escola perto de casa ou do trabalho dos pais.

Babá

Se este for o modelo escolhido, é fundamental certificar-se de que é uma pessoa com boas referências, preparada para cuidar de crianças e com jeito e paciência para a tarefa. É preciso observar sua formação para que ela esteja preparada a auxiliar no desenvolvimento da criança, principalmente para tentar suprir os estímulos que a escolinha oferece. É importante estabelecer uma boa relação e estar presente sempre.

Uma das vantagens da babá é ter uma pessoa exclusiva para o bebê, para atendê-lo prontamente, sempre que necessário.

A opção também evita deslocamentos, tempo perdido no trânsito, sendo necessário, no entanto, estabelecer horários certos com a família, que sejam vantajosos para mãe e pai poderem trabalhar.

 Além de a criança estar em um ambiente conhecido e familiar, é mais fácil controlar o contágio de doenças, com a manutenção da limpeza e limitando o contato com outras pessoas.

Uma das desvantagens é a transferência na relação com a babá. Não são raros os casos de babás que querem agir como mães e mães que temem perder o amor dos filhos para a babá. Por isso, é necessário conversar com a criança explicando que a mamãe precisa trabalhar, mas vai voltar para dar carinho e cuidar.

 Quando a babá é a única pessoa que pode ficar com o bebê na ausência da mãe, é indispensável que ela seja uma profissional dedicada e responsável. Mesmo assim, imprevistos podem acontecer e, se a babá faltar, a mãe inevitavelmente faltará no trabalho também. Babá mal escolhida ou mal treinada pode levar a sucessivas trocas, o que gera um grande desconforto para o pequeno.

Seja na escola ou com a babá, o mais importante é respeitar a idade biológica e intelectual da criança e seus relacionamentos com os amiguinhos. Por isso, não adianta ter uma babá se a criança fica diante de computador ou não desce para brincar com outras da mesma faixa etária ou na escola onde fica fechada em uma sala de aula com objetos fora de sua realidade.