Por Fabiana Bellentani

Já contei aqui no blog como ensinei a Carolina a dormir a noite toda e isso era algo que me enchia de satisfação e orgulho em função de todo aprendizado que passamos. E aí a Carol fez 1 ano e 1 mês e achamos que poderíamos tentar a transição do berço para a cama. Quem me acompanha pelo Instagram (@fabi_4mammies) viu há pouco mais de dois meses todo o processo que conto hoje para vocês.

20160329_Nossa_primeira_tentativa_de_passar_a_Carol_do_berço_para_a_cama

No quartinho dela já existe uma cama de solteiro e, dias antes, começamos todo um preparo psicológico de “apresentação” desse “novo lugar de dormir”. Todo dia tínhamos uma conversa mais ou menos assim: “Olha que cama legal, filha! É parecida com a da mamãe e do papai. A mamãe também dormia num bercinho igual a você quando era pequenininha, mas cresceu passou a dormir em uma caminha igual a essa. Você quer dormir na caminha? Quando quiser, avisa a mamãe, tá?”

Até que um dia ela quis. Nessa noite, então, preparamos o espaço com todos os seus bichinhos, seu travesseiro, paninhos e chupetas, além de duas grades laterais de proteção. Foi numa segunda-feira e ela dormiu super tranquila, a noite toda.

Passaram-se mais duas noites e no terceiro dia, tiramos o berço do quarto. Estávamos convencidos de que não havia mais necessidade de deixa-lo, pois tudo ia muito bem. Na verdade, a Carolina tinha na cama exatamente o mesmo comportamento que tinha no berço. A colocávamos para dormir, ela ficava deitada, sem descer, até pegar no sono. Não acordava de madrugada, e, de manhã, esperava por nós.

Um mês depois da transição, no entanto, o comportamento da Carolina mudou. Ela passou a querer ficar em nossa cama brincando até o último minuto. Quando a levávamos para o quarto, não queria ficar mais sozinha, queria companhia até conseguir dormir e passou a acordar duas vezes por noite. Voltei a ter a mesma rotina de horários do período de amamentação…

Nas primeiras noites em que acordou, a Carolina não desceu da cama. Apenas chorou e chamou por mim. Depois de alguns dias, ela descobriu que era possível caminhar pelo quarto. Passou, então, a abrir a porta e sair pelo corredor, chorando e pedindo para dormir conosco, algo que ela nunca fez!

Em todas as ocasiões, eu a pegava pela mão ou no colo, colocava novamente no berço e explicava que estava tudo bem, que tinha luzinha acesa e que todos os seus “amiguinhos” (seus bichinhos de pelúcia) estavam dormindo na cama junto com ela. Depois de um tempo ela voltava a dormir, mas já não era mais possível deixa-la sozinha. Eu tinha que lhe fazer companhia até entrar em sono profundo novamente.

Ficamos nessa rotina por um mês. Nosso limite – meu, do meu marido e da Carolina – se deu na madrugada de uma terça-feira em que ela relutou em dormir por quase uma hora, simplesmente porque não queria ficar sozinha. E de madrugada, quando acordou, ficamos num vai e volta da cama por mais uma hora até que ela pulou no meu colo e não quis mais descer. Precisei dormir em seu quarto em um colchão no chão até a manhã seguinte.

Nesse dia decidimos trazer o berço de volta. Algo não estava certo. Ninguém estava confortável. A Carolina parecia ter desenvolvido um medo e uma insegurança que não tinha antes e nós também não estávamos tranquilos com seu novo comportamento.

No final do dia montamos o berço todos juntos. A Carol participou do processo e ficou super feliz quando viu sua “caminha” de volta. Todo seu quarto voltou à antiga organização. Quando subiu no berço novamente, pulava de alegria, ficou realmente contente!

Na primeira noite no “novo-antigo” esquema, ela acordou uma única vez. Fui ao seu quarto e ela quis que eu ficasse lá até pegar no sono novamente. Eu disse que não precisava, que ela sabia dormir sozinha, pois já dormia sozinha antes. Trocamos mais duas palavras e ela surpreendentemente me disse “Tchau, mamãe!”, como fazia antigamente sempre que a deixávamos no berço. Eu saí, fui para meu quarto e ela pegou no sono.

Depois dessa noite, a Carolina voltou a dormir a noite toda e parece que até por mais tempo. Isso já faz uma semana. Estamos novamente tranquilos como pais e a Carolina segura no seu espaço.

Por Fabiana Bellentani

20160301_Como_ensinei_a_Carolina_a_dormir_a_noite_toda

Depois que temos bebê, ter uma noite inteira de sono passa a ser o sonho de toda mãe, né? Nos primeiros meses da Carol, ela mamava mais ou menos a cada três horas e minhas acordadas noturnas seguiam o mesmo ritmo, claro!

Por volta do quarto, quinto mês, ela passou a dar uma esticada de cinco, seis horas, e com seis meses, passou a dormir oito. E eu, que sempre valorizei meu sono, estava em êxtase, achando que tinha atingido aquele momento mágico que lemos nos livros, em que os bebês passam a descansar a noite toda.

Comecei a espalhar a notícia, feliz da vida, achando que já tinha conquistado minhas noites de volta, mas com quase sete meses, talvez por causa de uma roséola que a deixou com um febrão por uns três dias seguidos, ela voltou a acordar duas vezes por noite e essa rotina perdurou até um ano e dois meses.

Íamos dormir sempre preparados: com duas mamadeiras de 120ml cheias de água e duas medidas da complemento prontas para serem misturadas, agitadas e entregues. E era óbvio que essas mamadas noturnas não eram de fome, pois ela sequer chegava nos 90ml. Estava claro que havia se acostumado a acordar em determinados horários, a pegar a mamadeira, sugar um pouquinho, para, então, virar e dormir de novo.

E assim eu ia levando: passava o dia cansada e com sono e já me deitada pronta para acordar novamente em menos de seis horas.

Nessa época, eu lia muito sobre o sono dos bebês, técnicas diversas para fazer a criança dormir, mas nunca encontrei uma que me deixasse tranquila como mãe. Sempre soube que o segredo era “ensinar a criança”, mas nunca tive coragem, por exemplo, de deixar a Carolina chorando sozinha. Meu entendimento pode estar completamente equivocado, mas, para mim, se a criança chora pedindo os pais é porque tem alguma necessidade, nem que seja apenas de companhia, de sentir a mãe ou o pai por perto. E se, nessa idade, somos sua segurança, seu porto-seguro, deixar a Carolina chorando, para mim, seria como “puxar seu tapete”, trair a confiança que ela deposita em nós.

Por outro lado, também não me sentia bem em sempre tirá-la do berço para acalmá-la quando acordava pedindo a mamadeira. Tinha que dar o apoio, mas achava que tirá-la do berço seria criar mais um hábito desnecessário. Não me sentia confortável nem com um extremo, nem com o outro. Não tinha a convicção de que aquilo que lia era o melhor a ser feito.

Até que numa determinada noite a Carol acordou no seu horário de sempre e naquele dia, naquele momento, eu soube o que fazer. Na verdade, acho que na hora certa, toda mãe sabe o que tem que ser feito e, quando esse momento chega, seja qual for a decisão, a colocamos em prática com determinação e paz no coração, sabendo que estamos fazendo o melhor para nossos filhos.

Naquela noite, fui ao quarto da Carolina com a mamadeira apenas cheia de água. Me aproximei e expliquei que era de madrugada, que não era hora de mamar, mas sim de dormir. A deitei no berço, mas ela se levantou e passou a chorar mais forte. Repeti as mesmas palavras, a deitei novamente e ela voltou a levantar. O choro de reclamação passou a estridente e incessante. Ficamos nesse procedimento de “deita e levanta” por aproximadamente uma hora e entre uma “explicação” e outra, oferecia um pouco de água, mas não o leite. Não é fácil suportar choro incontrolável, principalmente de noite, quando estão todos dormindo. Mas estava determinada e, ao mesmo tempo, tranquila com o que estava fazendo. Ela não estava sozinha, sem entender o que acontecia. Ao contrário, eu fiquei ao seu lado, explicando o que estava fazendo a todo momento. Até que ela dormiu. Provavelmente por cansaço, mas dormiu e eu voltei para a minha cama.

Passaram-se três horas e ela acordou novamente. Fui até seu quarto e repeti o mesmo procedimento. Ela chorou por quinze minutos e pegou no sono.

Fiz a mesma coisa por mais duas noites. Na segunda, ela já não chorava mais e na terceira, não levantava mais do berço. Apenas queria que eu ficasse ao seu lado, de mãos dadas, até que pegasse no sono.

Depois de mais três noites, passei a não dar mais a mão. Ficava no seu quarto, sentada na poltrona e dizia: “Pode dormir que a mamãe está aqui.” Mais duas noites e não fui mais ao seu quarto. Comecei a acompanhar seus movimentos pela babá eletrônica. Ela acordava, sentava no berço, pegava a chupeta e voltava a dormir. Mais alguns dias e ela passou a dormir direto. E quando digo direto, não é por apenas oito horas para mamar e voltar a dormir, mas de dez a doze horas seguidas, sem qualquer interrupção.

Depois de mais um mês, mudei também a rotina da “hora de ir para a cama”. Passei a deixá-la no berço acordada para pegar no sono sozinha, ao invés de esperar que adormecesse para depois eu sair do quarto. Achei que fosse chorar e que teria que seguir um passo-a-passo, assim como fiz com a madrugada, mas não. Ela surpreendentemente parecia já entender o que devia fazer. Passou até a dar tchau como se dissesse: “Pode ir, mamãe, que eu já sei dormir.”.

Hoje, quando relembro esse histórico, me sinto bem por ter tido a paciência necessária, por ter sido perseverante o suficiente, por ter ensinado com amor e por ter tido sucesso nesse processo! Fico feliz e realizada!