Por Dra. Thais Cabral

Os dentinhos da Carolina começaram a nascer quando ela tinha 5 meses. Nasceram primeiro os dois de baixo do meio (os de número 1 do desenho abaixo) e logo depois os incisivos laterais superiores (os de número 3 do desenho). Ficou parecendo uma vampirinha! rs!

Como muitas mamães têm dúvidas quanto à ordem de nascimento dos dentinhos e como aliviar os desconfortos dessa fase, pedi à  Dra. Thaís Cabral, nossa colunista, que escrevesse um pouquinho sobre o assunto.

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Os dentes do bebê começam a se desenvolver ainda dentro da barriga da mãe. Nesta fase, são formados os botões dentários que futuramente darão origem aos dentes.

O período de erupção dos dentinhos de leite ocorre normalmente entre os 6 e 15 meses de vida, período em que os pequenos ficam irritadiços. Os sintomas associados ao nascimento da primeira dentição são variados, já que cada criança apresenta um comportamento diferente, que, em sua grande maioria, são:

  • alterações gastrointestinais: são muito comuns durante a fase, mas podem apresentar outras causas já que levam a mão e objetos contaminados à boca com frequência por conta do desconforto gengival.
  • febre: pode ser verificada, porém até o momento não existem estudos consistentes relacionados.
  • perda do apetite: a medida que a criança mama, a sucção comprime a gengiva deixando-a inflamada e inchada, o que ocasiona dor
  • perda do sono
  • excesso de baba
  • coceira gengival
  • gengiva inchada e/ou sensível

Como aliviar o desconforto do bebê?

Oferecer mordedores é a melhor opção para o alivio da “coceira” gengival, podendo ser colocado na geladeira com antecedência para que o frio tenha uma ação anestésica sobre a gengiva irritada. Caso o bebê não aceite mordedores, uma fralda de pano molhada com o suco que ele gosta e gelado pode ser uma saída.

Além de saber dos sinais e sintomas e como amenizá-los, é muito importante que os pais conheçam também a cronologia de erupção dos dentes para poderem avaliar o desenvolvimento da dentição. Verifique na imagem abaixo a ordem do nascimento dos dentinhos:

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Agora, sabendo a ordem que eles vão aparecer, vamos saber em qual fase devemos esperá-los (os períodos são uma média e podem variar em 2 meses) segundo informações fornecidas pela American Academy of Pediatric Dentistry (Academia Americana de Odontologia Pediátrica) :

  • Incisivos Centrais Inferiores (1): 6 a 10 meses
  • Incisivos Centrais Superiores (2): 8 a 12 meses
  • Incisivos Laterais Inferiores (3): 10 a 16 meses
  • Incisivos Laterais Superiores (4): 9 a 13 meses
  • Primeiros Molares Superiores (5): 13 a 19 meses
  • Primeiros Molares Inferiores (6): 14 a 18 meses
  • Caninos Superiores (7): 16 a 22 meses
  • Caninos Inferiores (8): 17 a 23 meses
  • Segundo Molar Inferior (9): 23 a 31 meses
  • Segundo Molar Superior (10): 25 a 33 meses
Por Dra. Thais Cabral

De todos os benefícios que já conhecemos sobre a amamentação, existe um que costuma ser esquecido: o desenvolvimento facial. A amamentação é o primeiro exercício da musculatura facial (lábios, bochechas e língua) do recém-nascido e esse trabalho muscular estimula o crescimento ósseo.

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O ato de mamar no peito prove um ótimo exercício da musculatura da face e da boca, estimulando as funções de respiração e deglutição (engolir). Quando o bebê suga corretamente o seio materno, ocorre um vedamento da passagem de ar pela boca, o que o obriga a realizar a sucção e a deglutição sempre respirando pelo nariz. Usar a língua para deglutir estimula o crescimento transversal (largura) do maxilar superior e a amadurecimento da musculatura lingual (evitando problemas na fala e deglutição), prevenindo alguns problemas de maloclusão (alteração no encaixe dos dentes).

Qual a relação entre a falta de amamentação e a sucção digital ou de chupeta?

Um fator importante é que bebês que não mamam no peito, ou o fazem por um período muito curto são mais propensos a chupar dedo (sucção digital) e chupeta. O hábito de sucção de chupeta pode provocar desvio na direção do crescimento maxilar, favorecendo o desenvolvimento de alterações no encaixe dos dentes, como, por exemplo, a mordida aberta. Por isso as chupetas não devem ser utilizadas por um longo período e de forma indiscriminada.

Por outro lado, podemos conseguir efeitos positivos quando usada de forma racional. A chupeta deve ser do tamanho adequado e compatível com a boca do bebê e ser ortodôntica para um melhor posicionamento da língua.

Por exemplo: quando o bebê está amamentado e chora por falta de sucção, a chupeta poderá ser usada como estímulo de exercício muscular. Logo a criança se cansa, larga a chupeta e dorme. A mãe deve acompanhar esse movimento de sucção segurando a chupeta como se quisesse retirá-la da boca do bebê. Durante o sono a boca deve estar completamente fechada, com os lábios selados tornando a respiração exclusivamente nasal. Mas esse tema abordaremos com mais profundidade em um outro momento porque é muito extenso e importante.

E quando não for possível amamentar?

Evidentemente existem situações que impedem a mãe de amamentar, e é claro, que nestes casos o uso da mamadeira se torna indispensável. Vale salientar que a sucção do bico da mamadeira não deve ser diferente da sucção feita no peito. Ela não deve ser fácil, deve reproduzir ao máximo as condições da amamentação natural (funções de sucção, respiração e musculares).

Para que isso ocorra adequadamente a posição da mamadeira é muito importante, ela nunca deve ficar solta ou apoiada na boca ou no peito do bebê. Ela deve formar um ângulo de aproximadamente 45 graus com o corpo. O queixo deve estar afastado do peito para que não dificulte a respiração e o movimento de sucção seja realizado sem impedimento. Com relação ao bico, ele deve ser curto e arredondado e com um orifício pequeno de modo que, se a mamadeira estiver cheia e for virada com o bico para baixo, permita a passagem de somente 20 a 30 gotas por minuto.

Para mamães com dificuldade de amamentar ou se ela for feita por um período muito curto, recomenda-se a verificação de um cirurgião dentista para avaliar a necessidade de ortopedia facial com a criança ainda em crescimento.

Até quando posso amamentar?

Essa é uma dúvida constante nos consultórios, pois muitas mães sabem o tempo mínimo, porém não sabem o máximo. Recomenda-se amamentar única e exclusivamente com leite materno até os 6 meses e a continuar com a amamentação até os 2 anos, mesmo após a introdução alimentar. Os benefícios continuam pelo tempo que a mãe e o bebê quiserem permanecer no processo de aleitamento. Só faz bem!