Por Dra. Geovana Hirata

Quem me segue no Instagram (@fabi_4mammies) viu que a Carolina começou com aulas de natação este ano, dias antes de completar 2 anos. Ela está em uma turminha com crianças de várias idades, incluindo um bebê de 11 meses.

As aulas são duas vezes por semana e duram 30 minutinhos. Nessa fase, ela não aprende efetivamente a nadar, mas apenas a se acostumar com o ambiente de piscina.

Ao som de músicas cantadas pela professora, ela faz bolhas, molha a cabeça e o rosto, bate perninhas, se equilibra e se movimenta com o apoio do papai. Aliás, é ele quem entra na piscina e a acompanha em todos os exercícios. Esse tipo de atividade é ótimo para reforçar os laços afetivos entre pais e filhos.

Depois que as aulas começaram, tivemos oportunidade de frequentar a piscina do clube apenas uma vez. E mesmo com pouco tempo de aula, a Carol se sentiu confiante de andar sozinha, com água na altura de seu pescoço e a arriscar um ou outro mergulho.

Atualmente nosso trabalho tem sido em acostumá-la a ter os olhos e orelhas molhadas. Quando era pequena, não ligava, mas depois que cresceu, passou a não gostar da água escorrendo pelo rosto… rs!

Hoje ela espera ansiosa pelo dia da natação e o legal é que almoça super bem!

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Para explicar um pouco melhor sobre os benefícios da natação, a pediatra Geovana Hirata nos dá mais detalhes:

Benefícios da natação infantil

Crianças devem, desde cedo, ser incentivadas a exercer alguma atividade física, na medida em que a prática traz diversas melhorias para o corpo, podendo também ser uma boa maneira de trabalhar aspectos psicológicos.

A natação, por ser um esporte completo, é uma excelente dica para o público infantil. A criança pode experimentar movimentos novos, como rolar, movimentar perninhas e bracinhos, sem traumas de queda. É a única atividade que pode ser praticada sem contra-indicações, em todas as idades.

A natação infantil contribui de diversas maneiras para o desenvolvimento físico e cognitivo da criança, trabalhando ainda seus aspectos emocionais e sociais. Além de melhorar o desenvolvimento psicomotor, como agilidade e velocidade, a coordenação, o equilíbrio e a força, ela fortalece a musculatura, melhora a capacidade cardiorrespiratória, ativa e dá mais mobilidade às articulações, desenvolve noções espaciais, temporais e de ritmo, estimula sono mais tranquilo, reforça apetite e desenvolve a sociabilidade, autoconfiança e disciplina.

É indicada para quem sofre com doenças respiratórias, como asma e bronquite, pois a umidade da água lubrifica as vias respiratórias, fazendo com que a criança respire melhor. Além disso, ajuda na recuperação e prevenção de problemas ortopédicos.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que o esporte seja inserido na rotina da criança a partir dos seis meses de vida, pois, nesta idade, o conduto auditivo (parte do ouvido), que até então era reto, forma uma curvatura, que dificulta a entrada da água, reduzindo as chances de infecção.

Além disso, o bebê também já estará imunizado contra algumas doenças.

É por meio da ludicidade que as crianças estimulam a espontaneidade, o prazer e a afetividade, construindo um relacionamento de segurança, conforto e confiança entre pai e filho, aluno e professor.

Divisão em fases

Para melhor aproveitamento e desenvolvimento da criança, a natação é dividida em fases.

Na primeira, de 6 meses a 2 anos, a criança aprende a se mexer na água e a brincar de forma lúdica. Isso ajuda no processo de adaptação ao meio líquido, que deve ser orientada para que a criança experimente e vivencie habilidades de estabilidade postural, proporcionando um domínio de movimentos corporais que levam a ótimas condições para uma boa respiração dentro da água.

Nessa fase é necessária a presença de um acompanhante nas aulas, alguém que a criança confie. Essa relação de confiança é fundamental para desenvolvimento afetivo do bebê. Além disso, a criança aprende com mais segurança, sem medo do desconhecido.

Já a segunda fase, de 3 a 4 anos de idade, é conhecida como a etapa da propulsão. É neste momento que ela aprende a se deslocar de um ponto a outro.

A fase seguinte envolve crianças na idade entre 5 e 6 anos. É neste momento que eles começam a trabalhar os estilos de nado, movimentação de braço e respiração lateral. Essas crianças têm um rendimento mais satisfatório em seu processo de alfabetização.

Por fim, vem a fase de 7 a 12 anos, quando é feito o aperfeiçoamento dos estilos, como crawl e costa.

A natação infantil tem papel fundamental na saúde das crianças, pois obesidade, sedentarismo e estresse são alguns dos problemas que podem acometer os pequenos que praticam pouca ou nenhuma atividade física.

Os pais não devem matricular seus bebês nas aulas de natação com objetivo de formarem campeões, mas sim pela formação de um hábito que lhes renderão boa saúde para sempre. A medalha de campeão em saúde ninguém tirará do seu filho.

Essa foto foi tirada no primeiro dia de aula da Carol e foi publicada no meu Instagram:

Essas já são mais recentes: ela está até com touca e óculos de mergulho! rs!

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Por Dra. Maria Fernanda Giacomin

Atualmente nos deparamos com doenças transmitidas por mosquitos, como Dengue, Chicungunya e Zika, que tem o aedes aegypt como vetor. Precisamos, portanto, proteger as crianças contra as picadas e também nos preocupar com a proliferação dos criadouros, que contribuem para a manutenção do ciclo vital do mosquito. Seguem algumas orientações quanto às medidas de proteção e uso de repelentes em crianças.

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Medidas de Proteção

  1. Como o Brasil é muito quente e impraticável usar calças e blusas de manga comprida, prefira colocar nas crianças roupas claras. O uso de perfumes pode atrair alguns insetos e deve ser evitado. Existem no mercado algumas roupas tratadas com substâncias repelentes, boa opção para passeios.
  2. Nos períodos do nascer e do pôr do sol, as janelas e portas devem ficar fechadas e com protetores de telas e mosquiteiros vedados o que reduz a entrada de mosquitos, principalmente o aedes que atacam com maior frequência de manhã e final da tarde. Manter ambientes refrigerados com ar condicionado é uma forma altamente eficaz de manter mosquitos afastados do recinto.
  3. O uso de mosquiteiros e telas com permetrina é altamente recomendado para crianças, sendo seguro também para gestantes. As telas com permetrina podem ser usadas em ambientes externos para proteção de carrinhos de bebê, berços, redes, bebê-conforto, com produtos comerciais já desenvolvidos e adequados em tamanho para cada um desses objetos, eficaz para crianças menores de 6 meses.
  4. Os repelentes de tomada são úteis e diminuem a entrada dos mosquitos quando colocados próximos das janelas e portas, porém tem seu tempo limitado. Podem ser ligados quando a criança não estiver no quarto, longe do berço ou da cama, porque podem ser prejudiciais à saúde. Deve-se tomar cuidado com ingestão acidental.
  5. A melhor forma de se evitar a dengue é combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença. Para isso, é importante não acumular água em latas, embalagens, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, vasinhos de plantas, jarros de flores, garrafas, caixas d´água, tambores, latões, sacos plásticos e lixeiras.

Uso de repelentes nas crianças

Os repelentes tópicos podem ser usados para passeios em locais com maior número de insetos como praias, fazendas e chácaras. Atuam formando uma camada de vapor com odor que afasta os insetos. Sua eficácia pode ser alterada por alguns fatores como concentração da substância ativa, por substâncias exaladas pela própria pele, fragrâncias florais, umidade, gênero (menor eficácia em mulheres), de modo que um repelente não protege de maneira igual a todas as pessoas.

Há várias formas de apresentação dos produtos: aerossol, gel, loção e spray. Na Tabela abaixo estão expostos os principais produtos disponíveis no Brasil, com a descrição dos princípios ativos e com tempo de ação estimado.

O uso de óleos naturais como soja, andiroba e citronela tem alguma eficácia, porém evaporam rápido e protegem por pouco tempo. Abaixo seguem algumas informações sobre os princípios ativos e evidências quanto ao tempo de eficácia.

  • DEET é o repelente mais eficaz atualmente disponível. Quanto maior a concentração da substância, mais longa é a duração da proteção sem toxicidade relevante. Para uso habitual, altas concentrações não são necessárias. Deve-se, entretanto, considerar situações de altas temperaturas, umidade, chuva, área com grande chance de transmissão de doença e dificuldade de reaplicação seriada. Formulações de liberação prolongada permitem boa proteção com menor quantidade de repelente. Para exposições demoradas, recomenda-se o uso de produtos com maior concentração e não a reaplicação seriada de produtos com menor quantidade de princípio ativo.
  • IR 3535: em concentração de 20%, é eficaz contra o aedes por um período de quatro a seis horas. Pode ser usado por gestantes, pois possui bom perfil de segurança.
  • Icaridina: é um novo e promissor repelente derivado da pimenta, indicado pela OMS para viajantes, juntamente com o DEET. Em concentração de 10%, confere proteção por um período de três a cinco horas e, a 20%, de oito a dez horas. Sua ação é comparável a concentrações de 15-50% de DEET, mas permite reaplicações em intervalos maiores de tempo. Após dez horas de exposição, é mais eficaz que o DEET e o IR 3535.

Como se proteger do mosquito

Recomendações do uso em crianças

  • Evite o uso próximo a mucosas (boca, nariz, olhos, genitais) ou em pele irritada ou ferida. Para uso na face, primeiro aplique o produto nas mãos e então espalhe no rosto com cuidado. NUNCA aplicar na mão da criança para que ela mesma espalhe no corpo. Elas podem esfregar os olhos ou mesmo colocar a mão na boca.
  • Não use sob vestimentas
  • Evite usar em conjunto com protetores solares, espere 30 min para aplicar o repelente após o protetor
  • Não permitir que a criança durma com o repelente aplicado. Apesar de seguro se usado corretamente o repelente é uma substância química e pode causar reações alérgicas ou intoxicações na criança quando utilizado em excesso.
  • A apresentação em loção cremosa é mais segura do que a apresentação em spray e deve ser preferida nas crianças.

Referência:

  • Sociedade Brasileira de Pediatria · Repelentes de insetos: recomendações para uso em crianças / Rev Paul Pediatr 2009; 27(1): 81-9.
Por Dra. Maria Fernanda Giacomin

Vivemos certamente em um momento de muita angústia e incerteza. Estamos todos nós diante de dúvidas frente a uma emergência de saúde pública de importância internacional chamado Zika vírus. Alguns questionamentos a respeito do comportamento do vírus e sua repercussão ainda estão sendo apurados. Seguem abaixo algumas informações gerais sobre o vírus, formas de prevenção e sua relação com a microcefalia.

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O que é Zika Vírus?

O Zika é um vírus transmitido pelo Aedes aegypti e identificado pela primeira vez no Brasil em abril de 2015. O vírus Zika recebeu a mesma denominação do local de origem de sua identificação em 1947, após detecção em macacos para monitoramento da febre amarela, na floresta Zika, em Uganda.

Quais os sintomas?

Cerca de 80% das pessoas infectadas pelo vírus Zika não desenvolvem sintomas. Os principais são dor de cabeça, febre baixa, dores leves nas articulações, manchas vermelhas na pele, coceira e vermelhidão nos olhos. Os sintomas menos frequentes são inchaço no corpo, dor de garganta, tosse e vômitos. No geral, a evolução da doença é benigna e os sintomas desaparecem espontaneamente após 3 a 7 dias. No entanto, a dor nas articulações pode persistir por aproximadamente um mês. Formas graves e atípicas são raras, mas quando ocorrem podem, excepcionalmente, evoluir para óbito, como identificado no mês de novembro de 2015, pela primeira vez na história.

Como é transmitido?

O principal modo de transmissão descrito do vírus é pela picada do Aedes aegypti. O mosquito pica uma pessoa infectada e quando pica outra pessoa transmite o vírus. Outras possíveis formas de transmissão do vírus Zika precisam ser avaliadas com mais profundidade, com base em estudos científicos. Não há evidências de transmissão do vírus Zika por meio do leite materno, urina, saliva e sêmen.

Qual o tratamento?

Não existe tratamento específico para a infecção pelo vírus Zika. Também não há vacina contra o vírus. O tratamento recomendado para os casos sintomáticos é baseado em analgésicos (dipirona e paracetamol) para o controle dos sintomas de febre e dor

Quem foi infectado pelo vírus uma vez pode ter de novo?

Outros vírus parecidos com o Zika geram imunidade para a vida inteira. Quem já teve dengue pelo vírus 1, por exemplo, não voltará a ter pelo mesmo vírus. O mesmo acontece com a febre amarela. Porém, ainda não há estudos suficientes para afirmar isso em relação ao vírus Zika.

Como prevenir?

O melhor método de prevenção é o uso de repelente industrial, mas nem ele é 100% eficaz. Repelentes naturais tem ação por tempo curto, por isso são mais limitados. O Combate a criadouros do mosquito contribui para a erradicação do transmissor do vírus A orientação de todos os médicos sempre é de evitar possíveis focos de criação do mosquito.

Algumas outras medidas complementares podem auxiliar na proteção contra a picada do mosquito Aedes, a seguir:

  • Telas de proteção nas janelas e portas e mantê-las vedadas nos horários de maior risco (manhã e final da tarde)
  • Calças e blusas de manga longa, e usar repelentes nas áreas expostas,
  • Mosquiteiros, sobretudo para bebês, porém apenas naquele local especificamente,
  • Repelente de tomada podem ajudar, porém durante um período curto de tempo.

Existe algum teste para detecção do vírus?

Por enquanto, o que está disponível na rede pública e privada é o teste molecular. O método consiste em amplificar o material genético do vírus para que seja possível identificá-lo quimicamente. É capaz de detectar a presença do vírus em um período muito curto de tempo: só até cinco dias depois do aparecimento dos sintomas, ou seja, é possível que o paciente ainda esteja manifestando sintomas da doença e o vírus não seja mais detectado em seu sangue. As instituições buscam desenvolver é um teste sorológico, capaz de detectar os anticorpos contra o vírus. Esse teste seria capaz de detectar a infecção por Zika em uma janela maior de tempo, porém no momento apenas para aplicação em projetos de pesquisa. O teste rápido que faz diagnóstico de Zika em até 6 horas, será em breve disponibilizado nas redes públicas, podendo fazer diagnóstico da infecção atual da doença.

Zika Vírus e Microcefalia

O que é microcefalia?

Microcefalia é uma malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Neste caso, os bebês nascem com perímetro cefálico (PC) menor que o normal, ou seja, igual ou inferior a 32 cm. Essa malformação congênita pode ser efeito de uma série de fatores de diferentes origens, como substâncias químicas e agentes biológicos (infecciosos), como bactérias, vírus e radiação.

A microcefalia pode levar a óbito ou deixar sequelas?

Cerca de 90% das microcefalias estão associadas com retardo mental, exceto nas de origem familiar, que podem ter o desenvolvimento cognitivo normal. O tipo e o nível de gravidade da sequela vão variar caso a caso. Tratamentos realizados desde os primeiros anos melhoram o desenvolvimento e a qualidade de vida.

Há confirmação da relação de microcefalia e infecção pelo Zika vírus no Brasil?

O Ministério da Saúde confirmou a relação entre o vírus Zika e a microcefalia através do resultado de exames realizados em um bebê, nascida no Ceará, com microcefalia e outras malformações congênitas, onde foi identificada presença do vírus Zika. As investigações sobre o tema, entretanto, continuam em andamento para esclarecer questões como a sua atuação no organismo humano, a sua real relação com as alterações cerebrais e período de maior vulnerabilidade para a gestante. Em análise inicial, o risco está associado aos primeiros três meses de gravidez, porém é preciso acompanhamento até o final, pois ainda não se sabe os possíveis riscos.

Apesar da possível relação de causa e efeito pelo aumento vertiginoso nos casos de microcefalia no Brasil, parte da comunidade científica ainda busca dados concretos, como ditos anteriormente, há trabalhos que mostram a presença do vírus em cérebros de bebês com microcefalia, mas é uma doença nova baseada em observações pessoais. A Organização Mundial de Saúde considera essa relação provável. Estão sendo feito estudos no Brasil e no mundo avaliando alterações cerebrais e a presença do vírus.

Algumas informações equivocadas:

  • Segundo o Ministério da Saúde a microcefalia não foi causada pela vacina da rubéola aplicada em gestantes, já que a mesma não é aplicada em milhares grávidas, apenas em crianças de 12 e 15 meses e adolescentes e adultos que não foram vacinados, e os lotes não estavam vencidos.
  • A Fundação Oswaldo Cruz desmentiu a relação causal do vírus Zika e a disfunção neurológica em crianças com menos de 7 anos e idosos, pois alterações neurológicas podem ser vistas após infecção com outros vírus, não exclusivamente ao vírus Zika e em qualquer idade. O vírus Zika entrou para a lista dos vírus que podem ser responsáveis pela Síndrome Paralisante Guillain Barré, doença já conhecida, em que são produzidos anticorpos contra o vírus envolvendo nervos, normalmente das pernas, gerando paralisação das mesmas, normalmente reversível.

Referências: