Por Fabiana Bellentani

Ontem tive a oportunidade de dividir com vocês o que entendo como sendo a primeira etapa do processo de busca pela escolinha/berçário ideal para nossos filhos: a fase prévia à procura, o que esperar, indicações e pesquisas.

Hoje conto tudo que observei enquanto visitava as escolas e berçários que receberia a Carolina nos próximos 3 anos de sua vida. Veja se concordam e, se tiverem alguma dica adicional, deixem nos comentários para ajudar outras mamães e papais!

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Atendimento

Algo que comecei a prestar atenção nos contatos que fazia com as escolas era o atendimento que recebia por telefone: se a pessoa era atenciosa, se tinha paciência para esclarecer dúvidas, até se sabia falar corretamente eu prestava atenção. A primeira impressão não é a que fica? Pois bem: o contato telefônico é o que vai dar a primeira impressão aos pais. Cheguei a descartar umas duas escolas apenas pela forma como fui atendida por telefone. Entendo que esse primeiro passo já mostra um pouco da organização do local e preocupação com a qualidade dos profissionais que nele trabalham.

Espaço físico e segurança

Observe o espaço físico para analisar área e segurança. Tudo deve ser adequado à idade das crianças.

Muitas escolas acabam utilizando o espaço de uma casa antiga como instalação de berçário e grupos de crianças de 1 a 3 anos. Isso não é essencialmente um problema, desde que alguns cuidados sejam tomados, principalmente com tomadas e janelas.

O escolinha em que a Carolina está teve seu prédio construído para ser escola. Isso significa que nenhuma tomada está abaixo de 1,5m de altura do chão, o pé direito é bem alto, as janelas são elevadas e enormes para permitir uma boa ventilação, as escadas possuem grades que impedem que as crianças avancem e as rampas têm corrimão em altura condizente com o tamanho dos pequenos.

Outros pontos a serem observados:

  • Se o portão da escola está sempre fechado e se há algum responsável por controlar entrada e saída
  • Se existem salas que ficam em andar superior e como é o acesso. Uma das escolinhas que visitamos, adaptou uma edícula de uma casa grande como sala para grupos maiores. A escada, no entanto, era bem estreita e íngreme. Não gostamos.
  • Se há piscina
  • Se a escola está bem conservada
  • Se existem câmeras de acesso remoto para os pais. Não é item essencial, mas foi algo que usamos muito na época em que a Carol estava no berçário. Confesso que fuxicávamos por curiosidade, para ver o que ela estava fazendo, e não por dúvida em saber se estava sendo bem tratada. Aliás, se houver essa dúvida, opte por outra instituição, claro!

Limpeza e organização

Veja se a escola é limpa e organizada: as salas, cozinha, banheiros e berçários. Na área dos bebês, veja como os objetos de cada criança ficam armazenados, se exigem etiqueta de identificação, se ficam separados, etc.

Na época do berçário, a Carol tinha seu próprio berço (não eram berços rotativos) identificado com a fotinho dela na cabeceira. O fraldário também possui nichos com o nome de cada um, onde ficam todos os itens de higiene do bebê. Nada era trocado ou emprestado.

Veja se a cozinha é limpa, arejada e de fácil acesso aos pais, caso haja interesse em visitar. Veja se existe cheiro de comida ou outro aroma (como de inseticida, por exemplo) pelo ar.

Em termos de organização, observe se não existem brinquedos ou outros objetos espalhados pelo chão e corredores da escola.

Tamanho das turmas

Não sei se o Ministério da Educação determina um número máximo de crianças por turma, mas sei que determina um número mínimo de cuidador para um determinado número de crianças. Por exemplo, nos berçários deve haver uma berçarista para cada 3 bebês. Esse número diminui quando a criança passa para o primeiro grupo da educação infantil. Deve ser de 1 professora para cada 4 crianças.

Existe atualmente meio que uma “padronização” para se ter até 12 crianças por turma. Neste caso, analise se o tamanho das salas é compatível com essa quantidade.

Comportamento das crianças e das professoras e assistentes

Ao visitar as escolinhas, observe se as crianças parecem felizes e contentes. Veja se brincam com tranquilidade, se o ambiente é amistoso. Veja como as professoras e assistentes lidam com as crianças ao brincarem ou chamarem atenção de alguém, se trabalham com um sorriso no rosto ou de cara fechada.

Amanhã passo uma lista do que deve ser perguntado à coordenação e/ou direção da escola, como método de ensino, comunicação entre pai e escola, etc. ; )

Por Fabiana Bellentani

Há um tempinho atrás, falei sobre o tema “babá ou escolinha”, trazendo, inclusive, depoimento de mães que optaram por cada uma das alternativas e dicas de como escolher e entrevistar uma babá.

Como acho que a escolha da escolinha também envolve uma série de questões, até o final desta semana vou dividir com vocês tudo que pesquisei na época em que saímos em busca da escolinha para a Carolina, bem como o que recebi de dica de outras mães e passei a considerar como importante ao longo do processo de pesquisa.

Entendo que existem 4 “etapas” de considerações a serem feitas na escolha: algumas prévias (nossas expectativas em relação à escola), aquilo que deve ser observado durante a visita da escola, o que deve ser perguntado para a direção escolar e algumas considerações finais. Hoje comento um pouco sobre o que devemos pensar antes de sairmos em busca da escolinha ou berçário ideal.

Nursery teacher playing with the kids.

Tente listar suas expectativas

Antes de dar início à pesquisa, tente montar uma lista com suas expectativas em relação à escola.

Vou ser sincera: tem muita coisa que você só vai saber se quer ou não quer na educação do seu filho depois de ter visitado algumas instituições. Isso porque, sendo mãe de primeira viagem, acabamos conhecendo o funcionamento de berçários e do ensino infantil depois de passarmos por umas duas ou três apresentações de escola. Então, não se intimide se tiver que revisitar alguma instituição antes de tomar sua decisão.

Alguns tópicos para te ajudar a pensar:

1. Você precisa ou prefere um berçário ou escola que ofereça meio período e período integral? Apenas um ou outro? Quer ter a possibilidade de período estendido (6 horas)?

Saiba que alguns berçários oferecem apenas período integral, não dando a possibilidade de meio-período para os pais. Outros oferecem períodos que vão desde 4 até 12 horas.

2. Você quer uma escolinha que tenha bastante espaço para seu filho correr? Se tem um bebê, o espaço físico talvez não seja uma preocupação imediata, afinal, seu filho ainda não anda. Mas se pretende que ela continue sua educação infantil na mesma escolinha – o que é ideal para evitar nova mudança para a criança – talvez seja caso de considerar este critério na escolha.

3. A escola tem que ser perto de casa ou do trabalho? A proximidade é muito importante, principalmente para quem mora em cidades como São Paulo, em que determinadas distâncias podem levar horas para serem percorridas.

Nós criamos uma ordem de procura: priorizamos primeiro as escolas próximas à nossa casa, em seguida passaríamos às escolas próximas ao nosso escritório e, em terceiro plano, ficariam as mais distantes.

A escolinha da Carol fica a 5 minutos de carro de casa e, se for necessário, conseguimos, inclusive, ir a pé.

4. Quer escola bilíngue? Algumas famílias fazem questão.

Liste suas prioridades de acordo com a realidade da sua família.

Pesquisar bastante é fundamental

Visite várias instituições antes de escolher aquela em que matriculará seu filho. Não há número mínimo ou máximo de escolas que devem ser visitadas. Para algumas famílias, a empatia acontece logo de cara, para outras, leva algum tempo.

Para a escolha da escola da Carol, visitamos mais de 5 instituições próximas à nossa casa e acabamos decidindo pela última que conhecemos. E olha que descobrimos a escolinha em que a Carolina está hoje por uma pesquisa no Google de última hora!

Simpatizar, ter aquela primeira boa impressão é muito importante e é algo super subjetivo e pessoal. Por isso, a decisão final só deve ser tomada quando os pais estão seguros e tranquilos em relação à escolha. Essa confiança é fundamental, inclusive, para o sucesso de adaptação da criança.

Peça indicação e converse com outros pais

Antes de sair visitando mil escolas desgovernadamente, peça algumas indicações a amigas, pessoas que moram no mesmo prédio, vizinhos e conhecidos.

Aproveite o horário de entrada e saída da instituição para conhecer os pais das crianças e bebês. Converse, pergunte, tire dúvidas. Veja se gostam da escola, se têm alguma reclamação, o que acham de bom. Questione sobre método de ensino, rotina, alimentação, tudo. Nós fizemos isso com pais de outros alunos da escola da Carolina. No dia em que a vistamos, havia outras mães pegando seus bebês no berçário e questionamentos o que achavam da escola. Só tivemos boas referências!

As informações que vocês obterão dos outros pais poderão confirmar suas impressões iniciais sobre a escola.

Amanhã comento um pouquinho o que observar durante a visita às escolinhas! Espaço físico e segurança são alguns exemplos. ; )

Por Fabiana Bellentani

Não sou psicóloga, nem pediatra. Sou mãe (ia dizer “apenas mãe”, mas ser mãe não é pouca coisa), que, como todas, tem seu instinto materno e gosta de compartilhar suas experiências.

20160815_Como_os_pais_podem_influenciar_na_adaptação

A Carol foi para a escolinha no dia 05 de janeiro de 2015, pouco antes de completar 1 ano. Tínhamos a ideia de mantê-la em casa até os 2, mas por volta dos 9 meses, quando começou a andar com nosso apoio, percebemos que não tínhamos toda energia e disponibilidade de tempo que ela passou a demandar. Conversamos, então, sobre o assunto, tivemos a aprovação pediátrica e passamos a visitar algumas escolas até escolhermos a que ela está hoje.

No primeiro dia da adaptação, eu e meu marido fomos juntos, mas sabíamos que apenas um poderia ficar. Eu estava tranquila e segura de nossa decisão, sabia que ela ficaria bem. Meu marido também estava certo do que estávamos fazendo, mas senti que ele fazia questão de estar lá por ela. Saí e deixei os dois, preparada para voltar dentro de uma hora.

Ao retornar, encontrei o Eric sentado num dos bancos da escola, muito sossegado e aparentemente satisfeito.

E aí, como está indo?, perguntei.

– Eu fui umas duas vezes na porta do berçário, ela olhou na minha cara, deu uma risadinha e continuou a brincar., respondeu me mostrando os vídeos e fotos que havia feito.

Fomos até a porta da sala, vimos que estava tudo muito bem e resolvemos que a deixaríamos com as berçaristas por mais um tempinho. Ficamos por perto, fizemos um monitoramento pelas câmeras da escolinha e deu super certo. No segundo dia, a Carol já passou a ficar o período de seis horas completas, sem ninguém junto. Sua adaptação foi rápida e sem traumas para ela e para nós.

E como nosso comportamento pode ter influenciado e/ou facilitado esse processo?

Bom, na verdade, penso que não se trata apenas de uma postura pontual, do momento da adaptação, mas de toda uma cultura familiar de criação. A Carol sempre foi uma criança acostumada com outras pessoas. Ela sempre foi pega no colo, entretida, alimentada e trocada por avós, tios e amigos, nunca houve uma “redoma de vidro” sobre ela neste sentido.

Sempre a incentivamos a ser independente, proporcionando segurança e autoconfiança para isso.

Sua ida para a escola foi, de certa forma, por uma necessidade, mas, quando tomamos a decisão, a fizemos consciente de que seria o melhor.

No seu primeiro dia no berçário estávamos tranquilos, sem ansiedade, sem angústia, sem medo ou incerteza de estarmos fazendo a coisa certa. A entregamos nos braços das cuidadoras com muita segurança de que ela seria bem atendida e se divertiria e se desenvolveria bastante.

Durante a busca pela escola, escutamos muitas histórias de adaptações difíceis. E alguns desses relatos vinham acompanhados de comentários de que a mãe ficava apreensiva em deixar o filho e que o momento da despedida era super doloroso.

É lógico que nem todo mundo tem a possibilidade de ficar com o filho até 1 ano, a maioria das mães precisa voltar ao trabalho antes e acaba não tendo outra opção senão a escolinha. Mas, na medida em que a decisão é angustiante para os pais, entendo que esse sentimento é passado para a criança. E aí o processo passa a ser angustiante para o bebê também.

Ter uma atitude honestamente positiva sobre todo o processo é essencial para o sucesso da adaptação. E quando digo honestamente é porque não basta aparentar uma tranquilidade que não existe em seu coração.

Já disse várias vezes aqui no blog que não existe certo ou errado na maternidade, mas aquilo que faz seu coração de mãe ficar e estar em paz. Portanto, estejam seguros e certos sobre a decisão. Caso contrário, quem não estarão prontos para a adaptação da escolinha são vocês, pais e mães, e não seu filho! ; )