Por Fabiana Bellentani

O tema “babá x escolinha” não estaria completo se não falássemos sobre como escolher, entrevistar e contratar uma babá, caso essa seja sua decisão.

O post de hoje, portanto, é um apanhado, a reunião do que encontrei de mais importante sobre o assunto, através de pesquisas a vários sites (incluindo o BabyCenter, que eu adoro), revistas e livros. Ah, e claro, tem também minhas observações pessoais, comentários e complementações!

Já aviso que o texto é beeem longo, mas não quis fracionar o conteúdo, porque acho que tem muita coisa importante para se prestar atenção na hora de contratar a pessoa que vai cuidar do seu filho.

Mother and daughter playing with finger toys

Como escolher a babá

A primeira coisa é saber exatamente o que você precisa e quer em uma babá. O ideal é anotar alguns critérios predefinidos antes de dar início à busca da profissional. As seguintes perguntas podem te ajudar a montar essa listinha de prioridades:

  • Precisará dormir no emprego ou a babá será apenas para o período diurno?
  • Tem que ter noções médicas básicas?
  • Tem que ter um curso de formação ou o tempo de experiência será suficiente?
  • Tem experiência anterior com bebês da idade do(s) seu(s)?
  • Sabe dirigir em caso de emergência?
  • Tem facilidade para usar celular ou chamar um táxi (se precisar)?
  • Sabe cozinhar e cuidar da roupa?
  • É capaz de contar histórias, o que significa, sabe ler, escrever e falar bem?
  • Quanto você pretende gastar com a profissional?

Com esses pontos definidos, pesquise e, principalmente, peça indicação! Existem algumas agências que trabalham exclusivamente com a seleção dessas profissionais, porém a contratação através desse meio inclui um pagamento pela intermediação.

Como conduzir a entrevista?

1. Prepare-se para a entrevista, tendo um caderninho e caneta à mão para anotar suas considerações. Como você provavelmente entrevistará várias pessoas, reserve o início de uma folha para cada candidata e coloque o nome de cada uma logo no topo da página, junto com alguma anotação que te ajude a identificar a pessoa depois.

2. Uma das primeiras coisas a observar é a pontualidade. A candidata deverá chegar na hora certa e já ter em mãos documentos pessoais e, pelo menos, duas referências para te passar. Esses documentos são o RG, CPF e carteira de trabalho originais.

3. Para quebrar o gelo, dê início perguntando onde a candidata mora e se demorou para chegar à sua casa, se teve fácil acesso à condução, etc. Eu sempre faço isso quando entrevisto alguém para trabalhar na minha casa! Se a resposta for do tipo: “Nossa, aqui é muito longe!” você já terá indícios de que a pessoa não tem noção (pois não se fala esse tipo de coisa em uma entrevista de emprego) ou a distância poderá ser um grande empecilho para a permanência da funcionária.

4. Antes de dar início às perguntas, verifique as referências apresentadas e faça perguntas relacionadas.

5. Tenha em mente que você deverá perguntar de forma bastante clara tudo que quer saber: qual a reação da pessoa à choro constante, à criança agitada, se sabe cuidar de crianças mais velhas, etc. etc. Se algo não for respondido satisfatoriamente, tente obter a informação de outra forma. Insista perguntando a mesma coisa de outra maneira.

6. Durante a entrevista, pergunte, pelo menos o seguinte:

  • nome completo
  • telefone fixo (celular não é totalmente confiável)
  • endereço residencial e com quem mora
  • quantas conduções usaria para ir e voltar diariamente da sua casa (para você avaliar seu custo com vale-transporte)
  • como é a família dela
  • se tem filhos, qual a idade deles e com quem eles ficam enquanto ela trabalha
  • se tem algum problema de saúde ou toma remédios
  • por que decidiu ser babá
  • há quanto tempo trabalha na área
  • o que mais gosta e o que menos gosta no trabalho
  • se está trabalhando atualmente. Se sim, por que pensa em trocar de emprego; se não, por que deixou o último emprego
  • se já fez algum curso de formação de babás, primeiros socorros
  • qual a pretensão salarial

7. Se achar conveniente, depois de já ter abordado os principais pontos com a candidata, apresente seu(s) filho(s) à pessoa, para ver como o(s) bebê(s) ou a(s) criança(s) reage(m). Mas avalie bem, pois não vale a pena fazer apresentações a uma desconhecida que pode não ser a pessoa que será contratada.

8. Ao final, dê chances à candidata de lhe fazer perguntas, pois isso também pode te dar algumas dicas de como a pessoa é e quais são as prioridades dela no emprego.

9. Observe também se, durante a entrevista, a candidata conversa olhando nos olhos ou se foge ao olhar, comportamento de quem pode estar mentindo ou escondendo alguma coisa.

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Quais os direitos e quanto custa?

  • Contrato de experiência: é possível se ter um período de experiência de até 90dias. Se fizer por 30 , ele pode ser renovado até 90.

Nesse período, avalie a candidata e veja se ela se adequa ao que você espera.

Faça um contrato escrito, deixe bem claro à candidata que ela passará por essa experiência e já explique como será o esquema de folga e férias.

O tempo de experiência tem que ser anotado na carteira de trabalho.

  • Registro em carteira de trabalho (CTPS): é obrigatório, pelo valor salarial real da funcionária.
  • Salário: é o que a babá vai receber. Chama-se salário líquido, o valor bruto com os descontos devidos.
  • Condução: a babá é equiparada à empregada doméstica e, por lei, tem direito ao vale-transporte. A condução deve ser fornecida à parte do salário.

Notem que eu não disse PAGA, mas sim FORNECIDA. Isso porque se o valor for pago em dinheiro, ele passa a incorporar a remuneração. Ou seja, se a pessoa ganha R$ 1.500,00 e você paga mais R$ 300,00 em dinheiro a título de condução, para fins legais, é como se o salário dela fosse de R$ 1.800,00.

O correto a se fazer é comprar vales-transportes suficientes para o mês e dá-los à funcionária, descontando 6% do valor do salário da pessoa. O resto deve ser bancado por quem contrata. Esse desconto de 6% não é obrigatório, então, se preferir, você, como empregadora, pode bancar o valor total.

  • Contribuição ao INSS: quem emprega deve recolher, através do sistema do Simples Doméstico, um valor que varia de 28% a 31% do salario bruto da babá, composto por:
  • 8% para o FGTS;
  • 8% da contribuição patronal para o INSS;
  • 8% a 11% da contribuição da funcionária para o INSS (que pode ser descontada do salário, apesar de muitos empregadores não fazerem o desconto),
  • 0,8% de seguro contra acidentes de trabalho; e
  • 3,2% como fundo para indenização por dispensa sem justa causa.

A contribuição é feita mensalmente pelo sistema eSocial, tendo por base o salário real e bruto da pessoa, e também incide sobre 13º salario e férias.

  • 13º salário: de pagamento obrigatório.
  • Férias: babás têm direito a 30 dias de férias a cada 12 meses trabalhados, recebendo, no mês de gozo, além do salário, a bonificação de 1/3, assim como qualquer outro empregado.

É possível a venda de 10 dos 30 dias das férias, caso em que a babá recebe o correspondente em dinheiro.

  • Hora extra: a jornada máxima de trabalho é de 44 horas semanais. As horas extras precisam ser pagas, ou há a opção de se fazer um banco de horas. O trabalho noturno (entre 22h00 e 5h00) e acompanhamento em viagem também exigem pagamento extra.

Para se calcular a hora extra, divida o salário por 220. O máximo de hora extra permitido por dia é de 2 para quem trabalha 8 horas por dia.

  • Alimentação e moradia: gastos com supermercado, água e luz, principalmente se a babá dormir no emprego, certamente aumentarão.
  • Poupança de contingência: na conta do quanto custa ter uma babá, faça também uma poupança de contingências, para caso você decida mandá-la embora. Lembre-se que no caso de demissão sem justa causa (o mais comum), além do mês de trabalho indenizado, deve-se pagar também a multa do FGTS. Em termos práticos, considere poupar em torno de 60% do salário da pessoa para fins rescisórios, com chances de complementação.

Gastos opcionais

  • Uniforme: se quiser, vai precisar fornecer.
  • Substituta para férias ou folguista: quando a babá sair de férias ou no caso de falta, ou ainda se a babá sair em licença-maternidade (situação em que você não paga o salário, que passa a ser de responsabilidade do INSS), ou você se organiza para passar esses dias com seu filho, ou conta com a ajuda de algum familiar, ou contrata uma substituta ou folguista.

O que mais combinar com a babá?

  • Forma de lidar com a criança: é extremamente importante para o desenvolvimento e segurança da criança que a babá siga o mesmo tipo de conduta que os pais em determinadas situações. Por isso, deixe muito claro como você quer que alguns comportamentos sejam atendidos com seu filho, sem deixar de ouvir o que a babá tem a sugerir, pois muitas vezes a experiência ajuda em cenários inesperados, principalmente para pais de primeira viagem. Mas, de qualquer forma, aja da forma que seu coração mandar.

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  • Privacidade: a babá terá acesso a rotina e informações da família. Portanto, esclareça que sua privacidade é muito importante e que o acontece na sua casa fica na sua casa!
  • Visitas e passeios: esclareça que não será permitido receber visitas sem autorização sua e de seu marido. Além disso, especifique quais passeios a babá poderá fazer com seu(s) filho(s) para não correr o risco da pessoa ir a lugares que você não gostaria que seu(s) bebê(s) frequentasse(m) ou estivesse(m).
  • Relatório: defina com a babá um sistema que funcione para transmitir orientações e receber a rotina do seu(s) filho(s).

Depois da contratação

Fique de olho no comportamento do(s) seu(s) filho(s): se apresenta irritação, choro incomum, sono em excesso ou se fica muito agitado. Esse tipo de comportamento pode revelar que algo não vai bem. Sem querer desencorajar ninguém, mas vale como atenção, mas tive um caso muito próximo de uma babá (treinada e com experiência em cuidar de crianças pequenas) que dava gotinhas de analgésicos para a bebê para que a criança dormisse e desse menos trabalho de cuidar! Absurdo, né? Pois é, mas aconteceu com uma amiga!

Outra coisa: respeite a relação entre a babá e seu(s) filho(s), mas dedique um tempo exclusivo a ele(s), pois mãe é insubstituível! ; )

Por Fabiana Bellentani

Como sabem, essa semana é dedicada ao tema “babá x escolinha”. Na segunda, apresentei as vantagens e desvantagens de cada uma das opções do ponto de vista médica e ontem tivemos as considerações de uma mamãe que optou pela escolinha quando o filho estava com 6 meses.

Hoje, então, é a vez da Renata contar sua experiência, de compartilhar conosco as razões que a fizeram escolher pela babá com seus dois filhos: o Henrique, hoje com 9 anos, e a Rafaella, com 10 meses. Nos dois casos, as crianças só foram para a escola com 2 anos e, até então, ficaram em casa sob os cuidados de uma babá e os olhos atentos da mãe.

Quando perguntei por que havia optado pela babá, vejam o que a Renata respondeu:

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“Sempre fui a favor de amamentação e, para minha alegria, tive muito leite. Não queria abrir mão disso, então tentei moldar minha rotina a partir das mamadas – ter o bebê em casa facilita MUITO o aleitamento materno. Meu trabalho permite uma certa flexibilidade quanto aos horários e local, então aproveitei o máximo disso!

Outro motivo foi doença. Ouvimos várias histórias de bebês que ficam muito doentes quando entram na escolinha. Isso realmente pesou na minha decisão. Nos dois anos que o Henrique ficou em casa não ficou doente nenhuma vez…. depois que entrou para a escolinha, teve alguns resfriados de vez em quando, mas sempre leves.

Também ponderei o fato dele ser indefeso e ter pouca mobilidade… Quis colocá-lo na escola com mais idade para conseguir “se defender” ou mudar de atividade/brinquedo caso quisesse, que não fosse TÃO dependente de um adulto… sabemos que nem sempre a professora estará à disposição deles.

Uma coisa importante é combinar com a babá – antes da contratação – a jornada de trabalho. Como já tínhamos outra funcionária das 8h00 às 17h00, que cuida da casa, achamos mais interessante contratar a babá das 13h00 às 21h00, sendo que uma vez por semana ela dormiria em casa. Uma amiga do trabalho me deu essa dica, que acho que foi a mais valiosa entre todas…. a “noite do casal”. Nesse dia, meu marido e eu saíaamos para um cinema, teatro ou apenas jantar fora na lanchonete da esquina. Isso ajudou muito o nosso relacionamento nesse período tão delicado, tanto que fazemos isso até hoje! Além disso, foi ótimo para eu poder ter um tempinho para conversar com ele sobre outros assuntos além de bebê!

Para ter uma certa interação com outras crianças, ia todos os dias de manhã para o parque com o Henrique. Lá conhecemos outras crianças e criamos um grupo de mães e pais bem legal… até aula de musicalização infantil fizemos!

Uma coisa tenho que admitir: é complicado administrar duas funcionárias dentro de casa! Questões como divisão de tarefas, salário, horários, e até ciúmes, entre outros, sempre aparecem e temos que ter muito jogo de cintura para resolver. Sempre falo que temos que definir e combinar tudo ANTES de contratar a babá, senão o trabalho vai ser muito maior.

Tive agora, depois de 8 anos, um segundo filho, a Rafaella. Decidimos novamente pela opção de babá das 13h00 às 21h00, pois, além das vantagens descritas acima, consigo ter tempo para o Henrique à noite. Pego ele na escola às 19h00, jantamos todos juntos, faço a lição com ele e encaminho o banho. O meu marido ajuda muito, mas por conta do trabalho, chega em casa tarde e algumas vezes dorme fora de São Paulo, então não posso contar com ele sempre.”

Relação de profissionais deste post

Fotografia: Tainan Basile (SP)

Por Fabiana Bellentani

Eu normalmente coloco minha experiência para exemplificar e complementar um assunto, mas, dessa vez, achei que seria interessante ter o depoimento de outra mães sobre o tema “babá x escolinha”.

A Marina é mãe do Fernando, que optou pela escola quando o Nandinho tinha 6 meses. Ela chegou a tentar a babá, mas alguns fatores e sentimentos a fizeram mudar de ideia. Amanhã, outra mamãe que decidiu pela babá compartilhará conosco sua história!

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“Quando o meu filho estava com 4 meses e meio, comecei a pensar se seria melhor deixá-lo em casa, com uma babá, ou em um berçário, quando terminasse a licença maternidade que, no meu caso, foi de 6 meses. Eu sempre achei que o berçário seria a melhor opção, mas depois que ele nasceu e passando o dia inteiro juntos, fiquei angustiada de pensar em deixá-lo, tão pequeno, em um outro lugar, com vários outros bebês, outros adultos e longe de suas coisinhas. Além disso, ouvia muito dizer que ele ia ficar doente toda hora.

Então, ter uma babá passou a ser uma opção. Assim, entrei em contato com amigos e parentes para saber se alguém teria uma indicação, pois isso era super importante para mim. Não me imaginava contratando uma pessoa desconhecida, através de uma agência, pois, embora eu saiba que existem ótimas profissionais em agências muito respeitadas, a indicação para mim era essencial. De qualquer forma, também fui visitar as escolas próximas de casa. Então, em um mês, eu e meu marido visitamos nove escolinhas que dispunham de berçário e entrevistamos oito candidatas.

Dentre as escolinhas, algumas eram péssimas, com pouca iluminação, ventilação, sem estrutura. Teve até uma, de nome bem conhecido, em que o trocador ficava literalmente ao lado da pia da cozinha!

Mas as candidatas também não estavam atendendo às nossas necessidades: algumas não tinham experiência com bebês na idade do meu (5/6 meses), outras não poderiam cumprir o horário que nós precisávamos, outras moravam muito longe, enfim, a licença estava acabando e nós não sabíamos o que fazer.

A última candidata que entrevistamos foi a que mais atendeu às nossas necessidades e então resolvemos fazer um teste. Tinha boas referências, experiência, e eu conversei com as pessoas para quem ela tinha trabalhado.

Ela começou numa segunda-feira, mas não deu certo. Questionava tudo o que a orientávamos e fazia o tempo todo comparações com as outras casas em que trabalhou. No dia seguinte a dispensamos.

Nesse momento, então, percebemos que, para o nosso perfil, a escolinha seria mesmo a melhor opção.

Voltamos a duas escolas que mais tínhamos gostado e acabamos decidindo pela que era mais perto de casa e para qual já tínhamos indicação, pois o filho de uma amiga a frequentava desde os 4 meses.

Hoje ele está com 1 ano e 9 meses e há um ano na escola. Estamos muito satisfeitos com a opção. A escolinha é muito limpa, as professoras são muito carinhosas, todos os dias tem atividades específicas para a idade dele e a alimentação é toda balanceada, muito saudável.

Nos primeiros dias, é claro que ficamos com o coração apertado, mas depois, vendo a felicidade dele ao chegar na escola e o processo de evolução e socialização, não temos dúvida de que, para o nosso caso, foi a escolha certa.

Lembro que me diziam que ele ia ficar toda hora doente, por conta do contato com outras crianças. Nesse um ano, ele ficou doente duas vezes: um mês depois de ter entrado e depois quando estava com 1 ano de idade. Mas nada grave.

Em resumo, a escolinha foi perfeita para as nossas necessidades sendo que, dentre vários benefícios, podemos citar os mais importantes: há várias professoras na mesma sala, então se uma delas faltar as outras suprirão a ausência; as professoras ou já são pedagogas ou estão estudando pedagogia, o que nos dá segurança quanto às atividades desenvolvidas; todos os dias há atividades diversificadas; o processo de socialização é incrível; o cardápio alimentar é elaborado por uma nutricionista e as refeições são feitas por cozinheiras experientes.

Naturalmente, cada família tem a sua realidade, algumas pessoas podem, inclusive, contar com familiares, ou seja, não há certo e errado, mas no nosso caso foi a opção mais apropriada.”