Por Dra. Maria Fernanda Giacomin

Babá ou escolinha, qual a melhor opção? Já adianto que está é uma decisão muito pessoal, sem certos e errados. O que funciona para uma família pode não dar certo para outra e, às vezes, a diferença de conduta pode variar até entre o primeiro e segundo filhos.

Pessoalmente, acredito que muita coisa deve ser considerada, mas principalmente a realidade da família no momento da escolha e aquilo que seu coração de mãe e pai se sentem tranquilos e confortáveis em fazer.

Essa semana será dedicada ao tema “babá x escola” e, por isso, pedi à nossa colunista pediátrica, a Dra. Maria Fernanda Giacomin, que introduzisse o assunto, apresentando, do ponto de vista médico, quais os prós e contras das duas opções.

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Nas palavras da Dra. Maria Fernanda, escolher entre babá ou escola não é uma regra. Às vezes é preciso experimentar, saber se a criança vai se adaptar e qual opção vai ser melhor para o crescimento e desenvolvimento dela.

Escolinha

Uma das vantagens da escolinha é a estimulação da criança através de atividades programadas, principalmente na fase de 2 a 3 anos de idade. As atividades são direcionadas e adequadas à cada faixa etária, o que é ótimo para a criança.

Outra vantagem é a sociabilização, mesmo considerando que, antes de 1 ano e meio, as crianças normalmente fazem atividades sozinhas ou uma ao lado da outra e não entre elas. As escolas trazem a possiblidade de interação, a experiência de um corpo pedagógico preparado para o ensino infantil e o compromisso de uma instituição legalmente responsável pelo seu filho, proporcionando segurança e confiabilidade.

A criança precisa do convívio com outras crianças para crescer, aprender limites, respeitar as diferenças e ver outros comportamentos. É função da escola, tornar o ato de conhecer criativo e prazeroso, desenvolvendo, dessa forma, a autonomia e o senso de responsabilidade dos pequenos. Isso tudo acontece através da interação e o convívio com outros.

Por outro lado, a maior desvantagem das escolas é o aumento da frequência de doenças, principalmente das que ainda não completaram 1 ano de vida. O sistema imunológico infantil está em formação até os 3 anos de idade e a escolinha pode tornar mais frequente os períodos de doença.

Outra desvantagem é o tempo de deslocamento, principalmente em cidades grandes em que o trânsito pode deixar a criança cansada e muitas vezes ter que acordar muito cedo. Para evitar atrasos e perda de tempo em congestionamento, o ideal é escolher uma escola perto de casa ou do trabalho dos pais.

Babá

Se este for o modelo escolhido, é fundamental certificar-se de que é uma pessoa com boas referências, preparada para cuidar de crianças e com jeito e paciência para a tarefa. É preciso observar sua formação para que ela esteja preparada a auxiliar no desenvolvimento da criança, principalmente para tentar suprir os estímulos que a escolinha oferece. É importante estabelecer uma boa relação e estar presente sempre.

Uma das vantagens da babá é ter uma pessoa exclusiva para o bebê, para atendê-lo prontamente, sempre que necessário.

A opção também evita deslocamentos, tempo perdido no trânsito, sendo necessário, no entanto, estabelecer horários certos com a família, que sejam vantajosos para mãe e pai poderem trabalhar.

 Além de a criança estar em um ambiente conhecido e familiar, é mais fácil controlar o contágio de doenças, com a manutenção da limpeza e limitando o contato com outras pessoas.

Uma das desvantagens é a transferência na relação com a babá. Não são raros os casos de babás que querem agir como mães e mães que temem perder o amor dos filhos para a babá. Por isso, é necessário conversar com a criança explicando que a mamãe precisa trabalhar, mas vai voltar para dar carinho e cuidar.

 Quando a babá é a única pessoa que pode ficar com o bebê na ausência da mãe, é indispensável que ela seja uma profissional dedicada e responsável. Mesmo assim, imprevistos podem acontecer e, se a babá faltar, a mãe inevitavelmente faltará no trabalho também. Babá mal escolhida ou mal treinada pode levar a sucessivas trocas, o que gera um grande desconforto para o pequeno.

Seja na escola ou com a babá, o mais importante é respeitar a idade biológica e intelectual da criança e seus relacionamentos com os amiguinhos. Por isso, não adianta ter uma babá se a criança fica diante de computador ou não desce para brincar com outras da mesma faixa etária ou na escola onde fica fechada em uma sala de aula com objetos fora de sua realidade.

Por Dra. Thais Cabral

A sucção é uma atividade instintiva dos mamíferos que tem início ainda dentro da barriga da mãe. A sucção não nutritiva (dedo e chupeta) é considerada um reforço psicomotor que é adquirido facilmente pelas crianças e tende a desaparecer com a idade.

A chupeta, tão adorada pelas mamães pelo seu “poder” de acalmar e silenciar os bebês, não é tão inofensiva quanto parece. E o que determina se o hábito de chupar o dedo ou a chupeta trará consequências negativas à criança é a tríade: duração, frequência e intensidade.

A atividade prolongada de chupar o dedo ou chupeta pode prejudicar o desenvolvimento craniofacial, atrapalhando as funções de mastigação, fala, deglutição e respiração, como citado no post sobre amamentação e sua importância para o desenvolvimento craniofacial do bebê.

O uso prolongado da chupeta é comum e acomete mais de 50% das crianças que apresentam algum hábito prejudicial. A sucção digital, apesar de ser menos frequente, causa danos maiores, pois, além de acarretar problemas dentários mais expressivos, pode persistir na dentição permanente. Portanto, caso os pais percebam que a criança está com tendências à sucção de dedo, indica-se substituir pela chupeta.

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Quais são os males que esses hábitos podem causar?

Com a instalação desses hábitos, os ossos da face acabam crescendo de maneira desordenada, o céu da boca fica demasiadamente profundo e as arcadas ficam mais estreitas.

Na parte dentária podem ocorrer desvios de formações (malocusões) como: mordida aberta, mordida cruzada uni ou bilateral, retrognatia mandibular (quando a mandíbula não se desenvolve e fica mais para trás), apinhamentos dentários (falta de espaço para os dentes deixando-os tortos).

Quando o hábito deve ser interrompido?

Por causa dos problemas citados, é aceitável manter esses hábitos até no máximo os 3 anos, quando ainda não é tão difícil corrigí-los. A maioria das crianças abandona o uso da chupeta nessa época. A sucção do dedo pode demorar mais, por estar muito acessível. Porém, o melhor é interromper o vício o mais cedo possível.

Como remover o hábito?

É importante que os pais tenham cuidado com o modo de remoção desse hábito. Ele deve ser feito com muita paciência pois geralmente está ligado a fatores emocionais e psicológicos que representam para a criança um momento de prazer, clama e proteção.

O incentivo deve ser feito de maneira gradativa, algumas dicas são:

  • limitar o uso da chupeta (por exemplo: usar somente na hora de dormir e assim que a criança adormecer deve-se retira-la da boca)
  • evitar o uso de prendedores para que a chupeta não fique sempre ao alcance da criança
  • conversar com a criança sobre substituir a chupeta por algo mais conveniente para a idade dela, etc.

Mas e o dedo?

Geralmente a criança deixa de chupar o dedo naturalmente. Os pais, porém, podem tomar algumas medidas para evitar que esse hábito se prolongue. Por exemplo: caso a criança leve a mão à boca enquanto dorme e os pais estiverem por perto, os pais devem retirá-la. Se a criança também chupa dedo enquanto está acordada, é importante que os pais procurem substituir atividades em que ela fique de mãos vazias, por outras como desenhar, montar objetos, etc. É interessante que os pais observem em quais situações a criança leva a mão à boca, assim poderão impedir mais facilmente.

Brigar ou colocar substâncias com sabor fortes no dedo são medidas que não funcionam.

E depois?

Mesmo depois de removido o hábito, os efeitos negativos geralmente permanecem. Para correção desses, poderá ser feito o uso de aparelhos ortodônticos/ortopédicos visando a melhora no “encaixe” e posicionamento dos dentes. As alterações funcionais são mais difíceis de serem contornadas e na maioria das vezes dificultam o tratamento ortodôntico por conta das alterações musculares. Nesses casos é de extrema importância que o tratamento ortodôntico seja feito em conjunto com a fonoaudióloga e o otorrino.

Por Fabiana Bellentani

Já contei aqui no blog como ensinei a Carolina a dormir a noite toda e isso era algo que me enchia de satisfação e orgulho em função de todo aprendizado que passamos. E aí a Carol fez 1 ano e 1 mês e achamos que poderíamos tentar a transição do berço para a cama. Quem me acompanha pelo Instagram (@fabi_4mammies) viu há pouco mais de dois meses todo o processo que conto hoje para vocês.

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No quartinho dela já existe uma cama de solteiro e, dias antes, começamos todo um preparo psicológico de “apresentação” desse “novo lugar de dormir”. Todo dia tínhamos uma conversa mais ou menos assim: “Olha que cama legal, filha! É parecida com a da mamãe e do papai. A mamãe também dormia num bercinho igual a você quando era pequenininha, mas cresceu passou a dormir em uma caminha igual a essa. Você quer dormir na caminha? Quando quiser, avisa a mamãe, tá?”

Até que um dia ela quis. Nessa noite, então, preparamos o espaço com todos os seus bichinhos, seu travesseiro, paninhos e chupetas, além de duas grades laterais de proteção. Foi numa segunda-feira e ela dormiu super tranquila, a noite toda.

Passaram-se mais duas noites e no terceiro dia, tiramos o berço do quarto. Estávamos convencidos de que não havia mais necessidade de deixa-lo, pois tudo ia muito bem. Na verdade, a Carolina tinha na cama exatamente o mesmo comportamento que tinha no berço. A colocávamos para dormir, ela ficava deitada, sem descer, até pegar no sono. Não acordava de madrugada, e, de manhã, esperava por nós.

Um mês depois da transição, no entanto, o comportamento da Carolina mudou. Ela passou a querer ficar em nossa cama brincando até o último minuto. Quando a levávamos para o quarto, não queria ficar mais sozinha, queria companhia até conseguir dormir e passou a acordar duas vezes por noite. Voltei a ter a mesma rotina de horários do período de amamentação…

Nas primeiras noites em que acordou, a Carolina não desceu da cama. Apenas chorou e chamou por mim. Depois de alguns dias, ela descobriu que era possível caminhar pelo quarto. Passou, então, a abrir a porta e sair pelo corredor, chorando e pedindo para dormir conosco, algo que ela nunca fez!

Em todas as ocasiões, eu a pegava pela mão ou no colo, colocava novamente no berço e explicava que estava tudo bem, que tinha luzinha acesa e que todos os seus “amiguinhos” (seus bichinhos de pelúcia) estavam dormindo na cama junto com ela. Depois de um tempo ela voltava a dormir, mas já não era mais possível deixa-la sozinha. Eu tinha que lhe fazer companhia até entrar em sono profundo novamente.

Ficamos nessa rotina por um mês. Nosso limite – meu, do meu marido e da Carolina – se deu na madrugada de uma terça-feira em que ela relutou em dormir por quase uma hora, simplesmente porque não queria ficar sozinha. E de madrugada, quando acordou, ficamos num vai e volta da cama por mais uma hora até que ela pulou no meu colo e não quis mais descer. Precisei dormir em seu quarto em um colchão no chão até a manhã seguinte.

Nesse dia decidimos trazer o berço de volta. Algo não estava certo. Ninguém estava confortável. A Carolina parecia ter desenvolvido um medo e uma insegurança que não tinha antes e nós também não estávamos tranquilos com seu novo comportamento.

No final do dia montamos o berço todos juntos. A Carol participou do processo e ficou super feliz quando viu sua “caminha” de volta. Todo seu quarto voltou à antiga organização. Quando subiu no berço novamente, pulava de alegria, ficou realmente contente!

Na primeira noite no “novo-antigo” esquema, ela acordou uma única vez. Fui ao seu quarto e ela quis que eu ficasse lá até pegar no sono novamente. Eu disse que não precisava, que ela sabia dormir sozinha, pois já dormia sozinha antes. Trocamos mais duas palavras e ela surpreendentemente me disse “Tchau, mamãe!”, como fazia antigamente sempre que a deixávamos no berço. Eu saí, fui para meu quarto e ela pegou no sono.

Depois dessa noite, a Carolina voltou a dormir a noite toda e parece que até por mais tempo. Isso já faz uma semana. Estamos novamente tranquilos como pais e a Carolina segura no seu espaço.