Por Fabiana Bellentani

A Carol foi batizada ano passado (2015), no dia 10 de outubro, depois de dias de debates familiares que foram desde a decisão de batizá-la ou não, ter padrinhos ou não, até número de convidados e tipo de comemoração que faríamos após a celebração.

E como acredito que esses (ou parte desses) dilemas não acontecem só na minha casa, quero dividir com vocês tim-tim por tim-tim como foi todo processo decisório e de planejamento do batizado.

Hoje começo do começo (rs!), ou seja, por tudo que ponderamos e discutimos antes de decidirmos pelo batismo.

20160606_Batizado_da_Carolina_Como_chegamos_a_um_consenso

Normalmente bebês são batizados com menos de 1 ano; na maioria das vezes, com menos até de 6 meses, mas a Carol foi com 1 ano e quase 9 meses.

E por que demoramos tanto?

Porque não tínhamos um consenso quanto ao assunto. Na verdade, acho que empurrei a questão o máximo que pude, porque sabia que eu e meu marido teríamos opiniões muito diferentes. Sabia que a decisão de batizá-la ou não envolveria convicções pessoais e familiares, com eventual potencial de discussão entre nós.

Eu venho de família católica, fui batizada, fiz primeira comunhão, crisma, fiz questão de casar na Igreja e, apesar de não ser praticante, acredito em Deus e rezo sempre que o cansaço me permite, para agradecer e pedir proteção. Batizar a Carolina sempre foi importante para mim, pois significava seguir com ela os mesmos passos que foram tomados comigo.

O Eric, meu marido, também vem de família católica, também foi batizado, não é praticante, mas acredita em algo superior, em fazer o bem. Ao contrário de mim, para ele, o batismo não era necessário em função da liberdade de escolha de religião (o que, na minha opinião, ela continua tendo, mesmo sendo batizada).

Paralelamente, se batizássemos, meu desejo era fazer uma pequena celebração com família e amigos próximos, o que, para o Eric, era totalmente dispensável. Eu achava que o gasto seria por um motivo nobre.

Além disso, questionávamos a necessidade de padrinhos, apesar de termos nossos irmãos que assumiriam (como assumiram) muito bem os papéis. Não queríamos que os padrinhos nos fossem impostos, uma obrigação, pois a essência do sacramento não exige esses “personagens”. O batismo é conceitualmente um sacramento de iniciação e as figuras da madrinha e do padrinho foram criadas ao longo do tempo, passando por diversos significados, chegando atualmente à função de auxiliar a criança na educação religiosa.

E as famílias, o que achavam? Bom, nem uma, nem outra opinou em nada, até porque julgamos certo fazer aquilo que consideramos adequados para nós. Mas é claro que havia um certo questionamento “de quando a Carolina seria batizada”. De qualquer forma, o que decidíssemos seria respeitado pelos dois lados.

Diante de tantas variáveis, ponderamos muito, conversamos muito, até brigar, brigamos… E no final das contas, decidimos que faríamos o batizado, mas seria uma cerimônia pequena, íntima, apenas com familiares. E olha que temos uns 4, 5 amigos muito, mas muito próximos que são considerados família, mas nem esses entraram na lista. Foi a forma que encontramos de satisfazer a mim e ao Eric: celebramos o sacramento, porque era importante para mim, mas sem transformar a comemoração em algo grandioso, pois não era esse o intuito.

Tivemos a presença apenas dos avós, tios e bisavó. Meu irmão e cunhada foram padrinho e madrinha, pois sentimos que ambos faziam questão e são pessoas com os mesmos valores que os nossos.

Depois, comemoramos com um almoço no clube que frequentamos, o que rendeu um ensaio fotográfico lindo!

E querem saber um segredo? Quando tudo terminou, o marido se arrependeu de não ter chamado mais gente!

Relação de profissionais deste post

Fotografia: Carmen Fernandes (SP)

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Minha realidade é a seguinte: eu e meu marido somos fundadores de um escritório boutique de advocacia em São Paulo, com atendimento a clientes que prezam por personalização.

Em casa, não temos funcionária. Contamos apenas com uma faxineira, uma vez por semana. Fazem parte da nossa rotina lavar louça e roupa, preparar as refeições, limpar algumas coisas (principalmente a cozinha, que fica imprestável depois das refeições da Carol) e deixar a casa diariamente organizada.

Também não temos babá para ajudar com a Carolina. Desde 1 ano de idade, ela frequenta uma escolinha, onde fica por um período de 6 horas, das 13:00 às 19:00.

Além disso, sou esposa que passa 24 horas junto do marido, 7 dias por semana. Nos “separamos” apenas enquanto estamos no escritório, quando cada um fica em sua respectiva sala, ou por compromissos externos ou quando excepcionalmente nossos hobbies pessoais nos levam temporariamente para locais de interesses divergentes.

Ah, e claro: no meio de tudo isso, ainda passeamos, viajamos, recebemos os amigos, invento algumas comemorações ou mudar ou reformar alguma coisa em casa…

Como dou conta? 

Nossa, às vezes, até eu me questiono… Diante do que era minha rotina antes da Carolina, em relação ao que é hoje, me sinto uma “mulher-maravilha”, um polvo com sei-lá-quantos-braços, capaz de fazer cinco coisas ao mesmo tempo! Na verdade, toda mãe e pai são meio assim, né?

No meu caso, especificamente, o que nos permite administrar tantas coisas juntas e levar tantos projetos adiante é o fato de eu e meu marido funcionarmos como equipe e de termos criado uma organização que se adequa à nossa família.

Profissionalmente, apesar do alto nível de atenção e dedicação que somos exigidos, o empreendedorismo nos proporciona uma relativa flexibilidade de horário, que nos permite trabalhar de casa na parte da manhã e do escritório até quase 19:00 da noite, com dedicação exclusiva à advocacia.

A Carolina, por sua vez, também não acorda cedo, fazendo com que tenhamos um bom tempo de manhã para trabalharmos com atenção.

Depois que levanta, eu e meu marido nos dividimos com seus cuidados, incluindo higiene, distração e alimentação. Na verdade, tentamos ser práticos e extrair o máximo do que a situação oferece, unindo o útil ao agradável.

Se o período em que estamos com ela é um tempo que precisamos distraí-la e também tentar resolver uma ou outra coisa, usamos essas 2, 3 horas para dar andamento em trabalhos mais rápidos (e, aí, se um está trabalhando, o outro está com ela) e também fazer as coisas de casa. Assim, transformamos uma atividade doméstica em uma forma de entretenimento. Ir ao supermercado passa a ser um passeio, separar a roupa para lavar vira uma brincadeira, brincar de comidinha enquanto fazemos o almoço é diversão, e assim por diante.

E, sim, somos nós que cozinhamos. Quer dizer, é o marido (rs)! Ele gosta e faz pratos maravilhosos! Congelamos bastante coisa para facilitar o dia-a-dia e escolhemos receitas sem muita complicação. E a hora do almoço é a mesma para todos, então, é um tempo reservado à família, com todos juntos.

Com relação à casa, além do que já comentei, alguns afazeres nós terceirizamos, como a passagem da roupa, por exemplo, e a faxina mais pesada.

Mas por que essa “louca” não contrata uma funcionária mensalista e/ou uma babá?

Bom, sem dúvida, com ajuda, teríamos mais tempo para nos dedicar a outros assuntos. Mas, na verdade, temos alguns motivos.

O primeiro é que, até o momento, não julgamos indispensável. Talvez no futuro a gente mude de ideia ou sinta necessidade, mas até agora estamos bem com nossa decisão.

Também sempre tentamos ser independentes, a cuidar das coisas pessoalmente. É nosso perfil individual, de casal e profissional (haja vista a característica de nosso escritório).

Ademais, ter uma pessoa todos os dias em casa é uma condição a mais a ser administrada. E eu, particularmente, não fico totalmente à vontade, principalmente com alguém organizando aquilo que, a princípio, gosto de ter do meu jeito. Paranoia minha? Total! Isso é coisa de neuróticos por organização! Tenho plena consciência! ;(

Quanto à babá, como sempre tivemos a possibilidade, foi nossa decisão cuidar da Carolina pessoalmente. E como ela já frequente a escola, não valeria a pena ter uma pessoa dedicada por apenas 3 horas diárias. Apesar de trabalhoso e de, muitas vezes, nos fazer arrancar os cabelos, gostamos desse tempo que passamos com ela. Acompanhar seu desenvolvimento, poder estar ao seu lado quando acorda e almoça é muito importante para nós e ela também.

E tudo gira 100%? É óbvio que não! Quando digo que as coisas foram organizadas dessa forma não significa que temos uma agenda, com tudo programado. Nossa rotina está longe de ser uma rotina “de revista” (adoro essa expressão, pois em revistas tudo é perfeito e, acreditem, muita, mas muita gente fez questão de passar essa imagem)! Vivemos correndo e algumas coisas, principalmente as da casa, ficam muitas vezes por fazer ou são feitas com um ou dois dias de atraso. Nossa prioridade é a Carolina e nosso trabalho. Esses estão sempre em dia e têm sempre nossa atenção.

E a vida em casal, como fica? Como disse, eu e meu marido passamos todos os dias DA VIDA juntos! rs! Isso é bom? Para nós, sim, pois um apoia e ajuda o outro em todos os sentidos. Tem mais chances de atritos? Sim, mas, por incrível que pareça, brigamos muito pouco. Temos fases de mais stress, o que é normal, mas nos entendemos rapidamente.

Depois da Carolina, é óbvio que nossos momentos sozinhos foram drasticamente reduzidos (chega a ser covardia fazer essa comparação), o que já era esperado. Aliás, eu diria que, se continuasse da mesma forma, alguma coisa estaria errada. Mais recentemente, no entanto, com a Carol maiorzinha e depois de ter levado um puxão de orelha do marido (rs!), temos tentado criar e dedicar momentos exclusivos a nós: temos treinado semanalmente juntos (confesso que ele é beeeem mais empolgado que eu para esse compromisso semanal) e programado jantares a dois. Nesses momentos, a Carol fica na casa da avó.

E, aí, no meio de tudo isso, ainda arranjo um tempinho para escrever para o blog e criar projetos profissionais. Sinto não conseguir me dedicar mais a essas novas atividades, mas o dia não tem 72 horas e eu sou uma só! rs! Mesmo fazendo cinco coisas ao mesmo tempo, chega uma hora que não dá. É simplesmente impossível criar um braço a mais no polvo! ; )

E vocês, como fazem para serem esposas, mães, donas de casa e profissionais?

Por Fabiana Bellentani

Já contei aqui no blog como ensinei a Carolina a dormir a noite toda e isso era algo que me enchia de satisfação e orgulho em função de todo aprendizado que passamos. E aí a Carol fez 1 ano e 1 mês e achamos que poderíamos tentar a transição do berço para a cama. Quem me acompanha pelo Instagram (@fabi_4mammies) viu há pouco mais de dois meses todo o processo que conto hoje para vocês.

20160329_Nossa_primeira_tentativa_de_passar_a_Carol_do_berço_para_a_cama

No quartinho dela já existe uma cama de solteiro e, dias antes, começamos todo um preparo psicológico de “apresentação” desse “novo lugar de dormir”. Todo dia tínhamos uma conversa mais ou menos assim: “Olha que cama legal, filha! É parecida com a da mamãe e do papai. A mamãe também dormia num bercinho igual a você quando era pequenininha, mas cresceu passou a dormir em uma caminha igual a essa. Você quer dormir na caminha? Quando quiser, avisa a mamãe, tá?”

Até que um dia ela quis. Nessa noite, então, preparamos o espaço com todos os seus bichinhos, seu travesseiro, paninhos e chupetas, além de duas grades laterais de proteção. Foi numa segunda-feira e ela dormiu super tranquila, a noite toda.

Passaram-se mais duas noites e no terceiro dia, tiramos o berço do quarto. Estávamos convencidos de que não havia mais necessidade de deixa-lo, pois tudo ia muito bem. Na verdade, a Carolina tinha na cama exatamente o mesmo comportamento que tinha no berço. A colocávamos para dormir, ela ficava deitada, sem descer, até pegar no sono. Não acordava de madrugada, e, de manhã, esperava por nós.

Um mês depois da transição, no entanto, o comportamento da Carolina mudou. Ela passou a querer ficar em nossa cama brincando até o último minuto. Quando a levávamos para o quarto, não queria ficar mais sozinha, queria companhia até conseguir dormir e passou a acordar duas vezes por noite. Voltei a ter a mesma rotina de horários do período de amamentação…

Nas primeiras noites em que acordou, a Carolina não desceu da cama. Apenas chorou e chamou por mim. Depois de alguns dias, ela descobriu que era possível caminhar pelo quarto. Passou, então, a abrir a porta e sair pelo corredor, chorando e pedindo para dormir conosco, algo que ela nunca fez!

Em todas as ocasiões, eu a pegava pela mão ou no colo, colocava novamente no berço e explicava que estava tudo bem, que tinha luzinha acesa e que todos os seus “amiguinhos” (seus bichinhos de pelúcia) estavam dormindo na cama junto com ela. Depois de um tempo ela voltava a dormir, mas já não era mais possível deixa-la sozinha. Eu tinha que lhe fazer companhia até entrar em sono profundo novamente.

Ficamos nessa rotina por um mês. Nosso limite – meu, do meu marido e da Carolina – se deu na madrugada de uma terça-feira em que ela relutou em dormir por quase uma hora, simplesmente porque não queria ficar sozinha. E de madrugada, quando acordou, ficamos num vai e volta da cama por mais uma hora até que ela pulou no meu colo e não quis mais descer. Precisei dormir em seu quarto em um colchão no chão até a manhã seguinte.

Nesse dia decidimos trazer o berço de volta. Algo não estava certo. Ninguém estava confortável. A Carolina parecia ter desenvolvido um medo e uma insegurança que não tinha antes e nós também não estávamos tranquilos com seu novo comportamento.

No final do dia montamos o berço todos juntos. A Carol participou do processo e ficou super feliz quando viu sua “caminha” de volta. Todo seu quarto voltou à antiga organização. Quando subiu no berço novamente, pulava de alegria, ficou realmente contente!

Na primeira noite no “novo-antigo” esquema, ela acordou uma única vez. Fui ao seu quarto e ela quis que eu ficasse lá até pegar no sono novamente. Eu disse que não precisava, que ela sabia dormir sozinha, pois já dormia sozinha antes. Trocamos mais duas palavras e ela surpreendentemente me disse “Tchau, mamãe!”, como fazia antigamente sempre que a deixávamos no berço. Eu saí, fui para meu quarto e ela pegou no sono.

Depois dessa noite, a Carolina voltou a dormir a noite toda e parece que até por mais tempo. Isso já faz uma semana. Estamos novamente tranquilos como pais e a Carolina segura no seu espaço.