Por Fabiana Bellentani

20160301_Como_ensinei_a_Carolina_a_dormir_a_noite_toda

Depois que temos bebê, ter uma noite inteira de sono passa a ser o sonho de toda mãe, né? Nos primeiros meses da Carol, ela mamava mais ou menos a cada três horas e minhas acordadas noturnas seguiam o mesmo ritmo, claro!

Por volta do quarto, quinto mês, ela passou a dar uma esticada de cinco, seis horas, e com seis meses, passou a dormir oito. E eu, que sempre valorizei meu sono, estava em êxtase, achando que tinha atingido aquele momento mágico que lemos nos livros, em que os bebês passam a descansar a noite toda.

Comecei a espalhar a notícia, feliz da vida, achando que já tinha conquistado minhas noites de volta, mas com quase sete meses, talvez por causa de uma roséola que a deixou com um febrão por uns três dias seguidos, ela voltou a acordar duas vezes por noite e essa rotina perdurou até um ano e dois meses.

Íamos dormir sempre preparados: com duas mamadeiras de 120ml cheias de água e duas medidas da complemento prontas para serem misturadas, agitadas e entregues. E era óbvio que essas mamadas noturnas não eram de fome, pois ela sequer chegava nos 90ml. Estava claro que havia se acostumado a acordar em determinados horários, a pegar a mamadeira, sugar um pouquinho, para, então, virar e dormir de novo.

E assim eu ia levando: passava o dia cansada e com sono e já me deitada pronta para acordar novamente em menos de seis horas.

Nessa época, eu lia muito sobre o sono dos bebês, técnicas diversas para fazer a criança dormir, mas nunca encontrei uma que me deixasse tranquila como mãe. Sempre soube que o segredo era “ensinar a criança”, mas nunca tive coragem, por exemplo, de deixar a Carolina chorando sozinha. Meu entendimento pode estar completamente equivocado, mas, para mim, se a criança chora pedindo os pais é porque tem alguma necessidade, nem que seja apenas de companhia, de sentir a mãe ou o pai por perto. E se, nessa idade, somos sua segurança, seu porto-seguro, deixar a Carolina chorando, para mim, seria como “puxar seu tapete”, trair a confiança que ela deposita em nós.

Por outro lado, também não me sentia bem em sempre tirá-la do berço para acalmá-la quando acordava pedindo a mamadeira. Tinha que dar o apoio, mas achava que tirá-la do berço seria criar mais um hábito desnecessário. Não me sentia confortável nem com um extremo, nem com o outro. Não tinha a convicção de que aquilo que lia era o melhor a ser feito.

Até que numa determinada noite a Carol acordou no seu horário de sempre e naquele dia, naquele momento, eu soube o que fazer. Na verdade, acho que na hora certa, toda mãe sabe o que tem que ser feito e, quando esse momento chega, seja qual for a decisão, a colocamos em prática com determinação e paz no coração, sabendo que estamos fazendo o melhor para nossos filhos.

Naquela noite, fui ao quarto da Carolina com a mamadeira apenas cheia de água. Me aproximei e expliquei que era de madrugada, que não era hora de mamar, mas sim de dormir. A deitei no berço, mas ela se levantou e passou a chorar mais forte. Repeti as mesmas palavras, a deitei novamente e ela voltou a levantar. O choro de reclamação passou a estridente e incessante. Ficamos nesse procedimento de “deita e levanta” por aproximadamente uma hora e entre uma “explicação” e outra, oferecia um pouco de água, mas não o leite. Não é fácil suportar choro incontrolável, principalmente de noite, quando estão todos dormindo. Mas estava determinada e, ao mesmo tempo, tranquila com o que estava fazendo. Ela não estava sozinha, sem entender o que acontecia. Ao contrário, eu fiquei ao seu lado, explicando o que estava fazendo a todo momento. Até que ela dormiu. Provavelmente por cansaço, mas dormiu e eu voltei para a minha cama.

Passaram-se três horas e ela acordou novamente. Fui até seu quarto e repeti o mesmo procedimento. Ela chorou por quinze minutos e pegou no sono.

Fiz a mesma coisa por mais duas noites. Na segunda, ela já não chorava mais e na terceira, não levantava mais do berço. Apenas queria que eu ficasse ao seu lado, de mãos dadas, até que pegasse no sono.

Depois de mais três noites, passei a não dar mais a mão. Ficava no seu quarto, sentada na poltrona e dizia: “Pode dormir que a mamãe está aqui.” Mais duas noites e não fui mais ao seu quarto. Comecei a acompanhar seus movimentos pela babá eletrônica. Ela acordava, sentava no berço, pegava a chupeta e voltava a dormir. Mais alguns dias e ela passou a dormir direto. E quando digo direto, não é por apenas oito horas para mamar e voltar a dormir, mas de dez a doze horas seguidas, sem qualquer interrupção.

Depois de mais um mês, mudei também a rotina da “hora de ir para a cama”. Passei a deixá-la no berço acordada para pegar no sono sozinha, ao invés de esperar que adormecesse para depois eu sair do quarto. Achei que fosse chorar e que teria que seguir um passo-a-passo, assim como fiz com a madrugada, mas não. Ela surpreendentemente parecia já entender o que devia fazer. Passou até a dar tchau como se dissesse: “Pode ir, mamãe, que eu já sei dormir.”.

Hoje, quando relembro esse histórico, me sinto bem por ter tido a paciência necessária, por ter sido perseverante o suficiente, por ter ensinado com amor e por ter tido sucesso nesse processo! Fico feliz e realizada!

Por Fabiana Bellentani

A escolha do nome é algo muito pessoal e cada família adota critérios diferentes para esta decisão. No nosso caso, levou certo tempo para definirmos pelo nome da Carolina. Tínhamos diretrizes bastante claras sobre o que queríamos que o nome representasse para a nossa filha e também experiências pessoais que nos guiaram nesta escolha. Carolina foi o escolhido pois foi um dos únicos que atendeu ao seguinte:

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  • Não queríamos nome duplo. Nem eu, nem meu marido temos nomes duplos e não queríamos o mesmo para a Carolina. Minha mãe tinha nome duplo e nunca foi chamada pelos dois. O mesmo acontece com meu tio, primos e todo mundo que conhecemos que tem os dois nomes. Na verdade, temos a sensação de que o nome completo da criança só é usado na hora da bronca! Humpf!
  • Não queríamos nomes “da moda”. Alguns nomes podem ser considerados marcadores temporais, pois são muito usados em uma determinada época. E aí acontece de termos várias crianças com o mesmo nome nas escolas, festinhas e etc. Confesso que este não foi um dos critérios mais importantes, mas foi algo que consideramos bastante. Fizemos uma pesquisa na internet e rapidamente descobrimos quais haviam sido os nomes mais usados nos anos anteriores ao do nascimento da Carol.
  • Também queríamos um nome que não fosse típico de gente idosa e nem típico de criança. Alguns nos remetem sempre à imagem de uma pessoa mais velha ou de um bebê. E talvez isso não fosse legal durante sua infância ou, no futuro, para uma imagem profissional.
  • Nomes muito diferentes ou com letras duplas, ou grafia fora do comum também saíram da nossa lista. O nome do meu marido é Eric e quase ninguém consegue escrevê-lo ou até pronunciá-lo corretamente. Ele é sempre chamado de Henrique ou seu nome é costumeiramente redigido como Erik ou Erick ou até Enrique. Tinha que ser um nome de grafia e pronúncia fáceis.
  • Tinha que ser um nome comum no Brasil e que também pudesse ser facilmente pronunciado em outros idiomas e países. Nomes típicos de outras nações normalmente causam confusão de pronúncia aqui no Brasil e vice-versa. O exemplo do meu marido também se encaixa aqui!
  • Complementando o critério anterior, um nome que permitisse um apelido de fácil identificação tanto aqui, como no exterior, também ajudaria bastante. “Carol” é conhecido mundialmente.
  • Também buscamos saber o significado e origem de cada nome. Não queríamos um que passasse uma mensagem negativa (apesar de que quase nenhum nome tem um significado ruim). Carolina significa “mulher doce” e ela realmente é!
  • Por fim, fugimos de nomes que nos faziam referência a pessoas que não nos trazem boas lembranças ou sentimentos, ou nomes dados em homenagem à alguém, seja avô, avó, artista, personagem, etc. Queríamos que a Carolina fosse conhecida por sua singularidade e personalidade.

E vocês, como escolheram o nome dos seus bebês?

Por Fabiana Bellentani

20160219_A_falta_da_minha_mãe_na_minha_vida_de_mãe

Quem acompanha o blog e meu perfil do Instagram (fabi_4mammies) já leu alguns trechos dos meus posts dizendo “minha mãe já estava muito doente” ou “minha mãe não tinha como me ajudar”.

Minha mãe teve Alzheimer, foi diagnosticada em 2005 com 55 anos, meses depois de termos casado.

Quando engravidei em 2013, a doença já estava bem avançada e, apesar de estar fisicamente bem, ela quase já não falava e não associava mais quem era quem na família. Seu amor e reconhecimento eram puros, como os de uma criança, e eram manifestados através do olhar, do sorriso e do toque.

Acredito que minha mãe tenha percebido minha gravidez apenas quando eu estava com uns 5 meses. Estávamos sentadas, ela acariciou minha barriga e me olhou com um sorriso. Ali eu soube que, pelo menos por alguns segundos, ela entendia o que estava acontecendo.

Eu queria muito que a Carolina nascesse de manhã para que ela pudesse estar no hospital, mas não deu certo. Meu parto foi de madrugada e, claro, minha mãe não estava lá. Ela conheceu a Carol no dia seguinte. A segurei em seus braços e ela me beijou seguidamente. Novamente, naquele momento, eu soube que ela entendia o que estava acontecendo.

Quando tive depressão pós-parto, minha mãe não teve condições de perceber meu estado. Durante anos ela foi meu apoio e certamente teria me ajudado bastante. Um abraço não me curaria, mas ajudaria a me confortar.

A Carol foi crescendo e ela não conseguiu acompanhar seu desenvolvimento. Teve a oportunidade de segurá-la no colo em algumas ocasiões, mas seu foco era muito curto, logo se desconcentrava e parecia não perceber que estava com um bebezinho apoiado nas pernas.

E aí, numa sexta-feira de agosto de 2014, no meio a telefonemas desencontrados e correria para hospital, recebi a notícia de que minha mãe havia falecido. Sabíamos que aconteceria, mas não estávamos prontos. A Carol estava a 3 dias de completar 7 meses.

Sinto falta da minha mãe. Ela era minha melhor amiga, a quem eu recorria quando precisava desabafar. Dividíamos os mesmos gostos e fazíamos muitas coisas juntas. Às vezes, de noite, rezo e converso com ela, para que me guie como mãe e proteja a Carolina. Teria sido ótimo tê-la tido ao meu lado, curtindo minha gestação e me ajudando com os primeiros cuidados da Carol.

Eu sempre fui muito racional, mas a maternidade me transformou numa manteiga derretida. Sempre compreendi a doença da minha mãe de forma bastante clara, mas por diversas vezes me peguei admirando a Carol no berço e chorando por sentir que minha mãe não a veria crescer. Ela teria sido uma avó maravilhosa e teria me ajudado tanto quanto minha sogra ajudou.

Queria muito que a Carolina a tivesse conhecido melhor, que pudesse ter tido condições de criar uma memória mais definida dela. Hoje ela é a Vovó Estrelinha, que fica no céu e olha por nós.

Minha mãe era linda, por dentro e por fora. Uma mulher maravilhosa, extremamente forte, o porto-seguro da família. Uma mãe excepcional, atenciosa e carinhosa. Sabia ensinar, educar e cuidava de nós com todo amor do mundo. Mesmo não estando presente, ela é e sempre será meu exemplo. Espero conseguir ser para a Carolina a mesma mãe que ela foi para mim e meu irmão.