Por Fabiana Bellentani

Tive depressão pós-parto poucas semanas depois que a Carolina nasceu e foi uma das piores experiências da minha vida em um momento que deveria ser o mais prazeroso do mundo!

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Trouxemos a Carol para casa no dia 22 de janeiro de 2014, uma quarta-feira. No começo era tudo novidade e, apesar da mudança drástica de rotina, eu e meu marido conseguíamos resolver tudo, sem muita dificuldade.

Depois das duas primeiras semanas, começaram as cólicas e a Carolina passou a chorar muito. Meu Deus, era desesperador, não sabíamos o que fazer! Ela se contorcia, ficava vermelha, esticava as perninhas e não havia o que fizéssemos para melhorar seu incômodo. Tenho os e-mails que mandei para o pediatra nessa época e o primeiro foi de 12 de fevereiro, ou seja, com menos de um mês do seu nascimento. Nessa fase, eu ainda não estava mal, mas me sentia impotente por não conseguir resolver as dores e, ao mesmo tempo, muito cansada por dormir pouco e me dedicar à ela e ao trabalho.

Mais alguns dias se passaram, o cansaço virou stress e passei a não ter leite no final do dia. Tivemos que entrar com o complemento, o que me deixou chateada, mas não tivemos outra alternativa imediata. Nessa época eu já me sentia esgotada, chorava muito e passei a ter a sensação de que não daria conta. “Não é possível que ter um filho é isso, não pode ser tão desgastante!” pensava eu. Meu sentimento era de que nunca mais conseguiria fazer mais nada na vida. Minha organização tinha sumido, não tinha mais vontades, queria minha vida sem filhos de volta! Não era exatamente um arrependimento, pois eu queria muito cuidar da Carolina, mas, ao mesmo tempo, queria fugir de tudo e voltar ao que era antes. Cheguei a tomar medicamento para ajudar na produção de leite, que supostamente também ajudaria a melhorar meu ânimo, mas não fez nem cócegas.

Sair da cama de manhã era um esforço imenso. Via meu marido levantando e se arrumando para começar o dia e tudo que eu pensava era que queria dormir mais, ficar deitada o dia inteiro, sem ter nenhuma obrigação. Não queria sair de casa, fazer as unhas, lavar o cabelo, nada. O que fazia era porque me “forçavam” a fazer. Praticamente me “arrastavam” para fora, para espairecer, desfocar um pouco dos cuidados com a Carol. Cheguei a ficar quase duas semanas sem por o pé na calçada, sem ver a cara da vizinhança.

Além disso, tudo que acontecia com a Carolina passou a ser motivo de pânico, de achar que algo estava muito errado. No dia 27 de fevereiro, além do choro que não diminuía, pelo fato do seu sono ter mudado um pouco de “padrão”, redigi um email para o pediatra que meu marido precisou cortar pela metade. Era praticamente um tratado, um pedido de ajuda desesperado, de alguém que claramente não estava em seu estado normal. Eu achava que se a Carolina parasse de chorar, eu ficaria bem e minha vida voltaria ao que era. Então procurava uma fórmula mágica, um remédio que tirasse as cólicas, qualquer coisa que pudesse me dar um pouco de “paz”.

Lembro que o feriado de Carnaval foi o pior do período. Foi no comecinho de março e eu contava a passagem dos dias por turnos: “Passou a manhã de sábado, agora é só a tarde e a noite!”, “Passou a tarde, agora é só a noite!”, “Já é noite, agora faltam só 4 dias!”. Foi horrível! Nesse cenário, dei o braço a torcer e disse para o marido que precisaria da ajuda da mãe dele. Sempre achei que conseguiria dar conta sozinha das coisas – e, talvez, se estivesse bem, teria dado – mas eu simplesmente não conseguia mais. Não tinha mais forças.

Minha sogra e cunhada passaram a vir diariamente para casa, o que permitiu que eu descansasse um pouco, mas não foi o suficiente para eu melhorar. Eu chorava de soluçar em momentos específicos do dia e me sentia mal por “não ter motivo” aparente para isso. Minha filha era saudável, meu marido me ajudava com tudo e tinha apoio com a Carol e a casa.

Eu estava perdida, sem entender aquele sentimento, um antagonismo de vontades, de querer cuidar e proteger a Carolina, ao mesmo tempo em que queria fugir do mundo. Meu pai me dizia que dependia de mim me animar. O marido não entendia o porquê do meu estado e minhas amigas tentavam me confortar com suas experiências de mãe. Minha sogra, na verdade, foi a primeira pessoa a desconfiar da depressão e o ápice da doença foi numa sexta-feira, acho que dia 4 de abril.

Meu marido teve aula de tênis no almoço e insistiu que eu o acompanhasse com a Carolina para dar uma volta pelo clube, sair um pouco. Fomos, mas me sentia muito “mole”, como se estivesse com pressão baixa. Ele conversava comigo pelo caminho, mas eu só conseguia responder “sim” ou “não”. Voltamos para a casa, minha sogra chegou e eu dormi por 2 horas seguidas, mas levantei com a mesma sensação ruim. Me joguei literalmente no sofá e minha sogra se assustou: “Leva a Fabiana para o hospital porque ela deve estar com pressão baixa ou crise de stress.”. Eu mal percebia o que acontecia ao meu redor. Já tinha emagrecido muito, não tinha fome, não comia praticamente nada. Cheguei nos 53kg, peso de quando casei há 10 anos atrás.

No hospital, fui examinada, mas nenhuma alteração física foi identificada. Minha pressão estava ótima, não tinha dores, tudo normal. Sabendo do histórico do parto, o médico me orientou a procurar um psiquiatra. Liguei imediatamente para minha obstetra que foi muito categórica: “Só você sabe o quanto está mal. Procure o psiquiatra e o que ele disser para fazer, você faça, nem que tenha que parar com a amamentação. Você tem que estar bem para cuidar da sua filha.”.

Consegui consulta na segunda-feira seguinte e comecei a tomar um antidepressivo no mesmo dia. Não precisei parar com a amamentação, nem ter nenhum cuidado específico com a medicação. Em 7 dias eu estava melhor, tinha voltado a ser a Fabiana de antes, como se nada tivesse acontecido. Era outra mulher, outra mãe. Até a forma de segurar a Carolina nos braços ficou mais firme, mais confiante. Deixei de precisar da ajuda diária da minha sogra e passei a encarar a maternidade de uma forma totalmente diferente. Coincidentemente, a Carolina parou de chorar. Todos dizem que o bebê reflete o estado de espírito da mãe, mas eu nunca dei muito crédito. Não sei se foram as cólicas que passaram na mesma época, mas passei a encarar esse ditado de uma forma muito diferente.

Eu nunca tinha tido depressão, o que retardou nossa percepção da doença e busca por ajuda. Teria sido muito mais fácil e tranquilo se tivesse procurado auxílio médico especializado desde o início.

A depressão pós-parto é muito séria, mas é física e tratável! Por isso, não me inibo em contar o que passei, principalmente com quem acabou de ter bebê, pois sei o quão horrível e difícil é experimentar esse sentimento. Hoje, depois de 2 anos, estou super bem, feliz da vida e satisfeita como mãe!

Espero que este post possa ajudar outras mães que estejam passando pelo que passei e que precisam de atenção e cuidados, como eu precisei.

Por Fabiana Bellentani

Como viram no post anterior, fiz questão de lançar o 4 MAMMIES no aniversário da Carol, minha filha. Hoje ela faz 2 anos, mas  lembro do seu nascimento como se fosse ontem.

Fui para o hospital sem mala de maternidade, sem lembrancinhas, enfeite de porta, sem fotógrafo profissional e sem imaginar que na madrugada do dia 18 de janeiro, ela chegaria com tudo!

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Minhas 40 semanas de gestação se completariam no dia 06 de fevereiro de 2014. Eu já havia decidido que teria parto cesárea (falarei sobre minha decisão em outro post), e, portanto, fomos orientados a planejar o nascimento da Carolina para uma data a partir do dia 28 de janeiro.

Escolhemos, então, o dia 29 e começamos a nos organizar para que tudo ficasse pronto antes do final do mês: todos os trabalhos estavam sendo antecipados, o enfeite da maternidade seria concluído poucos dias antes, os pães de mel de lembrancinha seriam encomendados para o dia 27, e meus cuidados pessoais, como unha e depilação, também já estavam agendados para as vésperas do nascimento.

Só que nem tudo acontece do jeito que a gente planeja.

O dia 17, uma sexta-feira, foi um dia bastante corrido para mim e meu marido. Fomos para o escritório de manhã (sim, trabalhamos juntos), levamos meus pais ao médico (no final da gravidez, meu marido ia para todos os lugares comigo, pois dirigir já estava mais difícil) e fechamos a noite num restaurante perto de casa que adoramos.

Chegamos em casa já meio tarde, eu estava cansada, mas tinha o sentimento de que deveria terminar de arrumar a mala da maternidade naquela noite. Estava com 37 semanas, já tinha algumas coisas separadas, mas ainda faltava organizar as coisas da Carolina.

Passei, então, algumas últimas roupinhas, montei todos os kits pedidos pelo hospital, arrumei umas duas nécessaires e organizei tudo. Poucas coisas ficaram para fora, mas tudo bem. Eu ainda tinha até o dia 29… A prioridade era ela.

E aí, naquela madrugada, por volta das 00:30, levantei para ir ao banheiro e percebi um sangramento. Percebi que havia também uma secreção espessa, que, na hora, não dei importância, mas depois dos acontecimentos, me dei conta de que já era o tampão mucoso.

Essa não era a primeira vez que eu tinha um sangramento, já havia sido surpreendida outras duas vezes durante a gravidez, mas em ambas, apesar do susto e de ter corrido para o pronto-socorro, não houve nada sério. Achei que naquele dia seria a mesma coisa.

Saí do banheiro, acordei o marido e lembro que ainda analisamos se seria caso de irmos para o hospital ou não. Nos vestimos com calma e seguimos tranquilos, apenas por precaução. Estava certa que seria examinada e mandada de volta, como nas vezes anteriores.

Depois de passar pelo pronto-atendimento, fui encaminhada à consulta obstétrica. Fiz o exame e ouvi o seguinte: “Você está com 5cm de dilatação, seu bebê vai nascer. Não está sentindo dor?”. Nessa hora, comecei a tremer e não parei mais. Como assim a Carol ia nascer? E as 40 semanas? Minha primeira reação foi pensar se não havia problemas num nascimento “antecipado”, se ficaria tudo bem. Me explicaram que com 37 semanas, o nascimento já é considerado a termo.

Minhas contrações foram medidas e subi para o quarto. Engraçado como as coisas parecem acontecer em uma dimensão diferente quando a expectativa é muito grande. Eu tentava me acalmar, parar de tremer, mas não conseguia.

Deitei na cama hospitalar e acompanhei as luzes dos corredores passando sobre minha cabeça. Estava de lado e aí comecei a sentir um pouco de contração. Entrei no centro cirúrgico. Sentei sobre a maca, recebi a anestesia e desabei a chorar! Estava ansiosa, nervosa, curiosa, tudo ao mesmo tempo! Eu sempre fui muito racional, mas naquele momento era diferente. Estava a minutos de conhecer minha filha, de ver e sentir o bebê que até então eu conhecia com meu coração.

As lágrimas rolavam e meu marido me confortava com um lencinho na mão. “Por que está chorando desse jeito?”, perguntou a médica. Eu não consegui responder. Passaram-se alguns minutos e então a Carol nasceu! Com 48cm e 2,935Kg, às 3h01 da manhã do dia 18 de janeiro de 2014.

“Olha que bochechuda!”, disse a obstetra. Fiquei em silêncio por um momento para ouvir seu choro. Queria vê-la, saber se estava bem, se tinha nascido perfeita. Chamaram meu marido para conhecê-la. “Você quer que eu fique aqui ou posso ir lá?”, ele ainda perguntou na dúvida se me deixava chorando ou se corria para conhecer a filha (fofo!). Veio chorando para perto de mim, mas parou assim que colocaram seu rosto perto do meu. Ela mamou ainda no centro cirúrgico, uma das coisas que nunca vou esquecer!

A Carol escolheu seu momento, desafiando e contrariando toda falsa sensação de controle e organização que eu tinha para seu nascimento. Mas ela me avisou que estava chegando. Pediu que deixasse suas coisas prontas e eu deixei. Pediu que a recebêssemos com muito amor, que fôssemos pais presentes e carinhosos, que a inseríssemos em nossas vidas da forma mais bela e encantadora possível! Ela mudou nossa forma de ver o mundo, nossas prioridades e nossas preocupações.

Seja sempre bem-vinda, Carolina, junto com você nasceram uma mãe e um pai que te amarão sempre!