Por Dra. Marcia Maria Dias

20160331_Endometriose_o_que_você_precisa_saber

A endometriose é uma doença que se caracteriza pela presença de endométrio, uma membrana que reveste o interior do útero, em outros locais do corpo, podendo causar vários problemas para a mulher. As causas que provocam essa anormalidade não são totalmente conhecidas, mas é verdade que o risco de ter essa doença é maior entre as mulheres que tem a mãe ou irmã acometidas.

O endométrio, órgão preparado durante o ciclo menstrual para a implantação de um embrião, descama em forma de menstruação, quando a mulher não engravida. Acontece que esse mesmo fenômeno ocorre em todos os focos de endométrio que estão fora de seu lugar habitual. Assim, ocorrem micro sangramentos em todos os lugares em que houver esse tecido, e com o passar do tempo, vão se formando massas de sangue coagulado que vão prejudicando a função dos órgãos acometidos, como trompas, ovários, intestino, bexiga e outros.

É importante destacar que essa doença está presente em cerca de 10 – 15% de mulheres, podendo se iniciar desde o primeiro ciclo menstrual, e por ser progressiva, ser diagnosticada bem mais tarde, quando já há o comprometimento de diversas funções, incluindo a fertilidade.

Quanto aos sintomas, são muito variáveis, podendo ir desde a ausência completa de qualquer sintoma até dores abdominais generalizadas e nem sempre relacionadas com o ciclo menstrual. Cerca de 30% das mulheres acometidas evoluem para a esterilidade.

O diagnóstico é feito através do exame ginecológico, ultrassonografia especializada, ressonância magnética, e em alguns casos específicos, da vídeo-laparoscopia.

Quanto ao tratamento, pode ser clínico, através do uso de medicamentos em suas diversas apresentações, cirúrgico e, em muitos casos, os dois em associação. A escolha do tratamento tem que ser feita pelo médico, de acordo com as avaliações clínicas e laboratoriais, levando em consideração as condições e objetivos de cada paciente. O tratamento visa, sobretudo, o controle da doença, para que não ocorra perda de funções e para garantir a qualidade de vida.

Por fim, quando o diagnóstico é tardio e já existe a esterilidade, os tratamentos de reprodução assistida são os que oferecem as melhores chances de sucesso.

Em resumo, fica destacada a importância das consultas ginecológicas de rotina, que têm a função de detectar problemas em sua fase inicial, com chance de tratamento ou controle para evitar sequelas futuras.