Por Fabiana Bellentani

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Já falei mil vezes aqui no blog, e acredito de coração, que não existe certo ou errado na maternidade, mas aquilo que deixa nosso coração de mãe e pai em paz. E isso se estende à opção de parto de cada mulher, desde que seja respeitada a saúde e segurança do bebê e da mãe.

O parto da Carol foi cesárea por escolha. Não sou contra parto normal, ao contrário, apoio tanto quanto a cesárea, tanto que o pretendo para o nascimento do Felipe. Mas sou contra, sim, quem defende um ou outro com unhas e dentes, como se tivéssemos cometendo o maior crime do mundo em fazer nossas escolhas, sem considerar as vantagens e desvantagens envolvidas em cada caso.

Vemos muitos relatos de que a recuperação da cesárea é horrível, dolorosa, demorada e limitadora, enquanto a do parto normal é maravilhosa, rápida, quase sem dor, te deixando pronta para passar por tudo de novo… Um cenário é sempre apresentado como o OPOSTO do outro.

Mas saibam que conheço histórias de recuperações muito boas de parto normal, como também de mulheres que sofreram bastante com a episiotomia (aquele corte feito no períneo para “abrir” espaço para a passagem do bebê), de não conseguirem sentar por mais de mês.

Da mesma forma, conheço histórias de recuperações mais demoradas de cesáreas e de outras ótimas, como a minha.

Antes da Carol nascer eu nunca tinha passada por qualquer tipo de cirurgia. Eu sempre era a pessoa que acompanhava familiares em procedimentos, mas nunca tinha sido eu a pessoa a passar por um.

Minha cesárea foi às 3:00 da manhã e demorou acho que meia hora, se tanto. Fiquei sob o efeito da anestesia por mais algum tempo, mas já fui para o quarto sentindo pés e pernas.

A primeira vez que levantei da cama foi no mesmo dia mais tarde, depois da visita da minha médica e de terem tirado a sonda urinária. É ÓBVIO que nessa primeira levantada senti uma dor muito forte. Pedi apoio do marido e, bem devagar, sob a observação da enfermagem, fiquei em pé e fui ao banheiro andando lentamente.

Depois desses primeiros passos, tudo ficou mais fácil e mais simples. No segundo dia, eu já sentava com uma das pernas cruzadas sobre a cama (para ser sincera, acho que nem podia ter feito isso…) e fazia tudo sozinha: ia ao banheiro, tomava banho, saía “correndo” atrás dos amigos no corredor do hospital para entregar a lembrancinha que eu esquecia de dar no quarto (rs!), praticamente tudo!

É claro que o contexto de uma cesárea é totalmente diferente de uma pessoa com cirurgia em função de doença ou acidente. A situação é alegre, feliz, é um momento de comemoração. Acho que por isso e também por não ter uma expectativa de dor (já que não sabia o que era passar por uma cirurgia), me permiti fazer tudo que conseguia.

Quando voltei pra casa foi a mesma coisa. Com poucas limitações, fazia aquilo que estava ao meu alcance: trabalhava (sou autônoma, não tive licença maternidade), cuidava da Carol, um pouco da casa, etc.

Depois de uma semana, voltei à minha médica para a primeira consulta pós-parto e fui sozinha porque o marido ficou em casa com a Carolina.

Quando cheguei, a Dra. Márcia perguntou: “Você veio sozinha?”. “Sim, vim, respondi. “Mas dirigindo?”, complementou ela. “É, vim dirigindo, por que? Não podia?”, perguntei. Ela arregalou os olhos e comentou “Depois dizem que a recuperação da cesárea é péssima…”. Fiquei feliz com o comentário, pois percebi que estava bem, além do esperado!

Com duas semanas, eu amamentava com as pernas cruzadas “de índio” sobre uma poltrona que tinha na sala e recebia amigos em casa para uma pizza!

Mas por que fiz questão de contar tudo isso?

Simples: primeiro para mostrar que, se tivermos informação (principalmente sobre as consequências de nossas escolhas), conseguimos tomar decisões conscientes e seguras, sem estigmas e independentemente do que os outros falam ou pensam. Segundo porque, seja parto normal ou cesárea, saiba que o nascimento do seu filho será o momento mais especial do mundo e, por ele(ela), tudo vale a pena!

Por Fabiana Bellentani

Por nove meses crescemos junto com nosso bebê. São nove meses de acompanhamento, de cuidado com o que comemos e bebemos, de consultas médicas, lendo todos os livros disponíveis no mercado sobre como cuidar de um filho. E, de repente, a vida, da forma como conhecíamos, não é mais a mesma.

É claro que todo nosso empenho pré-natal nos deixa preparadas para tudo (ou, pelo menos, nos fez pensar que estamos preparadas para tudo), mas e quanto ao nosso corpo? Coisas crescem, coisas caem e a gente se pergunta: Meu Deus, não vai voltar ao normal? E olha que nem estou dizendo que as mudanças são para sempre porque a maioria delas não é. Eu mesma, hoje, estou mais magra do que estava antes de engravidar. Mas, por um tempo, nosso corpo fica muito diferente do que estávamos acostumadas e isso não significa que não devemos amá-lo com suas novas formas.

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Muitas mamães carregam seus bebês no colo juntamente com algumas estrias na barriga e bumbum. Novas marcas que antes não existiam. E os seios? Cheios de leite, grandes e voluptuosos, para alegria dos novos papais (não há um que não comente! rs!), mas também doloridos, por vezes empedrados, com bicos rachados, vazando na roupa e pingando no chão. Sem esquecer da barriga, dos surtos de choro ocasionais e da queda dos cabelos… Malditos hormônios! A culpa de quase tudo é deles!

Esse período pós-parto pode ser estranho para muitas de nós, principalmente para quem já tem mais de trinta e as coisas parecem não voltar ao normal com tanta facilidade. O que fazer, então, em relação à nossa nova versão de nós mesmas?

Primeira coisa: não sejamos tão exigentes! Se levamos nove meses para ganhar aqueles quilinhos a mais da gestação, não dá para esperar que vamos perder tudo da noite para o dia, certo? A gente sempre se compara com imagens que vemos na mídia, mas “péra lá”, precisamos ser realistas, respeitar nosso tipo físico e ter expectativas plausíveis.

Portanto, sejamos paciente! Se aquela amiga voltou ao peso anterior em poucas semanas, nosso corpo pode não funcionar da mesma forma. E não acredite em fotos de famosas, usando micro-biquínis cinco minutos depois do parto. Sem qualquer preconceito ou menosprezo, mas celebridades têm vidas e cotidianos diferentes da maioria de nós.

Mexa-se, faça o que for permitido ser feito, no tempo certo, mas, acima de tudo, seja grata pelo seu filho! Nunca se esqueça que o seu corpo fez algo incrível! Você deveria estar orgulhosa de si mesma. Então, vamos lá: olhe-se no espelho e se reveja. Você treinou seu corpo por nove meses e realizou um feito maravilhoso que deixou seu corpo exausto. Dê a si mesma tempo para se recuperar.

As estrias são marcas de amor, um preço muito baixo para se pagar pelo que se ganha em troca. Seu bebê não precisa que você seja sexy ou magra para ser uma boa mãe. E ser uma boa mãe certamente te fará sexy aos olhos do seu marido.

Tenha pensamentos positivos e cuide de si mesma. Cuidar de você é tão importante quanto cuidar do bebê. Devemos estar bem e nos sentir bem para que nosso bebê esteja bem também. Tente reservar uma hora na semana para aquele “tempo só seu”. Peça para o marido ou outra pessoa cuidar do bebê. Não é fácil. Eu mesma demorei muito para me permitir fazer algo só para mim, mas vale a pena.

E não deixe seu marido sem saber ou entender o que está sentido em relação à suas novas formas. Tenha um canal aberto de comunicação, ele certamente te dará todo apoio que precisa, nem que você tenha que dizer exatamente sua necessidade: amor, aceitação e suporte.

Aceite-se com toda sua nova beleza!

Relação de profissionais deste post

Fotografia: Carmen Fernandes (SP)

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Minha realidade é a seguinte: eu e meu marido somos fundadores de um escritório boutique de advocacia em São Paulo, com atendimento a clientes que prezam por personalização.

Em casa, não temos funcionária. Contamos apenas com uma faxineira, uma vez por semana. Fazem parte da nossa rotina lavar louça e roupa, preparar as refeições, limpar algumas coisas (principalmente a cozinha, que fica imprestável depois das refeições da Carol) e deixar a casa diariamente organizada.

Também não temos babá para ajudar com a Carolina. Desde 1 ano de idade, ela frequenta uma escolinha, onde fica por um período de 6 horas, das 13:00 às 19:00.

Além disso, sou esposa que passa 24 horas junto do marido, 7 dias por semana. Nos “separamos” apenas enquanto estamos no escritório, quando cada um fica em sua respectiva sala, ou por compromissos externos ou quando excepcionalmente nossos hobbies pessoais nos levam temporariamente para locais de interesses divergentes.

Ah, e claro: no meio de tudo isso, ainda passeamos, viajamos, recebemos os amigos, invento algumas comemorações ou mudar ou reformar alguma coisa em casa…

Como dou conta? 

Nossa, às vezes, até eu me questiono… Diante do que era minha rotina antes da Carolina, em relação ao que é hoje, me sinto uma “mulher-maravilha”, um polvo com sei-lá-quantos-braços, capaz de fazer cinco coisas ao mesmo tempo! Na verdade, toda mãe e pai são meio assim, né?

No meu caso, especificamente, o que nos permite administrar tantas coisas juntas e levar tantos projetos adiante é o fato de eu e meu marido funcionarmos como equipe e de termos criado uma organização que se adequa à nossa família.

Profissionalmente, apesar do alto nível de atenção e dedicação que somos exigidos, o empreendedorismo nos proporciona uma relativa flexibilidade de horário, que nos permite trabalhar de casa na parte da manhã e do escritório até quase 19:00 da noite, com dedicação exclusiva à advocacia.

A Carolina, por sua vez, também não acorda cedo, fazendo com que tenhamos um bom tempo de manhã para trabalharmos com atenção.

Depois que levanta, eu e meu marido nos dividimos com seus cuidados, incluindo higiene, distração e alimentação. Na verdade, tentamos ser práticos e extrair o máximo do que a situação oferece, unindo o útil ao agradável.

Se o período em que estamos com ela é um tempo que precisamos distraí-la e também tentar resolver uma ou outra coisa, usamos essas 2, 3 horas para dar andamento em trabalhos mais rápidos (e, aí, se um está trabalhando, o outro está com ela) e também fazer as coisas de casa. Assim, transformamos uma atividade doméstica em uma forma de entretenimento. Ir ao supermercado passa a ser um passeio, separar a roupa para lavar vira uma brincadeira, brincar de comidinha enquanto fazemos o almoço é diversão, e assim por diante.

E, sim, somos nós que cozinhamos. Quer dizer, é o marido (rs)! Ele gosta e faz pratos maravilhosos! Congelamos bastante coisa para facilitar o dia-a-dia e escolhemos receitas sem muita complicação. E a hora do almoço é a mesma para todos, então, é um tempo reservado à família, com todos juntos.

Com relação à casa, além do que já comentei, alguns afazeres nós terceirizamos, como a passagem da roupa, por exemplo, e a faxina mais pesada.

Mas por que essa “louca” não contrata uma funcionária mensalista e/ou uma babá?

Bom, sem dúvida, com ajuda, teríamos mais tempo para nos dedicar a outros assuntos. Mas, na verdade, temos alguns motivos.

O primeiro é que, até o momento, não julgamos indispensável. Talvez no futuro a gente mude de ideia ou sinta necessidade, mas até agora estamos bem com nossa decisão.

Também sempre tentamos ser independentes, a cuidar das coisas pessoalmente. É nosso perfil individual, de casal e profissional (haja vista a característica de nosso escritório).

Ademais, ter uma pessoa todos os dias em casa é uma condição a mais a ser administrada. E eu, particularmente, não fico totalmente à vontade, principalmente com alguém organizando aquilo que, a princípio, gosto de ter do meu jeito. Paranoia minha? Total! Isso é coisa de neuróticos por organização! Tenho plena consciência! ;(

Quanto à babá, como sempre tivemos a possibilidade, foi nossa decisão cuidar da Carolina pessoalmente. E como ela já frequente a escola, não valeria a pena ter uma pessoa dedicada por apenas 3 horas diárias. Apesar de trabalhoso e de, muitas vezes, nos fazer arrancar os cabelos, gostamos desse tempo que passamos com ela. Acompanhar seu desenvolvimento, poder estar ao seu lado quando acorda e almoça é muito importante para nós e ela também.

E tudo gira 100%? É óbvio que não! Quando digo que as coisas foram organizadas dessa forma não significa que temos uma agenda, com tudo programado. Nossa rotina está longe de ser uma rotina “de revista” (adoro essa expressão, pois em revistas tudo é perfeito e, acreditem, muita, mas muita gente fez questão de passar essa imagem)! Vivemos correndo e algumas coisas, principalmente as da casa, ficam muitas vezes por fazer ou são feitas com um ou dois dias de atraso. Nossa prioridade é a Carolina e nosso trabalho. Esses estão sempre em dia e têm sempre nossa atenção.

E a vida em casal, como fica? Como disse, eu e meu marido passamos todos os dias DA VIDA juntos! rs! Isso é bom? Para nós, sim, pois um apoia e ajuda o outro em todos os sentidos. Tem mais chances de atritos? Sim, mas, por incrível que pareça, brigamos muito pouco. Temos fases de mais stress, o que é normal, mas nos entendemos rapidamente.

Depois da Carolina, é óbvio que nossos momentos sozinhos foram drasticamente reduzidos (chega a ser covardia fazer essa comparação), o que já era esperado. Aliás, eu diria que, se continuasse da mesma forma, alguma coisa estaria errada. Mais recentemente, no entanto, com a Carol maiorzinha e depois de ter levado um puxão de orelha do marido (rs!), temos tentado criar e dedicar momentos exclusivos a nós: temos treinado semanalmente juntos (confesso que ele é beeeem mais empolgado que eu para esse compromisso semanal) e programado jantares a dois. Nesses momentos, a Carol fica na casa da avó.

E, aí, no meio de tudo isso, ainda arranjo um tempinho para escrever para o blog e criar projetos profissionais. Sinto não conseguir me dedicar mais a essas novas atividades, mas o dia não tem 72 horas e eu sou uma só! rs! Mesmo fazendo cinco coisas ao mesmo tempo, chega uma hora que não dá. É simplesmente impossível criar um braço a mais no polvo! ; )

E vocês, como fazem para serem esposas, mães, donas de casa e profissionais?