20160519_Esposa_mae_dona de casa

Minha realidade é a seguinte: eu e meu marido somos fundadores de um escritório boutique de advocacia em São Paulo, com atendimento a clientes que prezam por personalização.

Em casa, não temos funcionária. Contamos apenas com uma faxineira, uma vez por semana. Fazem parte da nossa rotina lavar louça e roupa, preparar as refeições, limpar algumas coisas (principalmente a cozinha, que fica imprestável depois das refeições da Carol) e deixar a casa diariamente organizada.

Também não temos babá para ajudar com a Carolina. Desde 1 ano de idade, ela frequenta uma escolinha, onde fica por um período de 6 horas, das 13:00 às 19:00.

Além disso, sou esposa que passa 24 horas junto do marido, 7 dias por semana. Nos “separamos” apenas enquanto estamos no escritório, quando cada um fica em sua respectiva sala, ou por compromissos externos ou quando excepcionalmente nossos hobbies pessoais nos levam temporariamente para locais de interesses divergentes.

Ah, e claro: no meio de tudo isso, ainda passeamos, viajamos, recebemos os amigos, invento algumas comemorações ou mudar ou reformar alguma coisa em casa…

Como dou conta? 

Nossa, às vezes, até eu me questiono… Diante do que era minha rotina antes da Carolina, em relação ao que é hoje, me sinto uma “mulher-maravilha”, um polvo com sei-lá-quantos-braços, capaz de fazer cinco coisas ao mesmo tempo! Na verdade, toda mãe e pai são meio assim, né?

No meu caso, especificamente, o que nos permite administrar tantas coisas juntas e levar tantos projetos adiante é o fato de eu e meu marido funcionarmos como equipe e de termos criado uma organização que se adequa à nossa família.

Profissionalmente, apesar do alto nível de atenção e dedicação que somos exigidos, o empreendedorismo nos proporciona uma relativa flexibilidade de horário, que nos permite trabalhar de casa na parte da manhã e do escritório até quase 19:00 da noite, com dedicação exclusiva à advocacia.

A Carolina, por sua vez, também não acorda cedo, fazendo com que tenhamos um bom tempo de manhã para trabalharmos com atenção.

Depois que levanta, eu e meu marido nos dividimos com seus cuidados, incluindo higiene, distração e alimentação. Na verdade, tentamos ser práticos e extrair o máximo do que a situação oferece, unindo o útil ao agradável.

Se o período em que estamos com ela é um tempo que precisamos distraí-la e também tentar resolver uma ou outra coisa, usamos essas 2, 3 horas para dar andamento em trabalhos mais rápidos (e, aí, se um está trabalhando, o outro está com ela) e também fazer as coisas de casa. Assim, transformamos uma atividade doméstica em uma forma de entretenimento. Ir ao supermercado passa a ser um passeio, separar a roupa para lavar vira uma brincadeira, brincar de comidinha enquanto fazemos o almoço é diversão, e assim por diante.

E, sim, somos nós que cozinhamos. Quer dizer, é o marido (rs)! Ele gosta e faz pratos maravilhosos! Congelamos bastante coisa para facilitar o dia-a-dia e escolhemos receitas sem muita complicação. E a hora do almoço é a mesma para todos, então, é um tempo reservado à família, com todos juntos.

Com relação à casa, além do que já comentei, alguns afazeres nós terceirizamos, como a passagem da roupa, por exemplo, e a faxina mais pesada.

Mas por que essa “louca” não contrata uma funcionária mensalista e/ou uma babá?

Bom, sem dúvida, com ajuda, teríamos mais tempo para nos dedicar a outros assuntos. Mas, na verdade, temos alguns motivos.

O primeiro é que, até o momento, não julgamos indispensável. Talvez no futuro a gente mude de ideia ou sinta necessidade, mas até agora estamos bem com nossa decisão.

Também sempre tentamos ser independentes, a cuidar das coisas pessoalmente. É nosso perfil individual, de casal e profissional (haja vista a característica de nosso escritório).

Ademais, ter uma pessoa todos os dias em casa é uma condição a mais a ser administrada. E eu, particularmente, não fico totalmente à vontade, principalmente com alguém organizando aquilo que, a princípio, gosto de ter do meu jeito. Paranoia minha? Total! Isso é coisa de neuróticos por organização! Tenho plena consciência! ;(

Quanto à babá, como sempre tivemos a possibilidade, foi nossa decisão cuidar da Carolina pessoalmente. E como ela já frequente a escola, não valeria a pena ter uma pessoa dedicada por apenas 3 horas diárias. Apesar de trabalhoso e de, muitas vezes, nos fazer arrancar os cabelos, gostamos desse tempo que passamos com ela. Acompanhar seu desenvolvimento, poder estar ao seu lado quando acorda e almoça é muito importante para nós e ela também.

E tudo gira 100%? É óbvio que não! Quando digo que as coisas foram organizadas dessa forma não significa que temos uma agenda, com tudo programado. Nossa rotina está longe de ser uma rotina “de revista” (adoro essa expressão, pois em revistas tudo é perfeito e, acreditem, muita, mas muita gente fez questão de passar essa imagem)! Vivemos correndo e algumas coisas, principalmente as da casa, ficam muitas vezes por fazer ou são feitas com um ou dois dias de atraso. Nossa prioridade é a Carolina e nosso trabalho. Esses estão sempre em dia e têm sempre nossa atenção.

E a vida em casal, como fica? Como disse, eu e meu marido passamos todos os dias DA VIDA juntos! rs! Isso é bom? Para nós, sim, pois um apoia e ajuda o outro em todos os sentidos. Tem mais chances de atritos? Sim, mas, por incrível que pareça, brigamos muito pouco. Temos fases de mais stress, o que é normal, mas nos entendemos rapidamente.

Depois da Carolina, é óbvio que nossos momentos sozinhos foram drasticamente reduzidos (chega a ser covardia fazer essa comparação), o que já era esperado. Aliás, eu diria que, se continuasse da mesma forma, alguma coisa estaria errada. Mais recentemente, no entanto, com a Carol maiorzinha e depois de ter levado um puxão de orelha do marido (rs!), temos tentado criar e dedicar momentos exclusivos a nós: temos treinado semanalmente juntos (confesso que ele é beeeem mais empolgado que eu para esse compromisso semanal) e programado jantares a dois. Nesses momentos, a Carol fica na casa da avó.

E, aí, no meio de tudo isso, ainda arranjo um tempinho para escrever para o blog e criar projetos profissionais. Sinto não conseguir me dedicar mais a essas novas atividades, mas o dia não tem 72 horas e eu sou uma só! rs! Mesmo fazendo cinco coisas ao mesmo tempo, chega uma hora que não dá. É simplesmente impossível criar um braço a mais no polvo! ; )

E vocês, como fazem para serem esposas, mães, donas de casa e profissionais?

Por Fabiana Bellentani

Estávamos uma noite jantando com um casal de amigos e um deles, lá pelas tantas, comentou que a Carolina ficava bem à mesa, não saia correndo ou fazendo bagunça pelo restaurante. E aí o assunto “comportamento das crianças” passou a ser foco e veio à tona a história de um menino que praticamente morava com a avó e que, com 10 anos, não sabia o que era dormir em sua cama. “Isso não está certo!” disse o amigo.

É engraçado como, nessas horas,  nossa mente é capaz de montar um raciocínio completo em questão de segundos! “Não existe certo ou errado. Existe aquilo que você se sente bem e tranquila fazendo.” Foi o que respondi e é o que realmente acredito. Taxar uma ou outra forma de maternar como certa ou errada é radicalizar para um ou outro extremo, sem respeitar a opinião de outros pais ou mães ou tentar entender a realidade ou histórico das outras famílias.

20160303_Registro_de_família_4_meses_Carolina_12

Nem tudo é razão na maternidade; aliás, diria que poucas coisas são. Não é porque não fazemos cama compartilhada, que condeno quem faça. Ou porque nunca deixamos a Carolina chorar para aprender a dormir, que acho um absurdo quem deixe. Ou porque optei por dar a chupeta, que critico quem não dê. Ou porque tive parto cesárea que só ressalto suas vantagens e vejo o normal como última opção.

Acho que a parte racional das decisões ligadas à maternidade muitas vezes está em saber lidar e viver com suas consequências. E digo isso não como lição de moral, como se essas consequências fossem ruins. Isso seria cair na taxação indireta de certo ou o errado. Mas digo simplesmente porque o comportamento futuro da criança será um resultado daquilo que lhe for ensinado desde o início.

Quando optamos por dar chupeta à Carolina, sabíamos que ela se acostumaria com o item (é como realmente apelidamos a chupeta em casa) e que teríamos também o trabalho de desacostumá-la depois. Mas quando demos pela primeira vez, foi o que nos deu tranquilidade no momento. Sabíamos que seria algo que a acalmaria, que lhe daria segurança, algo que ela procuraria em uma situação de cansaço e irritação. Foi uma escolha consciente e é óbvio que não adianta suspirarmos aos céus, no desejo de que, de uma hora para a outra, a Carol jogue a chupeta fora e se desapegue, como que num conto de fadas. Fizemos uma opção e sabemos qual sua consequência.

Cama compartilhada é outro assunto que todo mundo adora torcer o nariz, tanto para um lado, como para outro. Não acostumamos a Carol em nossa cama porque não achávamos seguro, sentíamos que ela ficaria melhor se estivesse no seu espaço e, sim, porque queríamos que ela se acostumasse a dormir em sua caminha desde o início. Isso não significa, no entanto, que quem divide a cama com o bebê está errado(a). Quem opta pela cama compartilhada, talvez prefira a facilidade de poder amamentar sem se deslocar, ou apenas queira sentir o bebê por perto. É apenas uma questão de opção, que, assim como disse acima, terá sua evolução. Eventualmente a criança precise de algum processo de adaptação para passar a dormir só. Pode ser algo que aconteça com mais tranquilidade, quando a criança já for mais velha, ou que talvez exija um pouco de paciência e perseverança por parte dos pais, num momento em que decidam não ser mais confortável para aquela família ter a criança dividindo a mesma cama.

Podemos dizer que um ou outro caso é certo ou errado? Claro que não! É simplesmente uma questão de decisão. De fazer aquilo que deixa nosso coração de mãe e pai em paz em um determinado momento.

Acho que o segredo é decidir com amor e de forma consciente, sabendo claramente o que esperar como comportamento futuro do bebê. Saber respeitar a opinião dos outros, sem impor conceitos é primordial. O que é bom para uns, pode não ser o ideal para outros.

O que vocês pensam sobre o assunto?