16 jun 2016

Babá ou escolinha: como escolher, entrevistar e contratar a babá para seus filhos

Por Fabiana Bellentani

O tema “babá x escolinha” não estaria completo se não falássemos sobre como escolher, entrevistar e contratar uma babá, caso essa seja sua decisão.

O post de hoje, portanto, é um apanhado, a reunião do que encontrei de mais importante sobre o assunto, através de pesquisas a vários sites (incluindo o BabyCenter, que eu adoro), revistas e livros. Ah, e claro, tem também minhas observações pessoais, comentários e complementações!

Já aviso que o texto é beeem longo, mas não quis fracionar o conteúdo, porque acho que tem muita coisa importante para se prestar atenção na hora de contratar a pessoa que vai cuidar do seu filho.

Mother and daughter playing with finger toys

Como escolher a babá

A primeira coisa é saber exatamente o que você precisa e quer em uma babá. O ideal é anotar alguns critérios predefinidos antes de dar início à busca da profissional. As seguintes perguntas podem te ajudar a montar essa listinha de prioridades:

  • Precisará dormir no emprego ou a babá será apenas para o período diurno?
  • Tem que ter noções médicas básicas?
  • Tem que ter um curso de formação ou o tempo de experiência será suficiente?
  • Tem experiência anterior com bebês da idade do(s) seu(s)?
  • Sabe dirigir em caso de emergência?
  • Tem facilidade para usar celular ou chamar um táxi (se precisar)?
  • Sabe cozinhar e cuidar da roupa?
  • É capaz de contar histórias, o que significa, sabe ler, escrever e falar bem?
  • Quanto você pretende gastar com a profissional?

Com esses pontos definidos, pesquise e, principalmente, peça indicação! Existem algumas agências que trabalham exclusivamente com a seleção dessas profissionais, porém a contratação através desse meio inclui um pagamento pela intermediação.

Como conduzir a entrevista?

1. Prepare-se para a entrevista, tendo um caderninho e caneta à mão para anotar suas considerações. Como você provavelmente entrevistará várias pessoas, reserve o início de uma folha para cada candidata e coloque o nome de cada uma logo no topo da página, junto com alguma anotação que te ajude a identificar a pessoa depois.

2. Uma das primeiras coisas a observar é a pontualidade. A candidata deverá chegar na hora certa e já ter em mãos documentos pessoais e, pelo menos, duas referências para te passar. Esses documentos são o RG, CPF e carteira de trabalho originais.

3. Para quebrar o gelo, dê início perguntando onde a candidata mora e se demorou para chegar à sua casa, se teve fácil acesso à condução, etc. Eu sempre faço isso quando entrevisto alguém para trabalhar na minha casa! Se a resposta for do tipo: “Nossa, aqui é muito longe!” você já terá indícios de que a pessoa não tem noção (pois não se fala esse tipo de coisa em uma entrevista de emprego) ou a distância poderá ser um grande empecilho para a permanência da funcionária.

4. Antes de dar início às perguntas, verifique as referências apresentadas e faça perguntas relacionadas.

5. Tenha em mente que você deverá perguntar de forma bastante clara tudo que quer saber: qual a reação da pessoa à choro constante, à criança agitada, se sabe cuidar de crianças mais velhas, etc. etc. Se algo não for respondido satisfatoriamente, tente obter a informação de outra forma. Insista perguntando a mesma coisa de outra maneira.

6. Durante a entrevista, pergunte, pelo menos o seguinte:

  • nome completo
  • telefone fixo (celular não é totalmente confiável)
  • endereço residencial e com quem mora
  • quantas conduções usaria para ir e voltar diariamente da sua casa (para você avaliar seu custo com vale-transporte)
  • como é a família dela
  • se tem filhos, qual a idade deles e com quem eles ficam enquanto ela trabalha
  • se tem algum problema de saúde ou toma remédios
  • por que decidiu ser babá
  • há quanto tempo trabalha na área
  • o que mais gosta e o que menos gosta no trabalho
  • se está trabalhando atualmente. Se sim, por que pensa em trocar de emprego; se não, por que deixou o último emprego
  • se já fez algum curso de formação de babás, primeiros socorros
  • qual a pretensão salarial

7. Se achar conveniente, depois de já ter abordado os principais pontos com a candidata, apresente seu(s) filho(s) à pessoa, para ver como o(s) bebê(s) ou a(s) criança(s) reage(m). Mas avalie bem, pois não vale a pena fazer apresentações a uma desconhecida que pode não ser a pessoa que será contratada.

8. Ao final, dê chances à candidata de lhe fazer perguntas, pois isso também pode te dar algumas dicas de como a pessoa é e quais são as prioridades dela no emprego.

9. Observe também se, durante a entrevista, a candidata conversa olhando nos olhos ou se foge ao olhar, comportamento de quem pode estar mentindo ou escondendo alguma coisa.

20160616_Como_escolher_entrevistar_contratar_babá_02

Quais os direitos e quanto custa?

  • Contrato de experiência: é possível se ter um período de experiência de até 90dias. Se fizer por 30 , ele pode ser renovado até 90.

Nesse período, avalie a candidata e veja se ela se adequa ao que você espera.

Faça um contrato escrito, deixe bem claro à candidata que ela passará por essa experiência e já explique como será o esquema de folga e férias.

O tempo de experiência tem que ser anotado na carteira de trabalho.

  • Registro em carteira de trabalho (CTPS): é obrigatório, pelo valor salarial real da funcionária.
  • Salário: é o que a babá vai receber. Chama-se salário líquido, o valor bruto com os descontos devidos.
  • Condução: a babá é equiparada à empregada doméstica e, por lei, tem direito ao vale-transporte. A condução deve ser fornecida à parte do salário.

Notem que eu não disse PAGA, mas sim FORNECIDA. Isso porque se o valor for pago em dinheiro, ele passa a incorporar a remuneração. Ou seja, se a pessoa ganha R$ 1.500,00 e você paga mais R$ 300,00 em dinheiro a título de condução, para fins legais, é como se o salário dela fosse de R$ 1.800,00.

O correto a se fazer é comprar vales-transportes suficientes para o mês e dá-los à funcionária, descontando 6% do valor do salário da pessoa. O resto deve ser bancado por quem contrata. Esse desconto de 6% não é obrigatório, então, se preferir, você, como empregadora, pode bancar o valor total.

  • Contribuição ao INSS: quem emprega deve recolher, através do sistema do Simples Doméstico, um valor que varia de 28% a 31% do salario bruto da babá, composto por:
  • 8% para o FGTS;
  • 8% da contribuição patronal para o INSS;
  • 8% a 11% da contribuição da funcionária para o INSS (que pode ser descontada do salário, apesar de muitos empregadores não fazerem o desconto),
  • 0,8% de seguro contra acidentes de trabalho; e
  • 3,2% como fundo para indenização por dispensa sem justa causa.

A contribuição é feita mensalmente pelo sistema eSocial, tendo por base o salário real e bruto da pessoa, e também incide sobre 13º salario e férias.

  • 13º salário: de pagamento obrigatório.
  • Férias: babás têm direito a 30 dias de férias a cada 12 meses trabalhados, recebendo, no mês de gozo, além do salário, a bonificação de 1/3, assim como qualquer outro empregado.

É possível a venda de 10 dos 30 dias das férias, caso em que a babá recebe o correspondente em dinheiro.

  • Hora extra: a jornada máxima de trabalho é de 44 horas semanais. As horas extras precisam ser pagas, ou há a opção de se fazer um banco de horas. O trabalho noturno (entre 22h00 e 5h00) e acompanhamento em viagem também exigem pagamento extra.

Para se calcular a hora extra, divida o salário por 220. O máximo de hora extra permitido por dia é de 2 para quem trabalha 8 horas por dia.

  • Alimentação e moradia: gastos com supermercado, água e luz, principalmente se a babá dormir no emprego, certamente aumentarão.
  • Poupança de contingência: na conta do quanto custa ter uma babá, faça também uma poupança de contingências, para caso você decida mandá-la embora. Lembre-se que no caso de demissão sem justa causa (o mais comum), além do mês de trabalho indenizado, deve-se pagar também a multa do FGTS. Em termos práticos, considere poupar em torno de 60% do salário da pessoa para fins rescisórios, com chances de complementação.

Gastos opcionais

  • Uniforme: se quiser, vai precisar fornecer.
  • Substituta para férias ou folguista: quando a babá sair de férias ou no caso de falta, ou ainda se a babá sair em licença-maternidade (situação em que você não paga o salário, que passa a ser de responsabilidade do INSS), ou você se organiza para passar esses dias com seu filho, ou conta com a ajuda de algum familiar, ou contrata uma substituta ou folguista.

O que mais combinar com a babá?

  • Forma de lidar com a criança: é extremamente importante para o desenvolvimento e segurança da criança que a babá siga o mesmo tipo de conduta que os pais em determinadas situações. Por isso, deixe muito claro como você quer que alguns comportamentos sejam atendidos com seu filho, sem deixar de ouvir o que a babá tem a sugerir, pois muitas vezes a experiência ajuda em cenários inesperados, principalmente para pais de primeira viagem. Mas, de qualquer forma, aja da forma que seu coração mandar.

20160616_Como_escolher_entrevistar_contratar_babá_03

  • Privacidade: a babá terá acesso a rotina e informações da família. Portanto, esclareça que sua privacidade é muito importante e que o acontece na sua casa fica na sua casa!
  • Visitas e passeios: esclareça que não será permitido receber visitas sem autorização sua e de seu marido. Além disso, especifique quais passeios a babá poderá fazer com seu(s) filho(s) para não correr o risco da pessoa ir a lugares que você não gostaria que seu(s) bebê(s) frequentasse(m) ou estivesse(m).
  • Relatório: defina com a babá um sistema que funcione para transmitir orientações e receber a rotina do seu(s) filho(s).

Depois da contratação

Fique de olho no comportamento do(s) seu(s) filho(s): se apresenta irritação, choro incomum, sono em excesso ou se fica muito agitado. Esse tipo de comportamento pode revelar que algo não vai bem. Sem querer desencorajar ninguém, mas vale como atenção, mas tive um caso muito próximo de uma babá (treinada e com experiência em cuidar de crianças pequenas) que dava gotinhas de analgésicos para a bebê para que a criança dormisse e desse menos trabalho de cuidar! Absurdo, né? Pois é, mas aconteceu com uma amiga!

Outra coisa: respeite a relação entre a babá e seu(s) filho(s), mas dedique um tempo exclusivo a ele(s), pois mãe é insubstituível! ; )

Deixe um comentário