6 mar 2017

Como me recuperei da cesárea da Carol

Por Fabiana Bellentani

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Já falei mil vezes aqui no blog, e acredito de coração, que não existe certo ou errado na maternidade, mas aquilo que deixa nosso coração de mãe e pai em paz. E isso se estende à opção de parto de cada mulher, desde que seja respeitada a saúde e segurança do bebê e da mãe.

O parto da Carol foi cesárea por escolha. Não sou contra parto normal, ao contrário, apoio tanto quanto a cesárea, tanto que o pretendo para o nascimento do Felipe. Mas sou contra, sim, quem defende um ou outro com unhas e dentes, como se tivéssemos cometendo o maior crime do mundo em fazer nossas escolhas, sem considerar as vantagens e desvantagens envolvidas em cada caso.

Vemos muitos relatos de que a recuperação da cesárea é horrível, dolorosa, demorada e limitadora, enquanto a do parto normal é maravilhosa, rápida, quase sem dor, te deixando pronta para passar por tudo de novo… Um cenário é sempre apresentado como o OPOSTO do outro.

Mas saibam que conheço histórias de recuperações muito boas de parto normal, como também de mulheres que sofreram bastante com a episiotomia (aquele corte feito no períneo para “abrir” espaço para a passagem do bebê), de não conseguirem sentar por mais de mês.

Da mesma forma, conheço histórias de recuperações mais demoradas de cesáreas e de outras ótimas, como a minha.

Antes da Carol nascer eu nunca tinha passada por qualquer tipo de cirurgia. Eu sempre era a pessoa que acompanhava familiares em procedimentos, mas nunca tinha sido eu a pessoa a passar por um.

Minha cesárea foi às 3:00 da manhã e demorou acho que meia hora, se tanto. Fiquei sob o efeito da anestesia por mais algum tempo, mas já fui para o quarto sentindo pés e pernas.

A primeira vez que levantei da cama foi no mesmo dia mais tarde, depois da visita da minha médica e de terem tirado a sonda urinária. É ÓBVIO que nessa primeira levantada senti uma dor muito forte. Pedi apoio do marido e, bem devagar, sob a observação da enfermagem, fiquei em pé e fui ao banheiro andando lentamente.

Depois desses primeiros passos, tudo ficou mais fácil e mais simples. No segundo dia, eu já sentava com uma das pernas cruzadas sobre a cama (para ser sincera, acho que nem podia ter feito isso…) e fazia tudo sozinha: ia ao banheiro, tomava banho, saía “correndo” atrás dos amigos no corredor do hospital para entregar a lembrancinha que eu esquecia de dar no quarto (rs!), praticamente tudo!

É claro que o contexto de uma cesárea é totalmente diferente de uma pessoa com cirurgia em função de doença ou acidente. A situação é alegre, feliz, é um momento de comemoração. Acho que por isso e também por não ter uma expectativa de dor (já que não sabia o que era passar por uma cirurgia), me permiti fazer tudo que conseguia.

Quando voltei pra casa foi a mesma coisa. Com poucas limitações, fazia aquilo que estava ao meu alcance: trabalhava (sou autônoma, não tive licença maternidade), cuidava da Carol, um pouco da casa, etc.

Depois de uma semana, voltei à minha médica para a primeira consulta pós-parto e fui sozinha porque o marido ficou em casa com a Carolina.

Quando cheguei, a Dra. Márcia perguntou: “Você veio sozinha?”. “Sim, vim, respondi. “Mas dirigindo?”, complementou ela. “É, vim dirigindo, por que? Não podia?”, perguntei. Ela arregalou os olhos e comentou “Depois dizem que a recuperação da cesárea é péssima…”. Fiquei feliz com o comentário, pois percebi que estava bem, além do esperado!

Com duas semanas, eu amamentava com as pernas cruzadas “de índio” sobre uma poltrona que tinha na sala e recebia amigos em casa para uma pizza!

Mas por que fiz questão de contar tudo isso?

Simples: primeiro para mostrar que, se tivermos informação (principalmente sobre as consequências de nossas escolhas), conseguimos tomar decisões conscientes e seguras, sem estigmas e independentemente do que os outros falam ou pensam. Segundo porque, seja parto normal ou cesárea, saiba que o nascimento do seu filho será o momento mais especial do mundo e, por ele(ela), tudo vale a pena!

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