16 ago 2016

Como os pais podem influenciar a adaptação do bebê na escolinha: nossa experiência com a Carol

Por Fabiana Bellentani

Não sou psicóloga, nem pediatra. Sou mãe (ia dizer “apenas mãe”, mas ser mãe não é pouca coisa), que, como todas, tem seu instinto materno e gosta de compartilhar suas experiências.

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A Carol foi para a escolinha no dia 05 de janeiro de 2015, pouco antes de completar 1 ano. Tínhamos a ideia de mantê-la em casa até os 2, mas por volta dos 9 meses, quando começou a andar com nosso apoio, percebemos que não tínhamos toda energia e disponibilidade de tempo que ela passou a demandar. Conversamos, então, sobre o assunto, tivemos a aprovação pediátrica e passamos a visitar algumas escolas até escolhermos a que ela está hoje.

No primeiro dia da adaptação, eu e meu marido fomos juntos, mas sabíamos que apenas um poderia ficar. Eu estava tranquila e segura de nossa decisão, sabia que ela ficaria bem. Meu marido também estava certo do que estávamos fazendo, mas senti que ele fazia questão de estar lá por ela. Saí e deixei os dois, preparada para voltar dentro de uma hora.

Ao retornar, encontrei o Eric sentado num dos bancos da escola, muito sossegado e aparentemente satisfeito.

E aí, como está indo?, perguntei.

– Eu fui umas duas vezes na porta do berçário, ela olhou na minha cara, deu uma risadinha e continuou a brincar., respondeu me mostrando os vídeos e fotos que havia feito.

Fomos até a porta da sala, vimos que estava tudo muito bem e resolvemos que a deixaríamos com as berçaristas por mais um tempinho. Ficamos por perto, fizemos um monitoramento pelas câmeras da escolinha e deu super certo. No segundo dia, a Carol já passou a ficar o período de seis horas completas, sem ninguém junto. Sua adaptação foi rápida e sem traumas para ela e para nós.

E como nosso comportamento pode ter influenciado e/ou facilitado esse processo?

Bom, na verdade, penso que não se trata apenas de uma postura pontual, do momento da adaptação, mas de toda uma cultura familiar de criação. A Carol sempre foi uma criança acostumada com outras pessoas. Ela sempre foi pega no colo, entretida, alimentada e trocada por avós, tios e amigos, nunca houve uma “redoma de vidro” sobre ela neste sentido.

Sempre a incentivamos a ser independente, proporcionando segurança e autoconfiança para isso.

Sua ida para a escola foi, de certa forma, por uma necessidade, mas, quando tomamos a decisão, a fizemos consciente de que seria o melhor.

No seu primeiro dia no berçário estávamos tranquilos, sem ansiedade, sem angústia, sem medo ou incerteza de estarmos fazendo a coisa certa. A entregamos nos braços das cuidadoras com muita segurança de que ela seria bem atendida e se divertiria e se desenvolveria bastante.

Durante a busca pela escola, escutamos muitas histórias de adaptações difíceis. E alguns desses relatos vinham acompanhados de comentários de que a mãe ficava apreensiva em deixar o filho e que o momento da despedida era super doloroso.

É lógico que nem todo mundo tem a possibilidade de ficar com o filho até 1 ano, a maioria das mães precisa voltar ao trabalho antes e acaba não tendo outra opção senão a escolinha. Mas, na medida em que a decisão é angustiante para os pais, entendo que esse sentimento é passado para a criança. E aí o processo passa a ser angustiante para o bebê também.

Ter uma atitude honestamente positiva sobre todo o processo é essencial para o sucesso da adaptação. E quando digo honestamente é porque não basta aparentar uma tranquilidade que não existe em seu coração.

Já disse várias vezes aqui no blog que não existe certo ou errado na maternidade, mas aquilo que faz seu coração de mãe ficar e estar em paz. Portanto, estejam seguros e certos sobre a decisão. Caso contrário, quem não estarão prontos para a adaptação da escolinha são vocês, pais e mães, e não seu filho! ; )

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