28 mar 2017

Como tiramos a chupeta da Carolina

Por Fabiana Bellentani

Nunca nos importamos muito com o fato a Carol usar chupeta, afinal, sempre consideramos normal o uso por crianças pequenas. Mas quando chegou nos 2 anos e meio, não só a “pepeta” não saia da boca, como percebemos que a Carol começou a desenvolver uma abertura entre os dentes da frente que não era normal. De imediato consultamos a pediatra e a dentista e ambas nos orientaram a manter a chupeta só até os 3 anos. Depois disso, tchau!

A caixa da fadinha

Mas como faríamos para a Carolina perder o vínculo com algo que gostava tanto? A dependência era tão grande que apelidamos as chupetas de “itens” para que pudéssemos falar no assunto, sem que a palavra chamasse atenção.

A primeira coisa que tentamos foi incutir na cabeça da Carol a ideia de que chupeta era coisa de bebezinho e que crianças “grandes” já não a usavam mais. O mesmo trabalho era feito pela escolinha, que tomava de exemplo os bebês do berçário e os alunos dos grupos maiores.

Passou um tempo e percebemos que só falar não estava adiantando. Resolvemos, então, adaptar a mágica da fadinha do dente para a chupeta e criamos a “caixa da fadinha”. Foi o jeito que encontramos de dar vida ao personagem, de tornar a mágica real, em algo que a Carol pudesse realmente ver acontecer.

A caixa da fadinha era uma antiga caixa vermelha onde a Carol poderia deixar a chupeta para que a fadinha levasse durante o dia e devolvesse de noite, junto com um presentinho que seria uma recompensa por ela ter ficado sem o “item” o dia todo (achamos melhor não radicalizar o processo, permitindo que ela tivesse a “pepeta” para dormir).

Assim, todo dia de manhã, ela deixava a chupeta na caixa, que era levada misteriosamente pela “fadinha” logo em seguida. De noite, um pouco antes de dormir, a “fadinha” a escondia no quarto novamente. “Eu acho que ouvi a fadinha chegando!”, dizíamos um pouco antes da busca pela caixinha vermelha. Isso gerava uma empolgação na Carol, que se divertia com a “caça noturna”, além da satisfação de encontrar sempre um brinquedinho esperando por ela.

Identificação

Junto com o esquema da fadinha, me coloquei no lugar da Carolina e criei uma “história de infância para mim”. Contava que quando era pequena, eu também adorava chupar a chupeta, mas a vovó Estrelinha (minha mãe já falecida) já tinha me avisado que eu não poderia mais usar, até que eu dei a chupeta de vez para a fadinha. Eu usava na minha história as mesmas falas que a Carol dizia para tentar me convencer de que não podia largar o “item”. Essa identificação entre nós deu tão certo que ela me pedia para contar a história da chupeta com a vovó Estrelinha todos os dias de manhã.

É lógico que no começo não foi fácil. Por algumas vezes, nos primeiros dias, principalmente na hora da soneca, ela queria porque queria a chupeta de qualquer jeito… Mas, a partir do momento em que começamos o processo, não recuamos, senão não teria sentido. Nessas ocasiões, dizíamos que a chupeta estava com a fadinha e que não tínhamos como pegar.

Depois de alguns dias, sucesso! A chupeta já não fazia mais parte da sua rotina diária! Mas e de noite? Para ser sincera, era eu quem estava adiando esta etapa porque imaginava que teria que acordar de madrugada várias vezes para acalmar a Carolina, que mesmo dormindo caçava a chupeta pelo berço para volta-la à boca.

E de noite?

Com quase um mês para completar três anos, deu a louca no marido que decidiu que era hora de extirpar a chupeta da vida da Carolina. Só que percebemos que, na medida em que radicalizávamos o discurso, o efeito era inverso: ao invés de querer largar, ela passava querer a “pepeta” cada vez mais.

Comecei, então, a dizer que em algum momento a fadinha levaria a chupeta embora para sempre e deixaria um presentão em troca. E todo dia de manhã, perguntava à Carolina se seria aquele dia em que a fadinha pegaria o “item”. Por umas duas semanas, ela me disse que não: “Acho que é amanhã, mamãe, não hoje!”. Até que, numa quinta-feira, dia 12 de janeiro, 6 dias antes de completar 3 anos, quando fiz a pergunta, ela me respondeu: “É hoje!”. Mais do que depressa, peguei a caixinha vermelha e, juntas, colocamos a chupeta dentro. Descemos as escadas e deixamos a caixinha no jardim. Nesse dia, ela estava sempre por perto e não consegui esconder a caixa de imediato. Achei que, nesse meio tempo, ela fosse desistir e pegar a chupeta de volta, mas não, ela só ia até o jardim para ver se a “fadinha” já tinha passado.

Quando chegou a hora de dormir, deixamos no quarto um brinquedo que sabíamos que ela queria muito. Ela ficou tão contente que sequer perguntou da “pepeta”. Naquela noite, fui deitar já preparada para acordar de madrugada. Para nossa surpresa, porém, ela dormiu a noite toda e tem sido assim desde então!

Hoje, quando penso em SUA decisão de permitir que a “fadinha” levasse a chupeta embora, percebo o quanto foi importante respeitar o seu momento. Nós tínhamos, sim, a urgência de tirar a chupeta da Carolina, mas apenas demos uma “forcinha”. Ela largou quando se sentiu pronta!

Deixe um comentário