10 maio 2016

Enxoval | Berço (crib)

Por Fabiana Bellentani

Nos últimos tempos, tenho conversado bastante com algumas mães sobre a transição do berço para a cama e ouvi várias vezes alguns comentários direcionados a crianças em torno de 1 ano e 6 meses e 2 anos, que me chamaram atenção: “Passei minha filha para a cama porque ela começou a escalar as grades do berço” ou “Quando percebi que ele ia cair, passei para a caminha”.

O berço da Carolina sempre foi tão seguro e profundo, que fiquei sem entender muito bem como uma criança tão pequena conseguiria subir e pular uma grade. Até porque, ainda hoje, com 2 anos e quase 4 meses, mesmo que a Carol queira e se esforce bastante, ela não consegue, no bercinho dela, usar nenhuma de suas partes como escada.

Comecei a imaginar, então, que deveriam existir tipos diferentes de berços, talvez alguns mais compactos e com menor flexibilidade de altura e outros mais robustos, algo que, na época da nossa compra, eu sequer me atentei. Tivemos a sorte de gostar bastante da peça que usamos até hoje, pois, apesar de ter sido um pouco mais cara, é um berço com partes em madeira maciça, firme, resistente e bastante seguro.

Mas diante da minha dúvida, achei ser este um assunto bem importante para trazer ao blog, principalmente para quem está em vias de comprar o bercinho para o futuro bebê.

A legislação mudou bastante de quando montamos o quarto da Carolina, mas tudo que exponho abaixo está bem atualizado, inclusive com as alterações publicadas no início deste ano (2016). Aliás, para quem tiver interesse, a legislação que regula a matéria é a Portaria nº 53 de 1 de fevereiro de 2016 do Inmetro – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia.

20160510_Enxoval_Berço

Definições

Bom, para começar, existem, sim, tipos diferentes de berços, um para uso desde recém-nascidos até que a criança não seja capaz de escalá-lo, que são os berços tipo 1; e os tipo 2, construídos para crianças que ainda não se sentam, ajoelham ou levantam sozinhas (aqueles menores, usados quase que como um moisés, para facilitar a vida das mamães, sabem qual é?).

Além dessa classificação legal, desde que atendidos os requisitos mínimos exigidos, acredito que a profundidade e resistência do berço dependem do fabricante. Digo isso porque algumas amigas chegaram a comentar que, após um tempo de uso, o berço de seus bebês já estavam meio instáveis, com um pouco de jogo. Por isso que fizemos questão, aqui em casa, de comprar um móvel bebem forte mesmo.

Mas quais os principais requisitos de segurança de um berço?

  • O berço deve ser resistente a possíveis impactos, ao peso da criança e a eventuais forças continuadas contra suas bases, laterais, extremidades e cantos, não podendo as ripas, as laterais, extremidades, cantos e os fios da tela e outros materiais flexíveis se romperem ou se separarem, nem a função do berço ficar prejudicada.
  • Arestas, bordas, cantos, componentes pequenos e partes salientes devem ser livres de rebarbas, devendo ser chanfradas ou arredondadas, de forma a impedir que a criança se exponha ao risco de cortes e outros ferimentos.
  • O berço, após montado, não pode possuir acessórios que contenham pontas perfurantes, partes cortantes, partes pequenas destacáveis, cordões com comprimento acima de 20cm, pontos de cisalhamento, pontos de compressão, ou outras características que possam colocar em risco a saúde ou a segurança da criança.
  • O berço deve estar livre de pontos de apoio, de forma a evitar que a criança transponha ou escale as barreiras do berço, entendo-se por barreiras tanto as grades, como a cabeceira e peseira.
  • Partes pequenas que constituem o berço, situadas na área acessível, agarráveis pela criança, inclusive por seus dentes, e que possam ser indevidamente ingeridas não podem ser removíveis ou se soltarem, de forma a prevenir o risco de engasgamento por ingestão ou inalação.
  • Rótulos, etiquetas e selos não podem ser fixados na área acessível do berço.
  • O berço deve ser equipado com barras (grades) ou algum outro tipo de barreira (telas, por exemplo) em todo o seu perímetro, não podendo possuir laterais ou extremidades móveis. Isso é algo que mudou da época que compramos o berço da Carolina, pois o dela ainda possui um sistema de deslizamento da grade lateral, para supostamente facilitar a retirada do bebê. Foi um diferencial apresentado no móvel na hora da compra, que, para ser sincera, nunca usamos!
  • Telas com trama devem ter furinho com até 0,7cm de abertura
  • A distância entre as ripas das grades laterais precisa ser de no máximo 6cm.
  • Rodízios e rodas só devem ser instalados com uma das seguintes configurações: dois ou mais rodízios ou rodas e, pelo menos, dois outros pontos de apoio; ou, quatro rodízios ou rodas, das quais, pelo menos, duas devem possuir sistema de travamento que impeçam os rodízios ou rodas de rodar ou se destravar.
  • Na regulagem mais baixa, a distância entre a parte de cima do estrado do berço e a parte mais baixa da travessa da madeira superior da grade lateral do berço (acreditem, essa foi a melhor forma que consegui explicar), bem como da cabeceira e peseira, tem que ter pelo menos 60cm para os berços tipo 1 (aqueles que servem até quando a criança for maiorzinha) e pelo menos 30cm para os berços tipo 2, mesmo quando o berço estiver sob carga. Eu medi o berço da Carolina e a distância entre a parte de cima do estrado até o final da parte de cima da grade lateral é de 65cm.
  • Na regulagem mais alta, essa distância tem que ser de pelo menos 30cm nos berços tipo 1. Os berços tipo 2 não permitem essa regulagem de altura do estrado.
  • Quando utilizado com o colchão, não deve haver espaço maior que 3cm entre a estrutura do berço (laterais ou cabeceiras e peseiras) e o colchão.
  • Recomenda-se o uso de colchão com espessura máxima de 12cm. Dessa forma, quando a regulagem do estrado estiver em sua altura mais elevada, ainda restarão 18 cm de proteção lateral. O colchão da Carol tem 10cm. Isso significa que do colchão ao limite da grade lateral, na regulagem mais baixa do estrado, sobram 55cm de distância.
  • O conjunto formado por berço e colchão deve estar livre de vãos que provoquem o encaixe da criança e sua consequente sufocação.

Outras observações

Essas regras são aplicáveis a:

  • berços dobráveis (que pode ser desmontado ou dobrado, para transporte, sem uso de uma ferramenta; não inclui os berços portáteis com alça);
  • conversíveis (que podem ser usados para outros fins, como unidades para troca, mini camas, cercados e cômodas);
  • pendulares (que permite movimento em qualquer direção);
  • de balanço (que imita o movimento de ninar); e
  • modelos com menos de 90 centímetros de comprimento.

Não se aplicam aos berços portáteis com alça, também chamados de moisés, os cercados, os berços utilizados para fins hospitalares, as cadeiras de descanso, os berços projetados para serem colocados ao lado da cama (do tipo bedsidesleepers ou co-sleepers) e os berços aquecidos, que estão sujeitos a regras da vigilância sanitária.

Todos os modelos devem trazer alertas quanto aos riscos e exibir a especificação das medidas adequadas do colchão a ser usado para respeitar as margens de segurança ou mesmo se o modelo não deve ser usado com colchão adicional em cima da base acolchoada, no caso dos dobráveis.

2 comentários em Enxoval | Berço (crib)

  1. Marina em 20 maio 2016

    Fá, hoje ouvi sobre o quarto montessoriano. Interessante! É baseado na ideia de que o espaço da criança possa ser montado pensando na ótica da criança.

    • Fabiana Bellentani
      Fabiana Bellentani em 20 maio 2016

      Sim, Má! A linha montessoriana segue esse conceito: de que a criança precisa se desenvolver em um ambiente seguro e que estimule sua curiosidade. Por isso, tudo deve estar a altura de seus olhos. Já pedi para a arquiteta, colunista do blog, escrever sobre o assunto! Bjs!

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