8 mar 2016

Os “certos” e os “errados” da maternidade

Por Fabiana Bellentani

Estávamos uma noite jantando com um casal de amigos e um deles, lá pelas tantas, comentou que a Carolina ficava bem à mesa, não saia correndo ou fazendo bagunça pelo restaurante. E aí o assunto “comportamento das crianças” passou a ser foco e veio à tona a história de um menino que praticamente morava com a avó e que, com 10 anos, não sabia o que era dormir em sua cama. “Isso não está certo!” disse o amigo.

É engraçado como, nessas horas,  nossa mente é capaz de montar um raciocínio completo em questão de segundos! “Não existe certo ou errado. Existe aquilo que você se sente bem e tranquila fazendo.” Foi o que respondi e é o que realmente acredito. Taxar uma ou outra forma de maternar como certa ou errada é radicalizar para um ou outro extremo, sem respeitar a opinião de outros pais ou mães ou tentar entender a realidade ou histórico das outras famílias.

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Nem tudo é razão na maternidade; aliás, diria que poucas coisas são. Não é porque não fazemos cama compartilhada, que condeno quem faça. Ou porque nunca deixamos a Carolina chorar para aprender a dormir, que acho um absurdo quem deixe. Ou porque optei por dar a chupeta, que critico quem não dê. Ou porque tive parto cesárea que só ressalto suas vantagens e vejo o normal como última opção.

Acho que a parte racional das decisões ligadas à maternidade muitas vezes está em saber lidar e viver com suas consequências. E digo isso não como lição de moral, como se essas consequências fossem ruins. Isso seria cair na taxação indireta de certo ou o errado. Mas digo simplesmente porque o comportamento futuro da criança será um resultado daquilo que lhe for ensinado desde o início.

Quando optamos por dar chupeta à Carolina, sabíamos que ela se acostumaria com o item (é como realmente apelidamos a chupeta em casa) e que teríamos também o trabalho de desacostumá-la depois. Mas quando demos pela primeira vez, foi o que nos deu tranquilidade no momento. Sabíamos que seria algo que a acalmaria, que lhe daria segurança, algo que ela procuraria em uma situação de cansaço e irritação. Foi uma escolha consciente e é óbvio que não adianta suspirarmos aos céus, no desejo de que, de uma hora para a outra, a Carol jogue a chupeta fora e se desapegue, como que num conto de fadas. Fizemos uma opção e sabemos qual sua consequência.

Cama compartilhada é outro assunto que todo mundo adora torcer o nariz, tanto para um lado, como para outro. Não acostumamos a Carol em nossa cama porque não achávamos seguro, sentíamos que ela ficaria melhor se estivesse no seu espaço e, sim, porque queríamos que ela se acostumasse a dormir em sua caminha desde o início. Isso não significa, no entanto, que quem divide a cama com o bebê está errado(a). Quem opta pela cama compartilhada, talvez prefira a facilidade de poder amamentar sem se deslocar, ou apenas queira sentir o bebê por perto. É apenas uma questão de opção, que, assim como disse acima, terá sua evolução. Eventualmente a criança precise de algum processo de adaptação para passar a dormir só. Pode ser algo que aconteça com mais tranquilidade, quando a criança já for mais velha, ou que talvez exija um pouco de paciência e perseverança por parte dos pais, num momento em que decidam não ser mais confortável para aquela família ter a criança dividindo a mesma cama.

Podemos dizer que um ou outro caso é certo ou errado? Claro que não! É simplesmente uma questão de decisão. De fazer aquilo que deixa nosso coração de mãe e pai em paz em um determinado momento.

Acho que o segredo é decidir com amor e de forma consciente, sabendo claramente o que esperar como comportamento futuro do bebê. Saber respeitar a opinião dos outros, sem impor conceitos é primordial. O que é bom para uns, pode não ser o ideal para outros.

O que vocês pensam sobre o assunto?

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