25 jan 2017

Por que a Carol usa óculos? | Necessidade e adaptação

Por Fabiana Bellentani

“Nossa, tão pequenininha e já usando óculos?”, “Por que ela usa?”, “Como perceberam que ela precisaria dos óculos?”: essas são algumas das perguntas que ouço com bastante frequência (até em viagem ao exterior já fui questionada) e que tenho a maior atenção em responder e explicar.

Como muita gente tem curiosidade, às vezes até para tentar identificar uma eventual necessidade em seus próprios filhos, ontem comecei contando nossa história sobre a hipermetropia da Carolina. Hoje concluo o assunto explicando sua adaptação e a necessidade de usar o tampão complementar.

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Por que os óculos são necessários?

Para enxergar melhor, claro, mas, no caso da Carol, para muito mais que isso: para evitar que ela perca a visão! Se não usar os óculos, o cérebro da criança se acostuma com a visão distorcida e a assume como padrão.

O estrabismo que comentei no post anterior acontece por causa do esforço que a Carol faz para focar os objetos que enxerga. É como se um dos olhos fizesse tanta força para focar, que ultrapassa o centro do globo e desvia para o canto interno.

Antes dos óculos, o estrabismo era mais leve que agora. Explico: com os óculos, o desvio acontece muito pouco, apenas para enxergar de perto. Para longe, não acontece mais, porém, quando tira os óculos, o estrabismo é muito maior que antes e imediato, pois o olho já está acostumado com a posição correta.

Nesse período de um ano e três meses, a Carol já mudou as lentes duas vezes e agora mudará a terceira. Isso porque os exames em crianças não conseguem ser precisos como nos adultos, claro! Elas não têm capacidade de fazer os exames convencionais. Em função disso, normalmente iniciasse o uso dos óculos com meio grau a menos do encontrado pelo médico em consultório, para posterior ajuste, se necessário. Foi o que aconteceu com a Carol. Depois de seis meses usando as lentes iniciais, tivemos que ajustar o grau.

Agora ela passará a usar um bifocal, para tirar o desvio que acontece quando ela foca de perto.

O tipo de óculos

Os óculos da Carol são da marca Miraflex. Eles são totalmente flexíveis, de plástico, sem nenhuma parte em metal, sem BPA, sem borracha, sem látex e hipo-alergênico. São próprios para crianças.

Como ela era e ainda é muito pequena, o modelo apropriado para sua idade é um que possui um elástico preso à cada uma das hastes, passando pela nuca. Assim, ela pode pular e rolar, sem medo de caírem do rosto.

Além disso, as lentes são antirrisco, para garantir maior durabilidade.

Quanto ao modelo, a Miraflex possui vários, porém deve-se considerar o tipo e espessura das lentes.

O uso dos óculos e adaptação

A Carol já usava de vez em quando óculos de sol, mas era pontual e totalmente diferente dos óculos de grau.

Quando ficaram prontos, eu e meu marido passamos a usar os nossos o dia inteiro para ver se ela se empolgava. Não tivemos muito sucesso. Foi na escolinha que o negócio engrenou! Quando chegou no primeiro dia usando aquele acessório diferente e curioso, todos os amiguinhos se reuniram ao seu redor e queriam pegá-lo para usarem também. Ela se sentiu toda especial por ser a única a tê-los e não quis tirar mais.

Aliás, antes mesmo dela começar a usar, a escolinha fez todo um preparo com conversas, mostrando outras crianças mais velhas que já usavam óculos, além de historinhas e personagens que também usavam.

Hoje ela usa tranquilamente e quando fica sem, diz: “Cadê meus óculos? Está tudo embaçado!”, pega e coloca sozinha!

O tampão

Além dos óculos, a Carol também usa um tampão, cujo nome correto é oclusor ou protetor ocular. Começou usando 4 horas por dia, três no olho direito e um no esquerdo, e, agora, usa 3 horas por dia, dois no direito e um no esquerdo.

Nossa observação e os exames clínicos mostraram que a Carol usa mais a visão esquerda que a direita. Na verdade, o único olho que tem o desvio é o esquerdo. Em função disso, para que o cérebro não anule essa visão, dando preferência à direita, tivemos que usar o tampão.

Neste caso, a adaptação foi um pouco mais chata. A escola também foi fundamental no processo, mas mesmo assim demorou um pouco mais. Assim que soubemos da necessidade, informamos as professoras da Carol, que logo iniciaram um trabalho com brincadeiras de piratas e historinhas. A própria professora fez um tampão de EVA para ela e todos os alunos da sala para transformar o uso em algo divertido.

Eu também usava o tampão com a Carol para estimular. Saía na rua com o olho tapado, fosse onde fosse. É lógico que todo mundo me encarava, perguntava o motivo, mas, por ela, valeu a pena.

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A Nexcare e a Oftam fabricam os protetores oculares, daqueles que grudam na pele. Optamos pela marca Oftam, por indicação médica, pois são coloridos e aparentemente são os que incomodam menos na hora de tirar. O chato desses protetores é que a cola é muito resistente e realmente machuca quando puxamos, mesmo com o maior cuidado possível! Quando eu tirava do meu rosto, acabava arrancando a sombrancelha junto… Não era legal…

A solução (indicada por uma amiga cujo filho usa desde os seis meses) foi fazer um tampão de EVA. Quem me segue no Instagram (@fabi_4mammies), já viu várias fotos da Carol usando o nosso “improviso”. Compramos uma folha de EVA, cortamos no formato dos óculos, deixando uma aba lateral para bloquear toda visão. O objetivo é que não fique espaço para a criança enxergar por qualquer brecha. E deu tão certo que o tempo de uso diário já foi reduzido, como comentei acima.

A hipermetropia da Carolina é questão de grande importância para nós, como tenho certeza ser de vários pais e mães que também têm seus filhos com necessidade de uso de óculos. Então, fico à inteira disposição para qualquer dúvida, ok? ; )

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