2 maio 2016

Por que chupar dedo e chupeta podem ser prejudiciais?

Por Dra. Thais Cabral

A sucção é uma atividade instintiva dos mamíferos que tem início ainda dentro da barriga da mãe. A sucção não nutritiva (dedo e chupeta) é considerada um reforço psicomotor que é adquirido facilmente pelas crianças e tende a desaparecer com a idade.

A chupeta, tão adorada pelas mamães pelo seu “poder” de acalmar e silenciar os bebês, não é tão inofensiva quanto parece. E o que determina se o hábito de chupar o dedo ou a chupeta trará consequências negativas à criança é a tríade: duração, frequência e intensidade.

A atividade prolongada de chupar o dedo ou chupeta pode prejudicar o desenvolvimento craniofacial, atrapalhando as funções de mastigação, fala, deglutição e respiração, como citado no post sobre amamentação e sua importância para o desenvolvimento craniofacial do bebê.

O uso prolongado da chupeta é comum e acomete mais de 50% das crianças que apresentam algum hábito prejudicial. A sucção digital, apesar de ser menos frequente, causa danos maiores, pois, além de acarretar problemas dentários mais expressivos, pode persistir na dentição permanente. Portanto, caso os pais percebam que a criança está com tendências à sucção de dedo, indica-se substituir pela chupeta.

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Quais são os males que esses hábitos podem causar?

Com a instalação desses hábitos, os ossos da face acabam crescendo de maneira desordenada, o céu da boca fica demasiadamente profundo e as arcadas ficam mais estreitas.

Na parte dentária podem ocorrer desvios de formações (malocusões) como: mordida aberta, mordida cruzada uni ou bilateral, retrognatia mandibular (quando a mandíbula não se desenvolve e fica mais para trás), apinhamentos dentários (falta de espaço para os dentes deixando-os tortos).

Quando o hábito deve ser interrompido?

Por causa dos problemas citados, é aceitável manter esses hábitos até no máximo os 3 anos, quando ainda não é tão difícil corrigí-los. A maioria das crianças abandona o uso da chupeta nessa época. A sucção do dedo pode demorar mais, por estar muito acessível. Porém, o melhor é interromper o vício o mais cedo possível.

Como remover o hábito?

É importante que os pais tenham cuidado com o modo de remoção desse hábito. Ele deve ser feito com muita paciência pois geralmente está ligado a fatores emocionais e psicológicos que representam para a criança um momento de prazer, clama e proteção.

O incentivo deve ser feito de maneira gradativa, algumas dicas são:

  • limitar o uso da chupeta (por exemplo: usar somente na hora de dormir e assim que a criança adormecer deve-se retira-la da boca)
  • evitar o uso de prendedores para que a chupeta não fique sempre ao alcance da criança
  • conversar com a criança sobre substituir a chupeta por algo mais conveniente para a idade dela, etc.

Mas e o dedo?

Geralmente a criança deixa de chupar o dedo naturalmente. Os pais, porém, podem tomar algumas medidas para evitar que esse hábito se prolongue. Por exemplo: caso a criança leve a mão à boca enquanto dorme e os pais estiverem por perto, os pais devem retirá-la. Se a criança também chupa dedo enquanto está acordada, é importante que os pais procurem substituir atividades em que ela fique de mãos vazias, por outras como desenhar, montar objetos, etc. É interessante que os pais observem em quais situações a criança leva a mão à boca, assim poderão impedir mais facilmente.

Brigar ou colocar substâncias com sabor fortes no dedo são medidas que não funcionam.

E depois?

Mesmo depois de removido o hábito, os efeitos negativos geralmente permanecem. Para correção desses, poderá ser feito o uso de aparelhos ortodônticos/ortopédicos visando a melhora no “encaixe” e posicionamento dos dentes. As alterações funcionais são mais difíceis de serem contornadas e na maioria das vezes dificultam o tratamento ortodôntico por conta das alterações musculares. Nesses casos é de extrema importância que o tratamento ortodôntico seja feito em conjunto com a fonoaudióloga e o otorrino.

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